André Menezes Strauss (BR) e Elisabetta Boaretto (IL)

André Menezes Strauss (BR) e Elisabetta Boaretto (IL)

Crédito da foto: Erica Banya

André Menezes Strauss
Museu de Arqueologia e Etnologia/ USP

UNICAMP: Laboratório de Biologia Molecular do Exercício (LABMEX)

O Prof. Dr. André Menezes Strauss é arqueólogo e geólogo, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e coordenador do Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva e desenvolveu o projeto conjunto com a professora Elisabetta Boaretto.

O Professor André recebeu o prêmio 2019 Excelência para Novas Lideranças, concedido a docentes com até 40 anos de idade que se destacam pelo impacto de sua pesquisa científica, artística ou cultural (categoria Humanas). É graduado em Ciências Sociais pela PUC-SP (2006) com mestrado na USP e doutorado e pós doutorado em Ciências Arqueológicas na Alemanha.

Coordenador do projeto “Morte e Vida na Lapa do Santo: uma biografia arqueológica dos povos de Luzia”, desenvolveu um software de gerenciamento de escavação e implementou técnicas avançadas de documentação arqueológica. Como especialista em arqueologia virtual trabalha com a emergência do comportamento simbólico e coordena o projeto “Arqueogenômica do Brasil pré-colonial”, pioneiro na extração de DNA antigo de esqueletos arqueológicos do Brasil.

O projeto

“É um projeto de arqueologia cujo tema geral é a História Antiga da América. Mais especificamente, nosso objetivo é conseguir estimar a antiguidade de dois eventos marcantes na história da ocupação humana do continente: a extinção da mega-fauna e a explosão de pinturas rupestres no Brasil Central. Você sabia que nós arqueólogos não temos ideia da antiguidade das famosas pinturas rupestres do Brasil? Serão conquistas importantes se conseguirmos avançar nesses dois pontos”.

Você sabia que nós arqueólogos não temos ideia da antiguidade das famosas pinturas rupestres do Brasil? Serão conquistas importantes se conseguirmos avançar nesses dois pontos”.

O Centro Kimmel para Arqueologia do Instituto Weizmann e a Profa. Boaretto são referência mundial em datação de material arqueológico.

A história de esta parceria teve início quando, no ano 2018 o Dr. André Zular, um geólogo especializado em datação por método de luminescência, estava fazendo seu pós- doutorado no Weizmann. O Dr. Zular, que foi um dos primeiros bolsistas dos Amigos do Weizmann para a Escola do Verão do Weizmann (1982), e apresentou a Prof. Boaretto a pesquisadores brasileiros dessa área, mais especificamente com o Prof. Francisco William da Cruz, da USP. Ao mesmo tempo, uma outra equipe de cientistas buscava um arqueólogo brasileiro para ajudar a desenvolver um projeto multidisciplinar relacionando mudanças climáticas e história humana. “Aceitei o convite na hora e pouco depois tive o privilégio de passar uma semana na companhia de todos eles (Profa. Boaretto veio ao Brasil) numa etapa de campo organizada pelo Prof. Francisco no Vale do Rio Peruaçu. Para além das intersecções científicas acabamos todos nos entendo muito bem: dessa sintonia nasceu a intenção de consolidar a colaboração científica internacional que agora ganha fôlego com a aprovação desse projeto.”

Profa. Elisabetta Boaretto

Diretora do Centro Kimmel de Ciências Arqueológicas e do Laboratório D-REAMS (accelerator mass spectrometry laboratory for radiocarbon dating) que promove projetos de pesquisa que cronometram mudanças culturais, ambientais e materiais na história da humanidade, utilizando tecnologia de ponta.

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Leandro Pereira de Moura (BR) e Atan Gross (IL)

Leandro Pereira de Moura
Faculdade de Ciências Aplicadas/UNICAMP

O Prof. Leandro Pereira de Moura, da Faculdade de Ciências Aplicadas/UNICAMP, tem um projeto conjunto com o Prof. Atan Gross, do Instituto Weizmann de Ciências.

O Prof. Dr. Leandro é docente do Curso de Ciências do Esporte da Faculdade de Ciências Aplicadas – UNICAMP, dos programas de pós-graduação em Ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo (UNICAMP/Limeira) e em Ciências da Motricidade (UNESP/Rio Claro).

Graduado em Educação Física e Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP-Rio Claro, realizou doutorado sanduíche em Ciências da Motricidade na Escola de Medicina de Harvard e na Escola de Saúde Pública de Harvard (2014) pelo Instituto de Biociências da UNESP-Rio Claro (2012). O pós-doutorado foi pela UNICAMP em parceria com a Escola de Saúde Pública de Harvard.

O projeto

“O excesso de acúmulo de gordura no fígado pode ser um sério problema se não tratado. Após o acúmulo excessivo de gordura, inicialmente, o órgão passa a ter um perfil inflamado e se não houver nenhum tipo de tratamento pode desenvolver cirrose, que quando não tratada, pode evoluir para algum tipo de carcinoma e em alguns casos levar o órgão à falência. Ainda, em pessoas obesas, somente o fato de acumular mais gordura no fígado contribui para o desenvolvimento do diabetes mellitus“, explica o Dr. Leandro e acrescenta que para o tratamento da Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica (DHGNA) não há medicamentos seguros: os médicos recomendam mudança de hábitos alimentares e a prática de exercícios físicos.

“Entretanto, o modo como a prática de exercício físico faz com que ocorra redução de estoques de gordura em um órgão periférico ainda não é bem descrita na literatura. Nesse sentido, nossas equipes pretendem entender melhor como esse acúmulo de gordura acontece e, adiante, investigar como a prática de exercício físico pode beneficiar animais ou pessoas portadoras da DHGNA.

Nossas equipes pretendem entender melhor como acontecem os acúmulos de gordura e investigar como a prática de exercício físico pode beneficiar animais ou pessoas portadoras da Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica

Esta pesquisa possui um caráter translacional, ou seja, vamos investigar o acúmulo de gordura em cultura de células hepáticas e em fígados de camundongos e humanos obesos, para, adiante, investigar o papel do exercício físico aeróbio. Acreditamos que uma proteína que fica acoplada na membrana mitocondrial hepática (MTCH2) pode estar envolvida nesse processo de controle do armazenamento de gordura no órgão. Caso nossa hipótese venha a ser confirmada, num futuro não tão distante e após outras confirmações, poderemos elencar a modulação dessa proteína como um possível alvo para o tratamento da DHGNA.”

Leia também:
– Estudo mostra como o exercício de força controla o diabetes em indivíduos obesos
Musculação pode ter efeito rápido em redução da gordura no fígado, indica estudo

Prof. Atan Gross

As mitocôndrias são organelas altamente dinâmicas que desempenham papéis fundamentais em processos celulares fundamentais, e sua disfunção resulta no desenvolvimento de muitos tipos de doenças. Os principais tópicos de pesquisa do laboratório do Prof. Atan Gross estão relacionados as mitocôndrias como coordenadoras do metabolismo e a morte celular e a sua relevância para gerar doenças.

Leia mais: Prof. Atan Gross

Sergio Schenkman (BR) e Neta Regev Rudzki (IL)

Sergio Schenkman
Escola Paulista de Medicina/UNIFESP

Sergio Schenkman do Departamento de Microbiologia Imunobiologia e Parasitologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) trabalhará em forma conjunta com a professora Neta Regev Rudzki.

O Prof. Dr Schenkan é professor titular da Universidade Federal de São Paulo e membro da Academia Brasileira e Paulista de Ciências. Seus estudos foram importantes no entendimento da função de fatores de virulência de Trypanosoma cruzii, o causador da Doença de Chagas.

“Tanto a doença de Chagas como as Leishmaniose são causadas por protozoários que têm características similares e afetam as populações do Brasil, sendo que a Leishmaniose vem aumentando em Israel. Em ambas, o tratamento com remédios não é eficaz, não existem vacinas e o diagnóstico ainda é precário”.

Recentemente se verificou que estes parasitas liberam pequenas vesículas formadas por uma membrana lipídica que engloba diversos materiais solúveis em seu interior e que atuam promovendo a evolução das doenças. Porém, como elas são produzidas e o que elas fazem exatamente, não é conhecido.

O projeto

O projeto dos doutores Sergio Schenkman (BR) e Neta Regev Rudzki (IL) tratara de entender os mecanismos que levam à produção e liberação de vesículas por parasitas causadores da doença de Chagas e de Leishmanioses. A inibição da sua liberação, o seu uso para diagnóstico e imunização poderá beneficiar e ajudar a combater estas doenças parasitárias.

A equipe pretende observar como se comportam as parasitas quando se inativam determinados genes escolhidos por produzirem fatores importantes para a produção de vesículas.

A equipe pretende observar como se comportam as parasitas quando se inativam determinados genes escolhidos por produzirem fatores importantes para a produção de vesículas.

“No Brasil inativaremos os genes candidatos utilizando a nova tecnologia de edição gênica denominada de CRISPR/Cas9, que consiste em utilizar uma enzima que corta o DNA em uma posição específica dos genes e permite a sua remoção. O efeito das mutações será estudado, verificando capacidade infectiva dos parasitas e a caracterização destas vesículas que será feita nos laboratórios do Instituto Weizmann.”

Profa. Neta Regev Rudzki

A malária é uma importante doença global, e o laboratório dirigido pela Profa. Neta Regez Ruzki fez grandes avanços em direção à compreensão da biologia básica do parasita P. falciparum. “Nosso objetivo é explorar as vias de comunicação celular-célula entre os parasitas em si e seu hospedeiro humano.”

Leia mais: Profa. Neta Regev Rudzki

Três grupos de pesquisadores do Brasil e de Israel são selecionados no segundo edital do programa Weizmann – FAPESP


Três grupos de pesquisadores do Brasil e de Israel são selecionados no segundo edital do 
programa Weizmann – FAPESP. As colaborações também são apoiadas pelo Instituto Serrapilheira.

 

Três grupos de pesquisadores do Brasil e de Israel foram selecionados no segundo edital do programa Weizmann – FAPESP. As colaborações dos cientistas Leandro Pereira de Moura (BR)/Atan Gross (IL), Sergio Schenkman (BR)/Neta Regev Rudzki (IL) e André Menezes Strauss (BR)/ Elisabetta Boaretto (IL) também são apoiadas pelo Instituto Serrapilheira.

É o segundo edital conjunto do Instituto Weizmann de Ciências (WIS) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para apoiar a cooperação científica e tecnológica entre pesquisadores do Weizmann e pesquisadores do Estado de São Paulo. Desta vez, o Instituto Serrapilheira* soma forças para alavancar as importantes colaborações selecionadas.

“Sempre tive conhecimento das brilhantes pesquisas que o Instituto Weizmann desenvolve. Por estarem sempre publicando artigos de alto impacto, seus pesquisadores são muito renomados e respeitados por toda comunidade científica”, diz Leandro Pereira de Moura da Universidade de Campinas (UNICAMP). “Assim, quando a FAPESP lançou o edital de colaboração entre as instituições, enxerguei a oportunidade de estreitar nossas pesquisas aqui
do Estado de São Paulo com as do renomado instituto e com o nosso colaborador Israelense, Atan Gross que vem publicando em importantes jornais científicos como revistas da editora Nature e Cell. E a gente pode mostrar que o Brasil é um país que, apesar de ter problemas com o financiamento em pesquisas científicas, consegue realizar análises sofisticadas, desenvolver pesquisas de ponta e inovadoras, e possui grupos de pesquisas altamente capacitados e especializados com ideias arrojadas e impactantes”.

O Brasil é um país que apesar de ter problemas com o financiamento em pesquisas científicas consegue realizar análises sofisticadas, desenvolver pesquisas de ponta e inovadoras, e possui grupos de pesquisas altamente capacitados e especializados com ideias arrojadas e impactantes.

“Para nós esta colaboração possibilita ter acesso a metodologias pouco disponíveis ou existentes no Brasil”, destaca o Dr. Sergio Schenkman, da Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. “Também permite podermos interagir com cientistas e alto nível, enviar estudantes e pesquisadores para treinamento e trazer os pesquisadores do Weizmann para conhecer a universidade brasileira. Esta parceria também se enquadra no esforço que a nossa
Universidade vem fazendo em se internacionalizar”.

Para o Prof. Dr. André Menezes Strauss, do Museu de Arqueologia e Etnologia/ USP “ É sempre positivo consolidar relações entre grupos de excelência científica como a USP e o Weizmann. É uma oportunidade para intensificar o mútuo aprendizado.”

As colaborações abarcam três assuntos bem diversos: doença hepática gordurosa não-alcoólica e exercício físico, fatores de virulência de parasitas causadores da Doença de Chagas e Leishmanioses, e a cronologia do Período Arcaico no Brasil Central: estudo da megafauna do Pleistoceno e os esqueletos humanos e arte rupestre do Holoceno.

* O Serrapilheira contribuiu para a iniciativa a partir de uma parceria firmada com o Weizmann em 2018 e fez uma doação de US$ 140 mil com o objetivo de promover cooperações científicas entre pesquisadores brasileiros e israelenses.

Auto detecção da perda do olfato pode ajudar a detectar o novo Coronavírus

 

 

 Auto detecção da perda do olfato pode ajudar a detectar o novo Coronavírus

Junto com febre, tosse e falta de ar, muitos pacientes com COVID-19 relatam perda temporária do olfato. Nestas pessoas, a perda olfativa é significativamente maior que pessoas com um resfriado.  Em alguns países como a França, uma pessoa que afirma ter um súbita perda olfativa é diagnosticada com Coronavirus sem ser testada. Uma abordagem semelhante está sendo considerada no Reino Unido.

Em alguns países como a França, uma pessoa que afirma ter um súbita perda olfativa é diagnosticada com Coronavirus sem ser testada.

Com base nesses dados, os cientistas do Instituto Weizmann de Ciências, em colaboração com o Edith Wolfson Medical Center, desenvolveram o SmellTracker, uma plataforma online que permite o automonitoramento do olfato com o propósito de detectar sinais precoces de COVID-19 ou na ausência de outros sintomas.

O laboratório do Prof. Noam Sobel, do Departamento de Neurobiologia do Instituto Weizmann, é especializado em pesquisa olfativa. Os pesquisadores desenvolveram anteriormente um modelo matemático que caracteriza com precisão o olfato único de cada indivíduo, uma espécie de digital olfativa pessoal.

Com base neste algoritmo, o teste online sensorial SmellTracker orienta os usuários sobre como mapear seu olfato usando cinco aromas encontrados em todas as casas (especiarias, vinagre, pasta de dente, perfume, manteiga de amendoim, etc). O teste dura cerca de cinco minutos e é capaz de monitorar mudanças repentinas na percepção do olfato. Os pesquisadores relatam que a ferramenta que eles desenvolveram já identificou com sucesso possíveis casos de coronavírus, que posteriormente foram confirmados.

Além do monitoramento pessoal, à medida que coletam mais dados, os pesquisadores melhoram a capacidade de caracterizar uma digital olfativa única para a detecção precoce do COVID-19.

Oito cepas de Coronavirus

A perda olfativa não foi relatada na China, no entanto, estudos preliminares realizados em muitos países incluindo Israel e Irã, mostraram esse sintoma em cerca de 60% dos pacientes. Os cientistas estimam que existem atualmente oito cepas ativas do vírus. O laboratório de Sobel acredita que a perda olfativa pode ser um sintoma diferenciador das várias cepas. Se isso for confirmado, o SmellTracker será capaz de mapear geograficamente os diferentes surtos.

Além do SmellTracker, o laboratório de Sobel está distribuindo entre pacientes posivitos para o coronavírus, um questionário exclusivo e kits para raspar e cheirar scratch and smell  e mapear o olfato.

Lançado com o apoio do Ministério da Defesa, será promovido  oficialmente na Suécia, França e outros países. O teste do senso do olfato está atualmente disponível em inglês, hebraico e árabe, e em breve estará também em sueco, francês, japonês, espanhol, alemão e persa.

 

Leia mais: Self-Monitoring Sense of Smell May Help Detect Coronavirus

Espectro autista: avanço na compreensão das “inferências” no cérebro social

  Espectro autista:  avanço na compreensão das “inferências” no cérebro social 

 

Cientistas do Weizmann fizeram um grande avanço na compreensão do funcionamento do cérebro, o que no futuro, pode permitir encontrar maneiras de mudar o comportamento nas pessoas com o transtorno do espectro autista.

Pouco se sabe sobre como são codificadas as informações sociais no córtex pré-frontal, a parte do cérebro que utilizamos para entender as necessidades e emoções dos outros. Os pesquisadores Tal Tamir e Dana Rubi Levy (foto) do Departamento de Neurobiologia, decidiram testar a forma como os animais processam informações sociais usando o olfato. Os odores são o meio de comunicação dos camundongos, e mediante eletrodos os cientistas estudaram com precisão como os cérebros respondiam a diferentes odores.

 Primeiro descobriram que a resposta no córtex pré-frontal, era muito mais forte quando os ratos cheiravam outros ratos do que quando eram expostos a qualquer outro cheiro, como manteiga de amendoim, banana ou grama recém-cortada. Nessa área, as respostas “sociais” envolveram cerca do dobro de neurônios daqueles que respondem a alimentos ou grama. Ferramentas computacionais desenvolvidas no Weizmann permitiram descobrir configurações de redes de neurônios que codificavam odores como “vocábulos” que representam estímulos sociais ou não sociais.

Ferramentas computacionais desenvolvidas no Weizmann permitiram descobrir configurações de redes de neurônios que codificavam odores como “vocábulos” que representam estímulos sociais ou não sociais.

No estudo publicado na revista Nature Neuroscience mostraram não apenas como os neurônios no córtex pré-frontal de camundongos distinguem entre estímulos sociais e não sociais, e ainda revelaram como os cérebros de ratos “autistas” não conseguem distinguir adequadamente entre os dois.

Expostos a esses cheiros pela segunda vez, os animais foram muito rápidos para aprender que era o que. O grupo repetiu seus experimentos com camundongos geneticamente modificados para ter mutações associadas ao autismo, e os neurônios desses ratos não distinguiam entre os aromas de outros camundongos e os odores não sociais, e também não melhoraram com a exposição repetida. De fato, na comunicação entre células nervosas havia muito mais variabilidade espontânea, como se houvesse “interferência” na linha.

 Os cientistas acreditam que esses resultados podem ser relevantes para entender o transtorno e no futuro, encontrar maneiras de reduzir a “interferência na linha” e levar a mudanças comportamentais em pessoas com transtorno do espectro autista.

Leia mais: Social Life Neuron

COVID-19: Os outros números que importam

 COVID-19: Os outros números que importam

Dados numéricos revelam fatos importantes.  Os cientistas Ron Milo e Yinon Bar-On do Instituto Weizmann, juntamente com pesquisadores de Berkeley, utilizaram um método de pesquisa original para organizar o excesso de informações sobre o coronavírus em uma estrutura ordenada. Os cientistas examinaram centenas de estudos e com a experiência acumulada em  estudos anteriores, nos quais computaram o número de células no corpo humano e a distribuição de biomassa na Terra, calcularam a semelhança do genoma do novo coronavírus com os de outros vírus da mesma família.

Os cientistas publicaram também outros dados numéricos precisos sobre a ligação do vírus a vários órgãos do corpo e outros números relevantes para o desenvolvimento de vacinas ou remédios.

Uma outra parte da pesquisa, avalia a taxa de acumulação de mutações do vírus, dado que pode ser relacionado à probabilidade do vírus “contornar” as vacinas desenvolvidas contra ele. A taxa é lenta e Milo avalia – com cautela! – que isso pode indicar que drogas e vacinas desenvolvidas por cientistas serão mais duráveis.

Dois passos à frente do Coronavírus

Gush Dan é a maior área metropolitana de Israel, onde fica Tel Aviv-Yafo, a sua maior cidade. Cada cor indica a taxa média de sintomas reportados. Verde, taxa baixa e vermelho, taxa alta.

 Dois passos à frente do Coronavírus

Método pioneiro para prever a propagação do coronavírus desenvolvido no Weizmann, pode ajudar a organizar a quarentena, concentrando esforços nas áreas onde o surto é antecipado e aliviando as medidas nas outras.

Um método para monitorar, identificar e prever as zonas de disseminação do coronavírus, desenvolvido por cientistas do Instituto Weizmann de Ciências em colaboração com pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e Clalit Health Services em coordenação com o Ministério da Saúde, têm atraído considerável interesse internacional. Outros países começaram a implementar o método, que se baseia em questionários para a população e na análise dos dados obtidos.

Os questionários acompanham o desenvolvimento de sintomas causados pelo vírus e os dados são analisados por algoritmos de Big Data e Inteligência artificial. Como a disseminação viral ocorre em grupos de infecção, a identificação precoce de clusters pode facilitar ações destinadas a retardar a propagação do vírus.

O projeto piloto foi lançado em Israel há cerca de uma semana pelos Prof. Eran Segal e Prof. Benjamin Geiger do Instituto Weizmann de Ciências, e o Prof. Yuval Dor da Universidade Hebraica de Jerusalém. Cerca de 60.000 israelenses responderam o questionário até o momento. A análise preliminar dos dados levou os cientistas a identificar um aumento significativo dos sintomas relatados pelo público em áreas onde tinham passado pacientes verificados. Esse mapeamento preciso, pode permitir que as autoridades de saúde concentrem esforços em áreas nas quais se prevê um surto e disseminação do vírus – ao mesmo tempo em que permite que eles suavizem as medidas em áreas onde não se espera um surto.

“Esses questionários são a única ferramenta que pode apresentar um quadro geral do surto em todo o país. É importante ressaltar que eles não têm a intenção de substituir os esforços para aumentar o número de exames que identificam pacientes e portadores”, diz o Prof. Segal. “No entanto, devido a restrições logísticas e econômicas os testes nunca podem cobrir toda a população. Acreditamos que nosso método pode fornecer ao Ministério da Saúde uma ferramenta estratégica para combater a crise.”

Os cientistas continuaram o desenvolvimento juntamente com o Prof. Ran Balicer do Instituto de Pesquisa Clalit   e outros pesquisadores, e publicaram recentemente um artigo sobre o método no   site  MedrXiv, pedindo a outros países para implementá-lo.Muitos países, incluindo os Estados Unidos, Índia, Luxemburgo, Malásia, Espanha, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha também começaram a adotar o método do questionário. Os cientistas estão atualmente trabalhando para estabelecer um fórum global liderado pelo Prof. Segal e outros pesquisadores dos Estados Unidos, com o objetivo de compartilhar dados e idéias  e criar ferramentas de previsão e comparação em conjunto.

O questionário não diagnostica infecção por coronavírus, é anônimo e todos os dados serão utilizados apenas para  monitorar a disseminação do vírus. Os cientistas estão adotando todas as medidas para manter a privacidade e a segurança da informação dos entrevistados.

Saiba mais: Two Steps Ahead of the Coronavírus

O importante avanço para garantir o sucesso da terapia anticâncer

 O importante avanço para garantir o sucesso da terapia anticâncer 

 

Uma das frustrações dos tratamentos anticâncer é que nenhuma droga existente têm a mesma eficácia em todos os pacientes, inclusive nos que têm o mesmo tipo de câncer. Pesquisadores do Instituto Weizmann liderados pela Profa. Yardena Samuels diretora do Weizmann-Brazil Tumor Bank identificaram marcadores que podem ajudar a prever quais pacientes têm maior chance de uma resposta positiva aos tratamentos de imunoterapia. O foco de seu trabalho é o melanoma, e a descoberta em parceria com cientistas dos EUA, foi publicada na Nature Communications.

Saiba mais Predicting Immunotherapy Success 

A computação quântica está prestes a mudar o mundo

 

 A computação quântica está prestes a mudar o mundo, e três físicos que fizeram doutorado no Instituto Weizmann de Ciências estão liderando a revolução

“Em outubro de 2019, o Google anunciou que seu computador quântico havia feito um cálculo que levaria ao supercomputador mais rápido do mundo 10.000 anos, em apenas três minutos e 20 segundos. Mas o computador quântico supremo do Google não sabe fazer nada além de realizar um cálculo inútil”…. “A startup israelense Quantum Machines é a primeira empresa do mundo a construir tanto o hardware quanto o software que permitirá o uso de computadores quânticos” – escreveu o jornalista Oded Carmeli após entrevistar os doutores Nissim Ofek, 46; Yonatan Cohen, 36 e Itamar Sivan, 32 que estão desenvolvendo os instrumentos de controle que domarão o monstro quântico.

“Dez anos atrás, quando fiz um curso de computação quântica, era considerado ficção científica”, relata o Dr. Sivan CEO da Quantum Machines. “Os especialistas disseram que isso não aconteceria em nossa vida ou nunca aconteceria. Como físico, a computação quântica é um sonho realizado.”

Leia a história publicada no Haaretz na integra: Haaretz

 

 

 

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