Júpiter Revelado: Cientistas Israelenses Unem Forças sob a Nebulosa do Maior Planeta do nosso Sistema Solar

Os Drs. Yohai Kaspi (esq) e Eli Galanti (dir) lideram um dos principais experimentos da missão espacial Juno da NASA

Mais de 400 anos depois que Galileu voltou seu telescópio em direção ao planeta Júpiter, as nuvens e a névoa que cobrem esse gigante do Sistema Solar começam a se dispersar. Desde 1973, pelo menos seis naves espaciais passaram por Júpiter. Mas a sonda Juno, lançada em 2011 e orbitando em torno do planeta desde Julho de 2016, é o primeiro equipamento com sistemas capazes de revelar os segredos da estrutura interna de Júpiter, para além das espessas nuvens do planeta. Dois cientistas do Instituto Weizmann de Ciências, o Dr. Yohai Kaspi do Departamento de Ciências Geológicas e Planetárias e seu parceiro de pesquisas, Dr. Eli Galanti, fazem parte da equipe Juno, que conta com 40 cientistas de todo o mudo. Kaspi e Galanti estão liderando um dos principais experimentos da missão espacial, cujo objetivo é descobrir a profundidade das fortes correntes atmosféricas características do planeta, bem como de compreender a estrutura do seu campo gravitacional. As constatações iniciais da Juno foram publicadas recentemente na revista Science, com base em 44 artigos científicos que exploram o planeta detalhadamente e que foram publicados simultaneamente na Geophysical Research Letters. Kaspi explica: “Esses artigos relacionam os resultados preliminares. Foi importante para nós, em primeiro lugar, relatar que chegamos a Júpiter e que todos os sistemas estão operando corretamente – e estas são nossas primeiras e surpreendentes leituras.”

Na mitologia romana, Juno era a esposa e irmã do deus Júpiter. Quando Júpiter queria ocultar algo dela, ele se envolvia em uma nuvem protetora, mas Juno lançava um profundo olhar, dissipando seu disfarce. Da mesma forma, logo depois que a sonda Juno começou a orbitar em torno de Júpiter, o planeta, quase totalmente composto de gases, começou a revelar seus segredos. As principais constatações até o momento, incluem ciclones nos polos do planeta, que se expandem por milhares de milhas, um campo magnético consideravelmente mais potente do que o esperado, e um cinturão de amônia que circunda a linha do equador do planeta. Outra constatação significativa está relacionada a uma questão que dividiu as opiniões dos cientistas: O planeta tem um núcleo sólido ou não tem núcleo algum? Os dados obtidos até o momento comprovam que ambos estão equivocados: Júpiter tem um núcleo, sim – maior até do que se supunha – porém, este não parece ser sólido.

Sem levar em conta os sucessos, a complexa missão espacial não foi isenta de complicações. Juno deveria orbitar em torno do planeta por 14 dias, mas, devido a um problema no sistema de propulsão, a rota se estendeu, prolongando a jornada para 53,5 dias. No entanto, Juno ainda orbitava o planeta – conforme o planejado – em uma rota elíptica que permitiu a cobertura de 4.000 quilômetros acima dos picos nebulosos do planeta – aproximando-se mais de Júpiter do que qualquer outra espaço- nave já havia conseguido. Apesar do problema de funcionamento e do fato de que a nave agora teria de continuar em órbita em torno de Júpiter por três anos adicionais, os cientistas do Instituto Weizmann admitem que o tempo adicional em órbita permitiu uma “folga extra” e uma oportunidade de planejar melhor os experimentos. Até mesmo os ângulos de medição foram melhorados: “Nosso experimento” – explica Kaspi – “utiliza as mudanças no campo gravitacional de Júpiter para medir a movimentação
de gases no planeta. As medições são conduzidas por meio da alternância de ondas de rádio Doppler, transmitidas pela sonda; a alteração da órbita por força do problema de funcionamento nos permitiu fazer medições mais precisas.”

Em uma entrevista coletiva da NASA para relatar as descobertas iniciais, o pesquisador responsável pela missão Juno, Scott Bolton, disse: “Estamos percebendo que muitas de nossas ideias estavam incorretas e que até talvez fossem ingênuas.” Essa declaração virou manchete em todo o mundo, mas Galanti acredita que não tenha sido inteiramente compreendida: “Quando Bolton disse que fomos ingênuos, ele quis dizer que, de diversas formas, nossas expectativas eram de encontrar uma realidade muito mais simples do que a que encontramos no final das contas. Por exemplo, em relação ao campo magnético, esperávamos encontrar um campo homogêneo, e não um campo que se altera drasticamente de um ponto a outro, como o que encontra- mos. Embora essa descoberta ‘torne as coisas mais complicadas,’ isto não chega a puxar o tapete sob nossos pés. Ao contrário, permite-nos aguçar os modelos existentes.

A pesquisa do Dr. Yohai Kaspi tem o apoio do Instituto André Deloro para a Pesquisa Espacial e Óptica.

 

Science Tips

Baixe o PDF aqui.