{"id":5398,"date":"2017-10-31T10:10:34","date_gmt":"2017-10-31T10:10:34","guid":{"rendered":"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/?p=5398"},"modified":"2017-10-31T10:29:40","modified_gmt":"2017-10-31T10:29:40","slug":"como-as-bacterias-dificultam-a-quimioterapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/como-as-bacterias-dificultam-a-quimioterapia\/","title":{"rendered":"Como as Bact\u00e9rias Dificultam a Quimioterapia"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-4217\" src=\"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/miniflag-israel.jpg\" alt=\"\" width=\"27\" height=\"15\" srcset=\"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/miniflag-israel.jpg 27w, https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/miniflag-israel-768x426.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 27px) 100vw, 27px\" \/> Cientistas descobrem bact\u00e9rias em tumores pancre\u00e1ticos que metabolizam uma droga comum<\/strong><\/p>\n<p>Agora podemos acrescentar mais um motivo \u00e0s diversas raz\u00f5es pelas quais a quimioterapia muitas vezes n\u00e3o d\u00e1 resultado. Em um estudo publicado hoje na revista Science, pesquisadores descrevem achados de que determinadas bact\u00e9rias podem ser encontradas no interior de tumores pancre\u00e1ticos em seres humanos. Para al\u00e9m disso, algumas dessas bact\u00e9rias cont\u00eam uma enzima que torna in\u00f3cua uma droga comum utilizada para tratar diversos tipos de c\u00e2ncer, inclusive o c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas. Trabalhando com modelos de c\u00e2ncer em camundongos de laborat\u00f3rio, os cientistas demonstraram como o tratamento com antibi\u00f3ticos combinado com a quimioterapia pode ser significativamente superior ao tratamento somente com a quimioterapia.<\/p>\n<p>A pesquisa foi conduzida no laborat\u00f3rio do Dr. Ravid Straussman, do Departamento de Biologia Celular Molecular do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias, liderado pela aluna de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Leore Geller, e conduzida em colabora\u00e7\u00e3o com o Dr. Todd Golub e o Dra. Michal Barzily-Rokini, do Instituto Broad do Massachusetts Institute of Technology. Diversos outros colaboradores prestaram suporte a diferentes aspectos do estudo.<\/p>\n<p>\u201cAs bact\u00e9rias descobertas pelo grupo\u201d \u2013 explica Straussman \u2013 \u201cvivem no interior dos tumores e at\u00e9 mesmo no interior das c\u00e9lulas desses tumores. Como o tema \u00e9 uma novidade no setor, utilizamos inicialmente m\u00e9todos diferentes para comprovar que havia de fato bact\u00e9rias no interior dos tumores. S\u00f3 ent\u00e3o decidimos observar os efeitos que essas bact\u00e9rias causariam na quimioterapia.\u201d<\/p>\n<p>Os pesquisadores isolaram as bact\u00e9rias de tumores de pacientes com c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas e testaram sua influ\u00eancia na sensibilidade das c\u00e9lulas de c\u00e2ncer pancre\u00e1tico \u00e0 gencitabina, a droga da quimioterapia. Na verdade, algumas das bact\u00e9rias inibiam os efeitos da droga. Investiga\u00e7\u00f5es adicionais mostraram que essas bact\u00e9rias metabolizam a droga, tornando-a ineficaz. Os pesquisadores conseguiram encontrar o gene respons\u00e1vel por essa metaboliza\u00e7\u00e3o nas bact\u00e9rias, o gene conhecido como Citidina deaminase (CDD). Os cientistas demonstraram que o CDD se manifesta de duas formas: uma longa e uma curta. Somente bact\u00e9rias com o gene CDD do tipo longo s\u00e3o capazes de inutilizar a gencitabina. A droga n\u00e3o exerce efeitos vis\u00edveis nas bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>O grupo analisou mais de 100 tumores pancre\u00e1ticos humanos para comprovar que essas bact\u00e9rias em particular tinham o CDD longo atuando nos tumores pancre\u00e1ticos dos pacientes. Eles tamb\u00e9m utilizaram v\u00e1rios m\u00e9todos para visualizar as bact\u00e9rias no interior dos tumores pancre\u00e1ticos em seres humanos. Trata-se de uma medida cr\u00edtica, uma vez que a contamina\u00e7\u00e3o por bact\u00e9rias \u00e9 um problema real nos estudos laboratoriais.<\/p>\n<p>Por mais estranho que pare\u00e7a, foi uma incid\u00eancia anterior da contamina\u00e7\u00e3o bacteriana que levou Straussman e sua equipe ao presente estudo. O grupo estava em busca de evid\u00eancias de que c\u00e9lulas normais no ambiente canceroso contribuem para a resist\u00eancia contra a quimioterapia. N\u00e3o obstante aos ensaios com os efeitos de diversas c\u00e9lulas humanas normais e n\u00e3o cancerosas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sensibilidade das c\u00e9lulas cancerosas \u00e0 quimioterapia, os cientistas descobriram uma amostra espec\u00edfica de c\u00e9lulas cut\u00e2neas humanas que tornavam as c\u00e9lulas cancerosas do p\u00e2ncreas resistentes \u00e0 gencitabina. Ao rastrear a causa, a equipe descobriu acidentalmente as bact\u00e9rias que contaminaram as citadas c\u00e9lulas cut\u00e2neas. \u201cQuase jogamos a amostra fora\u201d \u2013 disse Straussman \u2013 \u201cmas finalmente, decidimos acompanhar sua evolu\u00e7\u00e3o.\u201d Depois de revelar como essas bact\u00e9rias degradavam a droga, a equipe come\u00e7ou a especular sobre outras bact\u00e9rias com mecanismos semelhantes para anular os efeitos da droga, e se essas bact\u00e9rias seriam encontradas no organismo humano.<\/p>\n<p>No presente estudo, experimentos adicionais em camundongos de laborat\u00f3rios com c\u00e2ncer foram realizados com dois grupos de bact\u00e9rias: as que continham o CDD do tipo longo e as que haviam suprimido esses genes. Somente o grupo com o gene CDD intacto demonstrou resist\u00eancia quando a droga era dada aos camundongos. Ap\u00f3s o tratamento com antibi\u00f3ticos, esse grupo tamb\u00e9m reagiu \u00e0 droga da quimioterapia.<\/p>\n<p>Diversas perguntas ainda est\u00e3o em aberto e Straussman e seu grupo est\u00e3o agora estudando a presen\u00e7a dessas bact\u00e9rias em outros tipos de c\u00e2ncer que, caso existam,levantam quest\u00f5es sobre quais seriam os efeitos que essas bact\u00e9rias teriam sobre o c\u00e2ncer e sua sensibilidade a outras drogas de combate ao c\u00e2ncer, incluindo a nova fam\u00edlia de drogas antic\u00e2ncer imunomediadas.<\/p>\n<p><em>A pesquisa do Dr. Ravid Straussman tem o apoio do Fundo Dr. Dvora and Haim Teitelbaum; do fundo de doa\u00e7\u00f5es Hymen T. Milgrom Trust; da funda\u00e7\u00e3o Rising Tide; e do Sr. e Sra. Andrew R. Morse. O Dr. Straussman ocupa a cadeira de Roel C. Buck no setor de Desenvolvimento de Carreiras.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas descobrem bact\u00e9rias em tumores pancre\u00e1ticos que metabolizam uma droga comum Agora podemos acrescentar mais um motivo \u00e0s diversas raz\u00f5es pelas quais a quimioterapia muitas vezes n\u00e3o d\u00e1 resultado. Em um estudo publicado hoje na revista Science, pesquisadores descrevem achados de que determinadas bact\u00e9rias podem ser encontradas no interior de tumores pancre\u00e1ticos em seres humanos. Para al\u00e9m disso, algumas dessas bact\u00e9rias cont\u00eam uma enzima que torna in\u00f3cua uma droga comum utilizada para tratar diversos tipos de c\u00e2ncer, inclusive o c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas. Trabalhando com modelos de c\u00e2ncer em camundongos de laborat\u00f3rio, os cientistas demonstraram como o tratamento com antibi\u00f3ticos combinado com a quimioterapia pode ser significativamente superior ao tratamento somente com a quimioterapia. A pesquisa foi conduzida no laborat\u00f3rio do Dr. Ravid Straussman, do Departamento de Biologia Celular Molecular do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias, liderado pela aluna de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Leore Geller, e conduzida em colabora\u00e7\u00e3o com o Dr. Todd Golub e o Dra. Michal Barzily-Rokini, do Instituto Broad do Massachusetts Institute of Technology. Diversos outros colaboradores prestaram suporte a diferentes aspectos do estudo. \u201cAs bact\u00e9rias descobertas pelo grupo\u201d \u2013 explica Straussman \u2013 \u201cvivem no interior dos tumores e at\u00e9 mesmo no interior das c\u00e9lulas desses tumores. Como o tema \u00e9 uma novidade no setor, utilizamos inicialmente m\u00e9todos diferentes para comprovar que havia de fato bact\u00e9rias no interior dos tumores. 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