{"id":5472,"date":"2017-11-21T16:50:56","date_gmt":"2017-11-21T16:50:56","guid":{"rendered":"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/?p=5472"},"modified":"2017-11-21T16:54:14","modified_gmt":"2017-11-21T16:54:14","slug":"reciclagem-genomica-genes-ancestrais-assumem-novas-funcoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/reciclagem-genomica-genes-ancestrais-assumem-novas-funcoes\/","title":{"rendered":"Science Tips 96 &#8211; Reciclagem Gen\u00f4mica: Genes Ancestrais assumem novas fun\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Reciclagem Gen\u00f4mica: Genes Ancestrais assumem novas fun\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n<p>Muitas vezes ouvimos falar sobre a grande variedade de genes que temos em comum com outros primatas ou outros seres vivos, mas essas compara\u00e7\u00f5es costumam ser um tanto err\u00f4neas. \u201cSeres humanos e peixes, por exemplo, compartilham mais de 70% dos genes codificadores de prote\u00ednas, mas somente cerca de 0,5% de uma importante classe de genes reguladores \u2013 aqueles que geram os chamados RNAs longos n\u00e3o codificadores, ou lncRNAs\u201d \u2013 relata o Dr. Igor Ulitsky, do Departamento de Regula\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias.<\/p>\n<p>Os lncRNAs (link-RNAs) at\u00e9 recentemente recebiam pouca aten\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de haver cerca de 20.000 genes lncRNA no genoma humano \u2013 aproximadamente o mesmo n\u00famero de genes codificadores de prote\u00ednas \u2013 os lncRNAs recentemente revelaram que funcionam como chaves gerais para uma s\u00e9rie de processos biol\u00f3gicos, ativando e desativando genes reguladores, e controlando o destino de c\u00e9lulas durante o desenvolvimento fetal, assim como a divis\u00e3o celular e a morte de organismos adultos.<\/p>\n<p>Em um estudo recente publicado na revista Genome Biology, Ulitsky e sua equipe \u2013 os estudantes de pesquisa Hadas Hezroni, Gali Housman e Zohar Meir, e os Drs. Rotem Ben-Tov Perry e Yoav Lubelsky \u2013 conseguiram identificar uma classe de lncRNAs de mam\u00edferos que evoluiu de genes antigos, assumindo novas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os cientistas come\u00e7aram considerando que a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo econ\u00f4mico: Se um gene perder sua fun\u00e7\u00e3o, ele pode muito bem ser \u201creciclado\u201d para finalidades diferentes no \u00e2mbito da c\u00e9lula. Os membros da equipe desenvolveram uma s\u00e9rie de algoritmos que permitiram encontrar esses genes \u201creciclados\u201d no genoma dos mam\u00edferos. Primeiramente, eles identificaram quase 1.000 genes que codificam prote\u00ednas em galinhas, peixes, lagartos e outros vertebrados n\u00e3o mam\u00edferos, mas n\u00e3o em seres humanos, c\u00e3es, ovelhas e outros mam\u00edferos. Os cientistas formularam a hip\u00f3tese de que pelo menos alguns desses genes, depois de perderem sua fun\u00e7\u00e3o de codifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, iniciaram a gera\u00e7\u00e3o de lncRNAs em mam\u00edferos. Ao comparar as \u201cvizinhan\u00e7as dos genes\u201d nas proximidades dos lncRNAs e dos genes que haviam interrompido a codifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, os pesquisadores revelaram que, na verdade, mais de 60 genes lncRNA nos mam\u00edferos \u2013 ou 2% a 3% dos lncRNAs compartilhados por seres humanos e outros mam\u00edferos \u2013 pareciam derivar de genes ancestrais. A sequ\u00eancia gen\u00e9tica de alguns deles era semelhante \u00e0 dos genes antigos, mas haviam perdido a capacidade de codificar prote\u00ednas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil descobrir o que fez com que esses genes perdessem seu potencial de codifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas h\u00e1 mais de 200 milh\u00f5es de anos, quando os mam\u00edferos evolu\u00edram de seus ancestrais vertebrados\u201d \u2013 afirmou Ulitsky. \u201cMas o fato de que esses genes foram conservados no genoma por tanto tempo sugere que eles t\u00eam um papel importante na c\u00e9lula.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_5473\" style=\"width: 536px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5473\" class=\"size-full wp-image-5473\" src=\"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/ScienceTips96-fig03.jpg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/ScienceTips96-fig03.jpg 526w, https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/ScienceTips96-fig03-768x627.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><p id=\"caption-attachment-5473\" class=\"wp-caption-text\">Seres humanos e peixes compartilham mais de 70% dos genes de codifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas,<br \/>mas somente cerca de 0,5% dos genes RNAs reguladores longos n\u00e3o codificadores (lncRNAs)<\/p><\/div>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o desses \u201cf\u00f3sseis\u201d de genes codificadores de prote\u00ednas no genoma dos mam\u00edferos ir\u00e1 facilitar estudos adicionais sobre os lncRNAs humanos, e pode ajudar os cientistas, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a compreenderem o que acontece quando sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 alterada. Por exemplo, os lncRNAs ajudam a criar diferentes tipos de neur\u00f4nios no c\u00e9rebro dos fetos; se falharem ao determinar corretamente a destino desses neur\u00f4nios, isto poder\u00e1 contribuir para a incid\u00eancia de epilepsia. Como os lncRNAs est\u00e3o envolvidos no controle da divis\u00e3o celular, o mau funcionamento desses genes pode estar implicado na incid\u00eancia do c\u00e2ncer. Finalmente, a manipula\u00e7\u00e3o dos lncRNAs pode possibilitar o tratamento de determinados dist\u00farbios gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Ulitsky explica: \u201cNos \u00faltimos anos, descobriu-se que os lncRNAs s\u00e3o fatores importantes na ativa\u00e7\u00e3o ou repress\u00e3o de genes relevantes para uma s\u00e9rie de dist\u00farbios. Um dia, pode ser poss\u00edvel tratar esses dist\u00farbios focando-se nos lncRNAs de forma a reprogramar as redes de genes reguladores inteiramente. Por exemplo, em um estudo com camundongos, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Baylor, em Houston, Texas, advertiram sobre a progress\u00e3o da s\u00edndrome de Angelman, causada por muta\u00e7\u00f5es no cromossoma 15 \u2013 silenciando um lncRNA espec\u00edfico para desencadear a express\u00e3o de um gene por ele reprimido.\u201d<\/p>\n<p><em>A pesquisa do Dr. Igor Ulitsky tem o<\/em> <em>apoio do Centro para Jovens Cientistas<\/em> <em>da Fam\u00edlia Abramson; da Rising Tide;<\/em> <em>e do Sr. e Sra. Gary Leff. O Dr. Ulitsky<\/em> <em>ocupa a cadeira de desenvolvimento de<\/em> <em>carreiras em bioinform\u00e1tica Sygnet.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong> <a href=\"https:\/\/genomebiology.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s13059-017-1293-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A subset of conserved mammalian long non-coding RNAs are fossils of ancestral protein-coding genes<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_cta h2=&#8221;Science Tips 96&#8243;]<\/p>\n<p>&lt;img class=&#8221; wp-image-5416&#8243; src=&#8221;http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/ScienceTips96-capa.jpg&#8221; alt=&#8221;&#8221; width=&#8221;193&#8243; height=&#8221;281&#8243; \/&gt; Science Tips 96<\/p>\n<p>&lt;a href=&#8221;http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/ScienceTips96-Port.pdf&#8221;&gt;Baixe o PDF aqui.&lt;\/a&gt;[\/vc_cta][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Reciclagem Gen\u00f4mica: Genes Ancestrais assumem novas fun\u00e7\u00f5es Muitas vezes ouvimos falar sobre a grande variedade de genes que temos em comum com outros primatas ou outros seres vivos, mas essas compara\u00e7\u00f5es costumam ser um tanto err\u00f4neas. \u201cSeres humanos e peixes, por exemplo, compartilham mais de 70% dos genes codificadores de prote\u00ednas, mas somente cerca de 0,5% de uma importante classe de genes reguladores \u2013 aqueles que geram os chamados RNAs longos n\u00e3o codificadores, ou lncRNAs\u201d \u2013 relata o Dr. Igor Ulitsky, do Departamento de Regula\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias. Os lncRNAs (link-RNAs) at\u00e9 recentemente recebiam pouca aten\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de haver cerca de 20.000 genes lncRNA no genoma humano \u2013 aproximadamente o mesmo n\u00famero de genes codificadores de prote\u00ednas \u2013 os lncRNAs recentemente revelaram que funcionam como chaves gerais para uma s\u00e9rie de processos biol\u00f3gicos, ativando e desativando genes reguladores, e controlando o destino de c\u00e9lulas durante o desenvolvimento fetal, assim como a divis\u00e3o celular e a morte de organismos adultos. Em um estudo recente publicado na revista Genome Biology, Ulitsky e sua equipe \u2013 os estudantes de pesquisa Hadas Hezroni, Gali Housman e Zohar Meir, e os Drs. Rotem Ben-Tov Perry e Yoav Lubelsky \u2013 conseguiram identificar uma classe de lncRNAs de mam\u00edferos que evoluiu de genes antigos, assumindo novas fun\u00e7\u00f5es. Os cientistas come\u00e7aram considerando que a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo econ\u00f4mico: Se um gene perder sua fun\u00e7\u00e3o, ele pode muito bem ser \u201creciclado\u201d para finalidades diferentes no \u00e2mbito da c\u00e9lula. Os membros da equipe desenvolveram uma s\u00e9rie de algoritmos que permitiram encontrar esses genes \u201creciclados\u201d no genoma dos mam\u00edferos. Primeiramente, eles identificaram quase 1.000 genes que codificam prote\u00ednas em galinhas, peixes, lagartos e outros vertebrados n\u00e3o mam\u00edferos, mas n\u00e3o em seres humanos, c\u00e3es, ovelhas e outros mam\u00edferos. Os cientistas formularam a hip\u00f3tese de que pelo menos alguns desses genes, depois de perderem sua fun\u00e7\u00e3o de codifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, iniciaram a gera\u00e7\u00e3o de lncRNAs em mam\u00edferos. 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