{"id":5515,"date":"2017-12-04T02:27:30","date_gmt":"2017-12-04T02:27:30","guid":{"rendered":"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/?p=5515"},"modified":"2017-12-04T02:30:45","modified_gmt":"2017-12-04T02:30:45","slug":"colapsos-de-estrelas-de-neutrons-observados-pela-primeira-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/colapsos-de-estrelas-de-neutrons-observados-pela-primeira-vez\/","title":{"rendered":"Colapsos de Estrelas de N\u00eautrons observados pela primeira vez"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">Cientistas do Instituto Weizmann ajudam a confirmar e analisar a fus\u00e3o de estrelas<\/h3>\n<p>Uma equipe internacional de pesquisa, da qual fazem parte f\u00edsicos do Instituto<br \/>\nWeizmann de Ci\u00eancias, conseguiu pela primeira vez observar uma fus\u00e3o de duas<br \/>\nestrelas de n\u00eautrons em colis\u00e3o. A fus\u00e3o foi captada simultaneamente por tr\u00eas detectores<br \/>\nconstru\u00eddos para este fim: os dois detectores que pertencem ao Observat\u00f3rio de Ondas<br \/>\nGravitacionais por Interfer\u00f4metro a Laser (Laser Interferometer Gravitational-Wave<br \/>\nObservatory &#8211; LIGO), nos Estados Unidos, e o detector Virgo, na It\u00e1lia. Essa observa\u00e7\u00e3o pode ajudar a determinar como elementos pesados como ur\u00e2nio, iodo e ouro<br \/>\nse formaram bem como a fortalecer nossa compreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a alguns dos eventos<br \/>\nmais violentos na hist\u00f3ria do universo.<br \/>\nA fus\u00e3o foi observada no dia 17 de Agosto e anunciada ao p\u00fablico no dia 16 de<br \/>\nOutubro. A an\u00e1lise das observa\u00e7\u00f5es est\u00e1 sendo publicada em uma s\u00e9rie de peri\u00f3dicos<br \/>\ncient\u00edficos, inclusive nas revistas The Astrophysical Journal, Nature e Sience.<br \/>\nH\u00e1 dois anos, em Setembro de 2015, o detector do LIGO j\u00e1 havia gerado uma<br \/>\nperspectiva sensacional: Ele permitiu que os cientistas observassem as ondas<br \/>\ngravitacionais pela primeira vez na hist\u00f3ria. Essas ondas, previstas por Albert Einstein<br \/>\ncem anos antes, vieram de uma colis\u00e3o entre dois buracos negros imensos e levaram 1,3<br \/>\nbilh\u00f5es de anos para chegarem \u00e0 Terra. No despertar da descoberta, o Pr\u00eamio Nobel de<br \/>\nF\u00edsica de 2017 foi concedido no in\u00edcio do m\u00eas \u201cpelas contribui\u00e7\u00f5es decisivas para o<br \/>\ndetector LIGO e para a observa\u00e7\u00e3o das ondas gravitacionais.&#8221;<br \/>\nA rec\u00e9m-detectada colis\u00e3o e fus\u00e3o de duas estrelas de n\u00eautrons ocorreu em uma data<br \/>\nrelativamente \u201crecente\u201d: A radia\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o levou \u201capenas\u201d cerca de 100 milh\u00f5es de<br \/>\nanos para chegar \u00e0 Terra. Mas o mais importante \u00e9 que ela forneceu aos cientistas mais<br \/>\ninforma\u00e7\u00f5es do que a colis\u00e3o dos buracos negros. \u201cQuando buracos negros colidem, a<br \/>\n\u00fanica coisa que podemos detectar s\u00e3o ondas gravitacionais; tudo o mais \u00e9 engolido pelo<br \/>\nfen\u00f4meno\u201d \u2013 disse o Prof. Avishay Gal-Yam do Departamento de Astrof\u00edsica e F\u00edsica<br \/>\nde Part\u00edculas do Instituto Weizmann. \u201cNo entanto, as estrelas de n\u00eautrons s\u00e3o<br \/>\nrelativamente mais leves do que os buracos negros, de forma que, ao colidirem e se<br \/>\nfundirem, uma pequena parcela de sua massa e de sua radia\u00e7\u00e3o escapa e pode ser<br \/>\ndetectada em conjunto com as ondas gravitacionais.\u201d<br \/>\nAo contr\u00e1rio dessas ondas, que s\u00e3o captadas pelos detectores por uma fra\u00e7\u00e3o \u00ednfima de<br \/>\num segundo, o restante da radia\u00e7\u00e3o da colis\u00e3o das estrelas de n\u00eautrons permanecem<br \/>\ndetect\u00e1veis por v\u00e1rios dias. Esse fator se apresentou nas formas mais convencionais,<br \/>\ninclusive por meio raios X, gama, ultravioleta e infravermelhos, assim como por meio<br \/>\nde luz vis\u00edvel. \u201cIn\u00fameros telesc\u00f3pios haviam captado essa radia\u00e7\u00e3o como um novo ponto no c\u00e9u, mas a princ\u00edpio, n\u00e3o t\u00ednhamos certeza de que esse ponto seria uma colis\u00e3o<br \/>\nde estrelas captada pelo LIGO e pelo Virgo\u201d \u2013 afirmou o Prof. Eran Ofek, tamb\u00e9m do<br \/>\nDepartamento de Astrof\u00edsica e F\u00edsica de Part\u00edculas do Instituto Weizmann.<\/p>\n<p>Cientistas em todo o mundo, inclusive da equipe do Prof. Ofek no Instituto Weizmann,<br \/>\nanalisaram os dados da colis\u00e3o, confirmando, em \u00faltima inst\u00e2ncia, que o ponto era, na<br \/>\nverdade, uma assinatura \u00f3ptica \u2013 ou seja, um evento \u00f3ptico observ\u00e1vel \u2013 da fus\u00e3o de<br \/>\nestrelas de n\u00eautrons, captada pelos detectores. Em particular, Ofek e outros cientistas<br \/>\ndemonstraram que tudo indicava que a radia\u00e7\u00e3o seria proveniente de uma fus\u00e3o de<br \/>\nestrelas de n\u00eautrons. O pesquisadores determinaram que a mat\u00e9ria emitida atingiu um<br \/>\nvolume equivalente a um cent\u00e9simo da massa do sol, e que essa mat\u00e9ria se deslocou \u00e0<br \/>\nvelocidade de um quarto da velocidade da luz. \u201cFoi a primeira vez que uma massa de<br \/>\ntal dimens\u00e3o foi vista se deslocando a uma velocidade t\u00e3o grande\u201d \u2013 disse Ofek.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise espectrosc\u00f3pica da radia\u00e7\u00e3o, realizada por Gal-Yam e outros cientistas,<br \/>\nforneceu provas de que a fus\u00e3o resultou na forma\u00e7\u00e3o de elementos pesados. Os<br \/>\npesquisadores t\u00eam uma ideia relativamente boa de como os elementos leves se<br \/>\nformaram, mas a origem dos elementos pesados \u00e9 um mist\u00e9rio de longa data. Uma<br \/>\nteoria sugeria que uma fonte plaus\u00edvel desses elementos seriam as fus\u00f5es de estrelas de<br \/>\nn\u00eautrons: Essas estrelas cont\u00eam tantos n\u00eautrons condensados que a colis\u00e3o da estrela,<br \/>\ncausando um bombardeamento r\u00e1pido desses n\u00eautrons uns contra os outros, poderia<br \/>\ngerar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de n\u00facleos ricos em n\u00eautrons, caracter\u00edsticos dos<br \/>\nelementos pesados. \u201cEssa previs\u00e3o te\u00f3rica havia sido feita h\u00e1 pelo menos meio s\u00e9culo,<br \/>\nmas agora finalmente temos provas de que pode estar realmente certa\u201d \u2013 afirmou Gal-<br \/>\nYam. \u201cTodo os elemento na natureza emite e absorve luz de uma parte diferente do<br \/>\nespectro, e \u00e9 assim que podemos dizer que elementos emitiram a radia\u00e7\u00e3o detectada.\u201d<\/p>\n<p>Entre os elementos pesados identificados pelos cientistas, havia alguns ex\u00f3ticos, como o<br \/>\ntel\u00fario, mas tamb\u00e9m outros mais comuns, como o c\u00e9sio e o iodo. \u201cNossas constata\u00e7\u00f5es<br \/>\nsugerem, entre outras coisas, que todos os \u00e1tomos de iodo na Terra, incluindo o iodo<br \/>\nque colocamos em nossas feridas, vieram de um passado distante, da fus\u00e3o de estrelas<br \/>\nde n\u00eautrons\u201d \u2013 disse Gal-Yam. Ele acrescentou que elementos extremamente pesados,<br \/>\ncomo o ouro e o ur\u00e2nio, foram igualmente criados em fus\u00f5es de estrelas de n\u00eautrons,<br \/>\nmas por motivos ainda n\u00e3o compreendidos, n\u00e3o foram identificados na fus\u00e3o captada.<\/p>\n<p>Ofek e Gal-Yam fazem parte de diversas iniciativas de colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que<br \/>\nanalisam dados de fus\u00f5es de estrelas de n\u00eautrons. An\u00e1lises adicionais dos dados<br \/>\nprometem esclarecer mais sobre as origens dos elementos pesados e fornecer respostas a<br \/>\noutras quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza da gravidade e as mortes<br \/>\nexplosivas de estrelas.<\/p>\n<p><i>A pesquisa do Prof. Avishay Gal-Yam tem o apoio do Fundo Beneficente Benoziyo para o Avan\u00e7o da Ci\u00eancia; do Centro de Pesquisa B\u00e1sica Yeda-Sela; do\u00a0Instituto Deloro de Pesquisa Espacial e \u00d3ptica Avan\u00e7adas; e\u00a0de Paul e Tina Gardner. O Prof. Gal-Yam foi o vencedor do pr\u00eamio Helen and Martin Kimmel de Inova\u00e7\u00e3o em Pesquisas.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas do Instituto Weizmann ajudam a confirmar e analisar a fus\u00e3o de estrelas Uma equipe internacional de pesquisa, da qual fazem parte f\u00edsicos do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias, conseguiu pela primeira vez observar uma fus\u00e3o de duas estrelas de n\u00eautrons em colis\u00e3o. A fus\u00e3o foi captada simultaneamente por tr\u00eas detectores constru\u00eddos para este fim: os dois detectores que pertencem ao Observat\u00f3rio de Ondas Gravitacionais por Interfer\u00f4metro a Laser (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory &#8211; LIGO), nos Estados Unidos, e o detector Virgo, na It\u00e1lia. Essa observa\u00e7\u00e3o pode ajudar a determinar como elementos pesados como ur\u00e2nio, iodo e ouro se formaram bem como a fortalecer nossa compreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a alguns dos eventos mais violentos na hist\u00f3ria do universo. A fus\u00e3o foi observada no dia 17 de Agosto e anunciada ao p\u00fablico no dia 16 de Outubro. A an\u00e1lise das observa\u00e7\u00f5es est\u00e1 sendo publicada em uma s\u00e9rie de peri\u00f3dicos cient\u00edficos, inclusive nas revistas The Astrophysical Journal, Nature e Sience. H\u00e1 dois anos, em Setembro de 2015, o detector do LIGO j\u00e1 havia gerado uma perspectiva sensacional: Ele permitiu que os cientistas observassem as ondas gravitacionais pela primeira vez na hist\u00f3ria. Essas ondas, previstas por Albert Einstein cem anos antes, vieram de uma colis\u00e3o entre dois buracos negros imensos e levaram 1,3 bilh\u00f5es de anos para chegarem \u00e0 Terra. No despertar da descoberta, o Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica de 2017 foi concedido no in\u00edcio do m\u00eas \u201cpelas contribui\u00e7\u00f5es decisivas para o detector LIGO e para a observa\u00e7\u00e3o das ondas gravitacionais.&#8221; A rec\u00e9m-detectada colis\u00e3o e fus\u00e3o de duas estrelas de n\u00eautrons ocorreu em uma data relativamente \u201crecente\u201d: A radia\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o levou \u201capenas\u201d cerca de 100 milh\u00f5es de anos para chegar \u00e0 Terra. 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