{"id":6253,"date":"2018-08-08T04:25:27","date_gmt":"2018-08-08T04:25:27","guid":{"rendered":"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/?p=6253"},"modified":"2018-08-08T04:27:25","modified_gmt":"2018-08-08T04:27:25","slug":"science-tips-98-mudanca-de-posicao-a-traicao-de-um-gene-anti-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/science-tips-98-mudanca-de-posicao-a-traicao-de-um-gene-anti-cancer\/","title":{"rendered":"Science Tips 98 &#8211; Mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o: a trai\u00e7\u00e3o de um gene anti-c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o: a trai\u00e7\u00e3o de um gene anti-c\u00e2ncer<\/strong><\/h3>\n<p>Habitualmente, os generais de um ex\u00e9rcito n\u00e3o mudam de lado a meio de uma guerra, mas quando o c\u00e2ncer est\u00e1 sendo atacado, isso pode fazer com que um gene que atua como principal defensor do corpo se filie \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o. Conforme recente- mente relatado em Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), investigadores do Instituto Weizmann de Ci\u00eancia descobriram que a trai\u00e7\u00e3o desse gene pode ocorrer de mais maneiras do que as consideradas anteriormente.<\/p>\n<div id=\"attachment_6256\" style=\"width: 558px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6256\" class=\" wp-image-6256\" src=\"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ScienceTips98-03.png\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"158\" \/><p id=\"caption-attachment-6256\" class=\"wp-caption-text\">Os efeitos do p53 em fibroblastos associados ao c\u00e2ncer na migra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas cancerosas: As c\u00e9lulas cancerosas (magenta) migram na dire\u00e7\u00e3o de fibroblastos associados ao c\u00e2ncer (amarelo) que expressam um gene de p53 n\u00e3o mutante (esquerda); essa migra\u00e7\u00e3o \u00e9 mais lenta (centro) quando o p53 nos fibroblastos \u00e9 silenciado; quando as subst\u00e2ncias liberadas pelos fibroblastos associados ao c\u00e2ncer s\u00e3o adicionadas \u00e0 placa de Petri, a migra\u00e7\u00e3o \u00e9 restaurada (direita)<\/p><\/div>\n<p>Todas as c\u00e9lulas t\u00eam esse gene, conhecido como p53. Esse gene normalmente desempenha um papel central na prote\u00e7\u00e3o do corpo contra a malignidade, orquestrando as defesas da c\u00e9lula contra o c\u00e2ncer e frequentemente matando uma c\u00e9lula potencialmente cancerosa, caso elas falhem. Em cerca de metade de pacientes oncol\u00f3gicos, o gene p53 existente nas c\u00e9lulas cancerosas cont\u00eam altera\u00e7\u00f5es \u2013 muta\u00e7\u00f5es \u2013 que podem resultar na produ\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna p53 que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 incapaz de suprimir o c\u00e2ncer, mas que pode inclusive iniciar atividades que promovam o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Mas para al\u00e9m das c\u00e9lulas cancerosas, um tumor maligno cont\u00e9m diversas c\u00e9lulas n\u00e3o cancerosas e elementos de tecido conjuntivo, normalmente designados como \u201cmicroambiente tumoral\u201d. Nas fases iniciais do desenvolvimento do c\u00e2ncer, o microambiente \u00e9 hostil ao tumor. O Prof. Moshe Oren, do Departamento de Biologia Celular e Molecular, e outros cientistas constataram em estudos anteriores que o p53 das c\u00e9lulas do microambiente contribui para esta hostilidade, ao bloquear a dissemina\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer. \u201cNormalmente essa campanha de prote\u00e7\u00e3o funciona, caso contr\u00e1rio as pessoas teriam c\u00e2ncer com muito mais frequ\u00eancia do que realmente t\u00eam\u201d, disse Oren.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o c\u00e2ncer progride e se torna mais maligno, o microambiente tumoral muda gradualmente. Os cientistas se referem a esse processo como \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d:\u00a0 o tumor em desenvolvimento est\u00e1 assumindo o controle do microambiente, ensinando-o a promover o c\u00e2ncer, ao inv\u00e9s de restringi-lo.<\/p>\n<p>Entre as c\u00e9lulas controladas est\u00e3o os fibroblastos, que fornecem o \u201ccimento\u201d estrutural ao tecido. Inicialmente, elas ajudam a recrutar c\u00e9lulas imunes contra o c\u00e2ncer, mas depois come\u00e7am a liberar subst\u00e2ncias que promovem o crescimento, a invas\u00e3o e a sobreviv\u00eancia do tumor. Nessa fase, essas c\u00e9lulas s\u00e3o chamadas \u201cfibroblastos associados ao c\u00e2ncer\u201d.<\/p>\n<p>O novo estudo, realizado no laborat\u00f3rio de Oren em colabora\u00e7\u00e3o com colegas do Instituto Weizmann, mostra que a \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d do microambiente \u2013 um termo mais apropriado seria provavelmente \u201clavagem cerebral\u201d \u2013 \u00e9 parcialmente direcionada ao p53 dos fibroblastos. \u00c0 medida que o c\u00e2ncer cresce, o p53 nos fibroblastos muda de lado. Apesar de o p53 nos fibroblastos associados ao c\u00e2ncer n\u00e3o sofrer muta\u00e7\u00f5es tal como ocorre nas c\u00e9lulas cancerosas, mesmo assim \u00e9 alterado de uma maneira que faz com que deixe de restringir e passe a apoiar o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>No estudo, liderado pela investigadora p\u00f3s-doutorada Dra. Sharatj Chandra Arandkar, em colabora\u00e7\u00e3o com o colega de departamento Prof. o Prof. Yosef Yarden e o Dr. Igor Ulitsky do Departamento de Regula\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica, os investigadores mostraram que a elimina\u00e7\u00e3o da prote\u00edna p53 dos fibroblastos associados ao c\u00e2ncer ao silenciar os genes do p53 fez com que essas c\u00e9lulas perdessem muitas das suas caracter\u00edsticas de apoio ao tumor e se comportassem mais como fibroblastos normais. Particularmente, o silenciamento do p53 dos fibroblastos reduziu a migra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas cancerosas adjacentes em uma placa de Petri \u2013 uma mudan\u00e7a essencial, considerando que a migra\u00e7\u00e3o invasiva facilita a dissemina\u00e7\u00e3o metast\u00e1tica do c\u00e2ncer. Al\u00e9m disso, o silenciamento do p53 em fibroblastos associados ao c\u00e2ncer reduziu con- sideravelmente a capacidade dessas c\u00e9lulas de estimularem o crescimento do tumor em camundongos.<\/p>\n<p>Os autores do estudo incluem os Drs. Noa Furth, Yair Elisha e Nishanth Belugali Nataraj do Weizmann, bem como do Instituto de Farmacologia Cl\u00ednica Dr. Margarete Fischer-Bosch em Stuttgart, Alemanha: Prof. Walter Aulitzky e o Dr. Heiko van der Kuip, em mem\u00f3ria do qual essa publica\u00e7\u00e3o foi dedicada.<\/p>\n<p>Encontrar maneiras de \u201creeducar\u201d o p53 traidor no microambiente tumoral \u2013 de forma a inverter o seu comportamento para que volte a suprimir tumores \u2013 poder\u00e1 abrir caminho para o desenvolvimento de terapias originais direcionadas ao microambiente, ao inv\u00e9s das pr\u00f3prias c\u00e9lulas cancerosas. Na verdade, nos \u00faltimos anos estrat\u00e9gias direcionadas ao microambiente canceroso est\u00e3o sendo cada vez mais exploradas. A esperan\u00e7a \u00e9 de que possam fornecer uma nova janela de oportunidade para lan\u00e7ar uma terapia eficaz, pois o microambiente tende a evoluir mais devagar do que as c\u00e9lulas tumorais que apresentam muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>A investiga\u00e7\u00e3o do Prof. Moshe Oren\u2028\u00e9 apoiada pelo Centro Integrado de C\u00e2ncer Moross (Moross Integrated Cancer Center), do qual \u00e9 presidente; Rising Tide; o Fundo Familiar Comis- aroff (Comisaroff Family Trust); a Funda\u00e7\u00e3o Pearl Welinsky Merlo (Pearl Welinsky Merlo Foundation); o Fundo de Investiga\u00e7\u00e3o de Progresso Cient\u00edfico (Scientific Progress Research Fund); a Funda\u00e7\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Dr. Miriam and Sheldon G. Adelson (Dr. Miriam and Sheldon G. Adelson Medical Research Founda- tion); e o Fundo de Investiga\u00e7\u00e3o sobre C\u00e2ncer Joel e Mady Dukler (Joel and Mady Dukler Fund for Cancer Research). O Prof. Oren \u00e9 o respons\u00e1vel pela Cadeira Professoral Andre Lwoff de Biologia Molecular.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o: a trai\u00e7\u00e3o de um gene anti-c\u00e2ncer Habitualmente, os generais de um ex\u00e9rcito n\u00e3o mudam de lado a meio de uma guerra, mas quando o c\u00e2ncer est\u00e1 sendo atacado, isso pode fazer com que um gene que atua como principal defensor do corpo se filie \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o. Conforme recente- mente relatado em Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), investigadores do Instituto Weizmann de Ci\u00eancia descobriram que a trai\u00e7\u00e3o desse gene pode ocorrer de mais maneiras do que as consideradas anteriormente. Todas as c\u00e9lulas t\u00eam esse gene, conhecido como p53. Esse gene normalmente desempenha um papel central na prote\u00e7\u00e3o do corpo contra a malignidade, orquestrando as defesas da c\u00e9lula contra o c\u00e2ncer e frequentemente matando uma c\u00e9lula potencialmente cancerosa, caso elas falhem. Em cerca de metade de pacientes oncol\u00f3gicos, o gene p53 existente nas c\u00e9lulas cancerosas cont\u00eam altera\u00e7\u00f5es \u2013 muta\u00e7\u00f5es \u2013 que podem resultar na produ\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna p53 que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 incapaz de suprimir o c\u00e2ncer, mas que pode inclusive iniciar atividades que promovam o c\u00e2ncer. Mas para al\u00e9m das c\u00e9lulas cancerosas, um tumor maligno cont\u00e9m diversas c\u00e9lulas n\u00e3o cancerosas e elementos de tecido conjuntivo, normalmente designados como \u201cmicroambiente tumoral\u201d. Nas fases iniciais do desenvolvimento do c\u00e2ncer, o microambiente \u00e9 hostil ao tumor. O Prof. Moshe Oren, do Departamento de Biologia Celular e Molecular, e outros cientistas constataram em estudos anteriores que o p53 das c\u00e9lulas do microambiente contribui para esta hostilidade, ao bloquear a dissemina\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer. \u201cNormalmente essa campanha de prote\u00e7\u00e3o funciona, caso contr\u00e1rio as pessoas teriam c\u00e2ncer com muito mais frequ\u00eancia do que realmente t\u00eam\u201d, disse Oren. \u00c0 medida que o c\u00e2ncer progride e se torna mais maligno, o microambiente tumoral muda gradualmente. Os cientistas se referem a esse processo como \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d:\u00a0 o tumor em desenvolvimento est\u00e1 assumindo o controle do microambiente, ensinando-o a promover o c\u00e2ncer, ao inv\u00e9s de restringi-lo. Entre as c\u00e9lulas controladas est\u00e3o os fibroblastos, que fornecem o \u201ccimento\u201d estrutural ao tecido. 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