{"id":6568,"date":"2019-01-08T13:47:54","date_gmt":"2019-01-08T13:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/?p=6568"},"modified":"2019-01-08T13:48:52","modified_gmt":"2019-01-08T13:48:52","slug":"as-importinas-da-ansiedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/as-importinas-da-ansiedade\/","title":{"rendered":"As importinas da ansiedade"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4217\" src=\"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/miniflag-israel.jpg\" alt=\"\" width=\"27\" height=\"15\" srcset=\"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/miniflag-israel.jpg 27w, https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/miniflag-israel-768x426.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 27px) 100vw, 27px\" \/> As importinas da ansiedade<\/h3>\n<p>O descobrimento de um novo mecanismo neural por tr\u00e1s da ansiedade aponta para poss\u00edveis tratamentos.<\/p>\n<p>Segundo algumas estimativas, at\u00e9 uma em cada tr\u00eas pessoas em todo o mundo sofrem de ansiedade severa em suas vidas. Em um estudo publicado hoje na revista Cell Reports, pesquisadores do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias revelaram um mecanismo at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido por tr\u00e1s da ansiedade. Tentar entender essa trajet\u00f3ria bioqu\u00edmica pode ajudar a desenvolver novas terapias para aliviar os sintomas de ansiedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>\u201cOs medicamentos atuais contra a ansiedade t\u00eam efic\u00e1cia limitada ou efeitos colaterais indesej\u00e1veis, o que tamb\u00e9m limita sua utilidade. Nossas constata\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ajudar a superar essas limita\u00e7\u00f5es. Em uma pesquisa subsequente, j\u00e1 identificamos uma s\u00e9rie de candidatos a medicamentos cujo alvo s\u00e3o as vias recentemente descobertas.\u201d<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\">Prof. Mike Fainzilber<br \/>\nDepartamento de Ci\u00eancias Biomoleculares<br \/>\nInstituto Weizmann de Ci\u00eancias<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio do Prof. Mike Fainzilber no Departamento de Ci\u00eancias Biomoleculares do Instituto estudou por cerca de duas d\u00e9cadas as fun\u00e7\u00f5es neuronais das prote\u00ednas conhecidas como importinas. Essas prote\u00ednas, encontradas em todas as c\u00e9lulas, transportam mol\u00e9culas para o n\u00facleo. O trabalho anterior do laborat\u00f3rio concentrou-se no sistema nervoso perif\u00e9rico (todos os tecidos nervosos no organismo, exceto o c\u00e9rebro e a espinha dorsal). O estudante de p\u00f3s-doutorado Dr. Nicolas Panayotis, que se juntou ao grupo em 2012, decidiu descobrir se algumas importinas tamb\u00e9m desempenham uma fun\u00e7\u00e3o no sistema nervoso central, ou seja, no c\u00e9rebro e na espinha dorsal.<\/p>\n<p>Panayotis e seus colegas estudaram cinco castas de camundongos, modificados por engenharia gen\u00e9tica no laborat\u00f3rio do Prof. Michael Bader no centro de medicina molecular Max Delbr\u00fcck em Berlim, eliminando genes da subfam\u00edlia alfa de importinas. Os pesquisadores submeteram esses camundongos a uma bateria de ensaios comportamentais e descobriram que uma das castas \u2013 a que n\u00e3o expressava importinas alfa-5 \u2013 se destacava de forma exclusiva: Esses camundongos n\u00e3o demonstravam ansiedade em situa\u00e7\u00f5es de estresse, ao serem deixados em grandes \u00e1reas expostas ou em uma plataforma muito elevada e aberta.<\/p>\n<p>Os pesquisadores verificaram ent\u00e3o como esses camundongos \u201cmais calmos\u201d se diferenciavam dos demais em termos de express\u00e3o gen\u00e9tica em determinadas regi\u00f5es do c\u00e9rebro envolvidas no controle da ansiedade. An\u00e1lises computadorizadas indicaram o MeCP2, um gene regulador que sabidamente afeta comportamentos de ansiedade. Constatou-se ent\u00e3o que a importina alfa-5 era cr\u00edtica para permitir a entrada do MeCP2 no n\u00facleo dos neur\u00f4nios. Mudan\u00e7as nos n\u00edveis de MeCP2 no n\u00facleo, por sua vez, afetaram os n\u00edveis de uma enzima envolvida na produ\u00e7\u00e3o de uma mol\u00e9cula sinalizadora, conhecida como S1P. Nos camundongos sem a importina alfa-5, o MeCP2 n\u00e3o era capaz de entrar no n\u00facleo dos neur\u00f4nios controladores da ansiedade, reduzindo assim a sinaliza\u00e7\u00e3o da S1P e a ansiedade por conseguinte.<\/p>\n<div id=\"attachment_6569\" style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6569\" class=\"wp-image-6569 \" src=\"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Importina.png\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"302\" \/><p id=\"caption-attachment-6569\" class=\"wp-caption-text\">Na esquerda, neur\u00f4nios do c\u00e9rebro de camundongo normal onde a mol\u00e9cula MeCP2 (vermelha), relacionada a comportamento ansioso ingressa no n\u00facleo (azul) dos neur\u00f4nios. A direita, em camundongo geneticamente modificado sem a prote\u00edna importina alfa 5, a mol\u00e9cula MeCP2 (vermelha), relacionada a comportamento ansioso permanece fora do n\u00facleo (azul) dos neur\u00f4nios.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de experimentos adicionais para confirmar que haviam de fato descoberto um novo mecanismo regulador da ansiedade no c\u00e9rebro, os pesquisadores passaram a buscar mol\u00e9culas que pudessem modificar esse mecanismo. Eles chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que j\u00e1 existem medicamentos que modulam a sinaliza\u00e7\u00e3o da S1P; um desses compostos, a fingolimode, \u00e9 utilizado para tratar diversos tipos de esclerose. Quando os pesquisadores testaram os efeitos da fingolimode em camundongos normais, as cobaias demonstraram n\u00edveis mais baixos de ansiedade, semelhantes aos dos camundongos modificados geneticamente para eliminar o gene da importina alfa-5. Al\u00e9m disto, os pesquisadores encontraram um relato mais antigo, de um experimento cl\u00ednico com fingolimode, segundo o qual o medicamento exercia um efeito calmante em pacientes com esclerose m\u00faltipla. O novo estudo poder\u00e1 agora ajudar a explicar por que isto acontecia.<\/p>\n<p>\u201cNossas constata\u00e7\u00f5es abriram um novo caminho para a pesquisa dos mecanismos da<br \/>\nansiedade\u201d \u2013 disse Panayotis. \u201cSe compreendermos exatamente como a via que descobrimos controla a ansiedade, isto poder\u00e1 nos ajudar a desenvolver novos medicamentos, ou a direcionar a utiliza\u00e7\u00e3o dos que j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis, para aliviar os sintomas.\u201d<\/p>\n<p>Fainzilber: \u201cOs medicamentos atuais contra a ansiedade t\u00eam efic\u00e1cia limitada ou efeitos<br \/>\ncolaterais indesej\u00e1veis, o que tamb\u00e9m limita sua utilidade. Nossas constata\u00e7\u00f5es poder\u00e3o<br \/>\najudar a superar essas limita\u00e7\u00f5es. Em uma pesquisa subsequente, j\u00e1 identificamos uma s\u00e9rie de candidatos a medicamentos cujo alvo s\u00e3o as vias recentemente descobertas.\u201d<\/p>\n<p>As constata\u00e7\u00f5es do estudo tamb\u00e9m representam uma nova luz sobre dist\u00farbios gen\u00e9ticos<br \/>\nraros, caracterizados por muta\u00e7\u00f5es no gene MeCP2: A s\u00edndrome de Rett e a s\u00edndrome de<br \/>\nduplica\u00e7\u00e3o de MeCP2. Ambas s\u00e3o caracterizadas pela ansiedade, entre outros sintomas. A<br \/>\nidentifica\u00e7\u00e3o precisa do mecanismo respons\u00e1vel pela entrada de MeCP2 no n\u00facleo dos<br \/>\nneur\u00f4nios poder\u00e1, futuramente, ajudar a desenvolver terapias para essas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Participaram dessa pesquisa: Dr. Shachar Y. Dagan, Anna Meshcheriakova, Dr. Sandip Koley, Dra. Letizia Marvaldi, Didi-Andreas Song and Prof. Eitan Reuveny do Departamento de Ci\u00eancias Biomoleculares do Instituto Weizmann; Dr. Anton Sheinin da Universidade de Tel Aviv; Prof. Izhak Michaelevski da Universidade de Ariel; Dr. Michael M. Tsoory do Departamento de Recursos Veterin\u00e1rios do Instituto Weizmann; Dra. Franziska Rother, Prof. Enno Hartmann e Prof. Michael Bader do Centro de Medicina Molecular Max Delbr\u00fcck em Berlim, Alemanha; Dr. Mayur Vadhvani e Profa. Britta Eickholt da Charit\u00e9 Universit\u00e4tsmedizin, tamb\u00e9m em Berlim.<\/p>\n<p>A pesquisa do Prof. Michael Fainzilber tem o apoio do Laborat\u00f3rio Laraine e Alan A. Fischer de Espectrometria de Massa Biol\u00f3gica; da Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisa M\u00e9dica da Dra. Miriam e Sheldon G. Adelson; o Programa Zuckerman de Lideran\u00e7a em STEM; a Funda\u00e7\u00e3o Rising Tide; Sr. e Sra. Lawrence Feis; o esp\u00f3lio de Florence e Charles Cuevas; o esp\u00f3lio de Lilly Fulop; e o Conselho Europeu de Pesquisa. O Prof. Fainzilber \u00e9 o titular da cadeira professoral de neuroci\u00eancias moleculares de Chaya.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As importinas da ansiedade O descobrimento de um novo mecanismo neural por tr\u00e1s da ansiedade aponta para poss\u00edveis tratamentos. Segundo algumas estimativas, at\u00e9 uma em cada tr\u00eas pessoas em todo o mundo sofrem de ansiedade severa em suas vidas. Em um estudo publicado hoje na revista Cell Reports, pesquisadores do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias revelaram um mecanismo at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido por tr\u00e1s da ansiedade. Tentar entender essa trajet\u00f3ria bioqu\u00edmica pode ajudar a desenvolver novas terapias para aliviar os sintomas de ansiedade. &nbsp; \u201cOs medicamentos atuais contra a ansiedade t\u00eam efic\u00e1cia limitada ou efeitos colaterais indesej\u00e1veis, o que tamb\u00e9m limita sua utilidade. Nossas constata\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ajudar a superar essas limita\u00e7\u00f5es. Em uma pesquisa subsequente, j\u00e1 identificamos uma s\u00e9rie de candidatos a medicamentos cujo alvo s\u00e3o as vias recentemente descobertas.\u201d Prof. Mike Fainzilber Departamento de Ci\u00eancias Biomoleculares Instituto Weizmann de Ci\u00eancias &nbsp; O laborat\u00f3rio do Prof. Mike Fainzilber no Departamento de Ci\u00eancias Biomoleculares do Instituto estudou por cerca de duas d\u00e9cadas as fun\u00e7\u00f5es neuronais das prote\u00ednas conhecidas como importinas. Essas prote\u00ednas, encontradas em todas as c\u00e9lulas, transportam mol\u00e9culas para o n\u00facleo. O trabalho anterior do laborat\u00f3rio concentrou-se no sistema nervoso perif\u00e9rico (todos os tecidos nervosos no organismo, exceto o c\u00e9rebro e a espinha dorsal). O estudante de p\u00f3s-doutorado Dr. Nicolas Panayotis, que se juntou ao grupo em 2012, decidiu descobrir se algumas importinas tamb\u00e9m desempenham uma fun\u00e7\u00e3o no sistema nervoso central, ou seja, no c\u00e9rebro e na espinha dorsal. Panayotis e seus colegas estudaram cinco castas de camundongos, modificados por engenharia gen\u00e9tica no laborat\u00f3rio do Prof. Michael Bader no centro de medicina molecular Max Delbr\u00fcck em Berlim, eliminando genes da subfam\u00edlia alfa de importinas. Os pesquisadores submeteram esses camundongos a uma bateria de ensaios comportamentais e descobriram que uma das castas \u2013 a que n\u00e3o expressava importinas alfa-5 \u2013 se destacava de forma exclusiva: Esses camundongos n\u00e3o demonstravam ansiedade em situa\u00e7\u00f5es de estresse, ao serem deixados em grandes \u00e1reas expostas ou em uma plataforma muito elevada e aberta. 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