{"id":7216,"date":"2019-04-25T00:53:42","date_gmt":"2019-04-25T00:53:42","guid":{"rendered":"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/?p=7216"},"modified":"2019-04-25T00:53:42","modified_gmt":"2019-04-25T00:53:42","slug":"science-tips-100-as-plantas-piscam-procedendo-com-cautela-na-luz-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/science-tips-100-as-plantas-piscam-procedendo-com-cautela-na-luz-solar\/","title":{"rendered":"Science Tips 100 \u2013 As plantas piscam: Procedendo com cautela na luz solar"},"content":{"rendered":"<h3><strong>As plantas piscam: Procedendo com cautela na luz solar<\/strong><\/p>\n<p><em>Assim como os olhos se ajustam \u00e0s mudan\u00e7as de claridade, as plantas contam com mecanismos sens\u00edveis que protegem suas folhas de mudan\u00e7as r\u00e1pidas na radia\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-7218 aligncenter\" src=\"http:\/\/amigosdoweizmann.org.br\/stage\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Science-Tips-100-02.png\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"348\" \/><\/p>\n<p>As plantes disp\u00f5em de mecanismos de controle que lembram os sentidos do ser humano. Segundo um novo estudo do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias, as plantas ajustam sua fotoss\u00edntese \u00e0s mudan\u00e7as r\u00e1pidas de claridade, utilizando um sistema sofisticado de sensores , muito semelhante \u00e0 forma como o olho humano reage \u00e0s varia\u00e7\u00f5es da claridade. Essa regulagem semelhante aos recursos sensoriais, funciona com baixas intensidades de luz, quando os mecanismos de fotoss\u00edntese s\u00e3o mais eficientes, mas tamb\u00e9m ficam mais vulner\u00e1veis a aumentos repentinos da claridade.<br \/>\nUma vis\u00e3o amplamente aceita \u00e9 a de que, como a planta tem mais energia para o seu crescimento na mesma propor\u00e7\u00e3o da quantidade de luz solar que ela absorve, a fotoss\u00edntese tende a acelerar proporcionalmente \u00e0 intensidade da luz solar. Somente quando atinge um n\u00edvel em que a radia\u00e7\u00e3o excessiva causa \u201cqueimaduras de sol\u201d nocivas, a planta ativaria seus mecanismo de repara\u00e7\u00e3o e reduziria o ritmo da fotoss\u00edntese. O Prof. Avihai Danon, do Departamento de Ci\u00eancias Bot\u00e2nicas e Ambientais e seus colegas avaliaram a fluoresc\u00eancia das plantas (luz reemitida por fotoss\u00edntese n\u00e3o produtiva, utilizada como intermedi\u00e1rio n\u00e3o intrusivo para medir os n\u00edveis de fotoss\u00edntese) sob baixa exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz, e se surpreenderam ao perceberem um padr\u00e3o de \u201cvaiv\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Danon come\u00e7ou a trabalhar em colabora\u00e7\u00e3o com o Prof. Uri Alon do Departamento de Biologia Celular e Molecular, cujo laborat\u00f3rio estuda as redes e circuitos biol\u00f3gicos, entre os quais, os do corpo humano. A equipe \u2013 Avichai Tendler (do laborat\u00f3rio de Alon) e os Drs. Bat Chen Wolf e Vivekanand Tiwari (do laborat\u00f3rio de Danon) \u2013 expuseram esp\u00e9cimes de Arabidopsis thaliana, plantas-modelo da fam\u00edlia da mostarda, a uma s\u00e9rie de grada\u00e7\u00f5es de luminosidade, passo a passo, de dez minutos cada, na faixa baixa a moderara, mais ou menos equivalente \u00e0 luz matinal \u2013 ou seja, abaixo do n\u00edvel que causaria estresse nas plantas.<\/p>\n<p>Conforme publicado na revista iScience, os cientistas perceberam que a fluoresc\u00eancia, em vez de se elevar de forma est\u00e1vel quando a luminosidade aumentava, apresentava um breve pico a cada grada\u00e7\u00e3o, e em seguida voltava ao n\u00edvel inicial. A cada medi\u00e7\u00e3o, o pico era inferior ao da etapa anterior. Isto ocorreu porque, segundo constataram os pesquisadores, quando a luz aumentava, menos f\u00f3tons chegavam ao centro de rea\u00e7\u00e3o fotossint\u00e9tica da planta do que se esperava devido \u00e0 intensidade da luz. A cada grada\u00e7\u00e3o, os pesquisadores tinham de duplicar a intensidade da luz para produzir o mesmo pico de fluoresc\u00eancia da etapa anterior \u2013 padr\u00e3o t\u00edpico de mecanismos sensoriais em bact\u00e9rias, animais e seres humanos.<\/p>\n<p>Essas constata\u00e7\u00f5es comprovam que sob condi\u00e7\u00f5es de luminosidade fraca, os mecanismos de controle da fotoss\u00edntese se parecem com os que funcionam em sistemas sensoriais como, por exemplo, a vis\u00e3o humana. Quando as pupilas se ajustam \u00e0 claridade, esses ajustes n\u00e3o apenas protegem a retina, mas asseguram a<br \/>\nsensibilidade em rela\u00e7\u00e3o aos arredores, apesar das altera\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de luminosidade. Quando as pupilas se contraem, distinguimos apenas altos contrastes na ilumina\u00e7\u00e3o. Em condi\u00e7\u00f5es de baixa luminosidade, por exemplo, ao anoitecer, as pupilas se expandem, permitindo a entrada de mais luz e nos capacitando a identificar objetos que diferem uns dos outros apenas ligeiramente quanto est\u00e3o refletindo a<br \/>\nluz. Da mesma forma, as antenas da fotoss\u00edntese \u2013 os complexos de mol\u00e9culas de prote\u00ednas e clorofila que absorvem a luz nas plantas \u2013 se contraem contra a luz forte e se expandem sob condi\u00e7\u00f5es de baixa luminosidade. Assim como ocorre com as pupilas, quando as antenas se expandem, elas absorvem a luz com maior efici\u00eancia e ficam mais sens\u00edveis a pequenas varia\u00e7\u00f5es na intensidade da luz \u2013 por\u00e9m tamb\u00e9m se<br \/>\ntornam mais vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as, principalmente as mais repentinas.<\/p>\n<p>\u201cAs plantas controlam a fotoss\u00edntese com cuidado, de forma que sacrificam a efici\u00eancia em curto prazo para o bem da estabilidade em longo prazo\u201d \u2013 disse Danon. &#8220;De certa forma, os mecanismos da fotoss\u00edntese atuam como \u201csensores\u201d do meio ambiente, fazendo ajustes r\u00e1pidos conforme a quantidade de luz absorvida, antes que a situa\u00e7\u00e3o saia do seu controle, em vez de lidar com a atividade de forma descontrolada e nociva&#8221;.<\/p>\n<p>Os controles rec\u00e9m-descobertos agem com rapidez, ganhando tempo para que os mecanismos reguladores da fotoss\u00edntese, mais lentos, se adaptem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que surgirem. Esta primorosa estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia \u00e9 uma das formas como as plantas aproveitam ao m\u00e1ximo a luz do sol sob condi\u00e7\u00f5es de varia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida ao ar<br \/>\nlivre, por exemplo, quando nuvens passam, ou quando o vento altera o \u00e2ngulo das folhas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do sol.<\/p>\n<p><em>O Prof. Avihai Danon \u00e9 o titular da c\u00e1tedra profissional de Henry e Bertha Benson.<\/em><br \/>\n<em>A pesquisa do Prof. Uri Alon tem o apoio do Centro de Pesquisas em Biologia de Sistemas da C\u00e9lula Humana da<\/em><br \/>\n<em>Fam\u00edlia Kahn; do Instituto Sagol de Pesquisa em Longevidade; do Centro Braginsky para a interface entre as<\/em><br \/>\n<em>ci\u00eancias exatas e humanas; o Programa Zuckerman de Lideran\u00e7a em STEM; da Funda\u00e7\u00e3o Rising Tide; do<\/em><br \/>\n<em>Conselho Europeu de Pesquisa; e da Fam\u00edlia Leff. O Prof. Alon \u00e9 o titular da c\u00e1tedra profissional de Abisch-<\/em><br \/>\n<em>Frenkel.<\/em><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As plantas piscam: Procedendo com cautela na luz solar Assim como os olhos se ajustam \u00e0s mudan\u00e7as de claridade, as plantas contam com mecanismos sens\u00edveis que protegem suas folhas de mudan\u00e7as r\u00e1pidas na radia\u00e7\u00e3o As plantes disp\u00f5em de mecanismos de controle que lembram os sentidos do ser humano. Segundo um novo estudo do Instituto Weizmann de Ci\u00eancias, as plantas ajustam sua fotoss\u00edntese \u00e0s mudan\u00e7as r\u00e1pidas de claridade, utilizando um sistema sofisticado de sensores , muito semelhante \u00e0 forma como o olho humano reage \u00e0s varia\u00e7\u00f5es da claridade. Essa regulagem semelhante aos recursos sensoriais, funciona com baixas intensidades de luz, quando os mecanismos de fotoss\u00edntese s\u00e3o mais eficientes, mas tamb\u00e9m ficam mais vulner\u00e1veis a aumentos repentinos da claridade. Uma vis\u00e3o amplamente aceita \u00e9 a de que, como a planta tem mais energia para o seu crescimento na mesma propor\u00e7\u00e3o da quantidade de luz solar que ela absorve, a fotoss\u00edntese tende a acelerar proporcionalmente \u00e0 intensidade da luz solar. Somente quando atinge um n\u00edvel em que a radia\u00e7\u00e3o excessiva causa \u201cqueimaduras de sol\u201d nocivas, a planta ativaria seus mecanismo de repara\u00e7\u00e3o e reduziria o ritmo da fotoss\u00edntese. O Prof. Avihai Danon, do Departamento de Ci\u00eancias Bot\u00e2nicas e Ambientais e seus colegas avaliaram a fluoresc\u00eancia das plantas (luz reemitida por fotoss\u00edntese n\u00e3o produtiva, utilizada como intermedi\u00e1rio n\u00e3o intrusivo para medir os n\u00edveis de fotoss\u00edntese) sob baixa exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz, e se surpreenderam ao perceberem um padr\u00e3o de \u201cvaiv\u00e9m\u201d. Danon come\u00e7ou a trabalhar em colabora\u00e7\u00e3o com o Prof. Uri Alon do Departamento de Biologia Celular e Molecular, cujo laborat\u00f3rio estuda as redes e circuitos biol\u00f3gicos, entre os quais, os do corpo humano. A equipe \u2013 Avichai Tendler (do laborat\u00f3rio de Alon) e os Drs. 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