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Nobel de química alerta para um dos mais graves problemas da medicina moderna

 Nobel de química alerta para um dos mais graves problemas da medicina moderna

Em seminário on-line promovido pela Aciesp, a cientista do Instituto Weizmann de Ciências e Nobel de Química, Ada Yonath, conta como o estudo do ribossomo – a fábrica de proteínas das células – pode ajudar a combater a resistência bacteriana a antibióticos. Segundo Ada, esse é um dos problemas mais graves da medicina moderna. Afirma ainda que, caso nada seja feito para mudar o rumo da medicina, deveremos em breve regredir à era pré-antibióticos, quando doenças causadas por parasitas e infecções como pneumonia eram quase impossíveis de serem tratadas. Leia na íntegra, a matéria da Karina Toledo para Agência FAPESP.

 

Leia mais: Nobel de química alerta para um dos mais graves problemas da medicina moderna

 

Cientistas do Weizmann resolvem o Enigma da construção do Arco de Wilson, sob o Monte do Templo de Jerusalém

 Cientistas do Weizmann resolvem o Enigma da construção do Arco de Wilson, sob o Monte do Templo de Jerusalém

A história da construção  de uma estrutura icônica nos túneis da Muralha Ocidental foi revelada pela análise de um punhado de sementes carbonizadas com uma tecnologia desenvolvida no Instituto Weizmann de Ciências. O arco fazia parte de uma ponte que levava os fiéis ao Monte do Templo e foi construído como parte da Muralha Ocidental do complexo há cerca de 2000 anos. Através deste projeto de investigação determinou-se que o arco, que apoiou um dos principais caminhos para o Segundo Templo, foi construído em duas fases distintas. Nos seus primeiros dias, durante o governo do Rei Herodes o Grande ou ligeiramente depois, quando a ponte tinha 7,5 metros de largura. Pouco tempo depois, no século I d.C., a largura da ponte foi duplicada. O tamanho e a obra do arco atestam a importância do Monte do Templo durante a época do Segundo Templo Judaico, quando milhares de pessoas teriam participado nas cerimônias.

O enigma do Arco de Wilson não poderia ter sido resolvido sem o uso da micro arqueologia

 

O enigma do Arco de Wilson não poderia ter sido resolvido sem o uso da micro arqueologia. A extrema precisão dos resultados do laboratório do Instituto Weizmann de Ciências permitiu resolver a questão e os cientistas acreditam que podem ajudar a resolver outros puzzles arqueológicos para os quais a datação por radiocarbono não tinha sido suficientemente precisa.”

A Prof. Elisabetta Boaretto e a Dra.Johanna Regev, da Unidade de Arqueologia Científica do Instituto Weizmann lideraram  a pesquisa cronológica. A escavação foi realizada pelo arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel e levada a cabo pela Western Wall Heritage Foundation como parte do desenvolvimento turístico do local.

Os investigadores do Weizmann utilizaram métodos de micro arqueologia para caracterizar os depósitos em camadas e, em seguida, determinar a ligação entre qualquer amostra que seja datada e o evento arqueológico a ser datado. A Profa. Boaretto explica que conduzir pesquisas arqueológicas sobre estruturas urbanas como o Arco de Wilson, e em particular determinar a sua idade, é muito mais complicado do que em quase qualquer outro cenário arqueológico. Num centro urbano que ainda é ocupado mais de 2000 anos depois, as estruturas podem ser usadas durante séculos, componentes podem ter sido reutilizados, partes da estrutura demolidas e reconstruídas. A datação absoluta das estruturas arquitetônicas, ao contrário da datação relativa baseada na cerâmica e nas moedas, é particularmente importante para se correlacionar com os textos existentes e com figuras históricas.

Um dos materiais-chave que o grupo procurava no Arco de Wilson eram restos da argamassa ou cimento usado entre as pedras. Este material foi produzido a altas temperaturas e foram adicionados agregados para adquirir propriedades desejadas; dessa maneira,  embutidas na argamassa podem-se encontrar sementes carbonizadas . O primeiro desafio foi determinar se o material carbonizado era efetivamente um constituinte da argamassa original, e o desafio seguinte era determinar se fazia parte da construção original ou uma reparação posterior.

As sementes encontradas sob as bases das grandes estruturas também podem ser datadas e as datas das sementes presumidas serem mais antigas do que a construção. No laboratório D-REAMS (Dangoor Research Accelerator Mass Spectrometer) do Instituto Weizmann de Ciências, Boaretto e a sua equipe analisaram os materiais carbonizados que retiraram do local de escavação, estudaram sua composição e cristalinidade e a partir daí, determinaram a sua idade.

De acordo com o Dr. Uziel, da Autoridade de Antiguidades de Israel, “esta datação abrangente dos micro-restos, forneceu uma solução inequívoca para um longo enigma arqueológico – o enigma da data do Arco de Wilson.”

A equipe também trabalhou em datar outra peça da história de Jerusalém, uma pequena estrutura semelhante a um teatro construída sob o Arco de Wilson. A datação por radiocarbono indica que a construção do teatro foi provavelmente iniciada pouco antes de uma data historicamente significativa – a Segunda Revolta Judaica em 132 a.C., muitas vezes conhecida como a revolta de Bar Kochva – e não mais tarde do que a morte de Adriano. O grupo datou 33 amostras de vários locais diferentes, abrangendo um período de mais de 1000 anos.


Leia mais: Solving the Riddle: When was Wilson’s Arch, under Jerusalem’s Temple Mount, Built?

Por que COVID-19 mata, ou não

 

Por que COVID-19 mata, ou não

O Prof. Ido Amit, do Instituto Weizmann de Ciências, determinou o que diferencia o progresso do COVID-19 em pacientes gravemente doentes em oposição àqueles que são apenas levemente afetados. Suas descobertas, publicadas na revista Cell, podem abrir caminho para tratamentos novos e personalizados que previnam ou reduzam significativamente o impacto da doença.

O Prof. Amit, do Departamento de Imunologia, estuda a genética que controla como as células do sistema imunológico se diferenciam em subtipos específicos, e como essas várias populações celulares respondem a patógenos invasores. Essa dinâmica complexa é central para a compreensão do COVID-19; pesquisas atuais indicam que muitas mortes por coronavírus resultam da ativação excessiva do sistema imunológico. Este fenômeno, chamado de “tempestade de citocina”, poderia conter a chave para prevenir os efeitos mortais do vírus.

O que acontece nos pulmões de um paciente grave

Para determinar o que acontece em pacientes coronavírus graves, o Prof. Amit usou uma tecnologia para análise genômica unicelular desenvolvida em seu laboratório. Projetada para digitalizar sistematicamente o RNA viral — as informações genéticas inseridas em uma célula hospedeira durante o processo de infecção — esta ferramenta permite um mapeamento global preciso dos genes e das vias de comunicação ativadas em células infectadas. Esses dados de mudança dinâmica podem ser rastreados ao longo do tempo, possibilitando comparar a atividade celular global à medida que se desenrola em indivíduos severamente e levemente afetados.

No laboratório do Prof. Amit descobriram que a infecção faz com que macrófagos — células que normalmente ajudam a livrar os pulmões de infecções, vírus e micróbios — sejam substituídos por células que, pelo contrário, estimulam a doença. Eles também descobriram que em pacientes graves, as células T do sistema imunológico são neutralizadas, permitindo assim que outros vírus já presentes no corpo inflijam danos.

Este estudo realizado em conjunto com colegas na China e na França, estabelece a nova metodologia, como uma ferramenta amplamente aplicável para estudar o mecanismo das infecções virais, algo que poderia levar a testes aprimorados e tratamentos personalizados mais eficazes. A abordagem está sendo ajustada na esperança de que em breve estará disponível para uso generalizado.

Saiba mais: Why COVID-19 kills, or doesn’t

Covid-19: O Quadro da Mente

 Covid-19: O Quadro da Mente

O Questionário de Sintomas do Novo Coronavírus foi criado de forma pioneira pelos Prof. Eran Segal e Prof. Benny Geiger do Instituto Weizmann de Ciências e já permitiu a identificação de áreas de disseminação rápida do vírus em Israel. Agora ele tem uma nova seção para incluir informações sobre sentimentos e “humor”. Faz parte de um extenso estudo do grupo do Prof. Alon Chen, no campo da pesquisa cerebral, que se concentra em processos envolvidos em estresse, ansiedade e depressão.

 

Saiba mais: Daily report

 

32 dados do Novo Coronavírus

 

 32 dados do Novo Coronavírus

 

Os cientistas Ron Milo e Yinon Bar-On do Instituto Weizmann, juntamente com pesquisadores de Berkeley, organizaram o excesso de informações sobre o novo coronavírus. Computaram o número de vírus que “nascem” cada vez que se multiplica, o grau de semelhança do genoma com os de outros vírus da mesma família, o tempo que demora para ingressar nas células, e até o número de copias do vírus que acharam nas fezes!. Para os cientistas, esses são dados importantes para o desenvolvimento de vacinas ou medicamentos. Mas para os leigos, são dados interessantes que satisfazem a curiosidade.

Diâmetro : ≈100 nm
Volume: 10 -3 femtolitro
Massa: ≈ 1fentograma
Proteínas na membrana: ≈2000 copias (medida para SARS-CoV-1)
Proteínas no Envelope: ≈20 copias (100 monomeros, medido para TGEV coronavirus)
Proteínas no núcleo: ≈1000 copias (medida para SARS-CoV-1)
Cumprimento espícula: ≈10 nm
Espículas por virión: ≈100 (medida para SARS-CoV-1) (300 monomeros)
Número de genes: 10-14
Número de proteínas: 24-27
Taxa de evolução. Substituições de nucleotídeos (nt.) por ano: ~10 -3 nt -1 ao ano -1 (medida
para SARS-CoV-1)
Taxa de mutação Substituições de nucleotídeos (nt.) por ciclo : ~10 -6 nt -1 ciclo -1 (medida
para MHV coronavirus)
Identidade nucleotídica com Coronavirus de morcego – 96%; de pangolim 91%; coronavirus
resfriado comum 50%
Entrada do vírion na célula: ~10 min (medido para SARS-CoV-1)
Fase eclipse: pós a penetração, em que ainda não é detectada nenhuma partícula viral : 10
horas
Tamanho de rompimento: ~ 1000 virions (medido para MHV coronavirus)
Valores máximos observados após diagnóstico em:

  • Nasofaringe: 10 6 -10 9 RNAs/swab
  • Garganta: 10 4 -10 8 RNAs/swab
  • Fezes: 10 4 -10 8 RNAs/g
  • Escarro: 10 6 -10 11 RNAs/mL

Anticorpos surgem no soro após: ≈10-20 dias
Manutenção de anticorpos: ≈2-3 anos (medido para SARS-CoV-1)
Estabilidade Viral no Ambiente (Relevância para segurança pessoal não está clara)
Meia-vida Tempo para decair 1000-vezes em
Aerossóis: ≈ 1 h. ≈4-24 h.
Superfícies ≈1-7 h. ≈4-96 h.
Ex.: plástico, papelão e metais.
(Baseada na quantificação de virions infecciosos. Testado a 21-23°C e umidade relativa do ar entre 40-65%. Números podem variar entre condições e tipos de superfícies)
Número básico de reprodução, (número de casos gerados diretamente a partir de um único caso) R0: tipicamente 2-4 pessoas, mas pode variar de acordo com local e tempo
Período de incubação (mediana): ≈5 dias (99% ≤ 14 dias, exceto assintomáticos)
Período de latência: ≈3 dias
Período infeccioso: ≈4 dias
Recuperação: casos leves: ≈2 semanas/casos graves: ≈6 semanas
A variação entre indivíduos é considerável e ainda não está bem caracterizada. As estimativas são feitas a partir de parâmetros ajustados para a população média da China e não descrevem essa variabilidade
O símbolo ≈, que representa “aproximadamente” , o símbolo ~ indica “ordem de magnitude”, ou acurácia dentro de um fator de 10.

Fonte:  elifesciences.org
Saiba mais: Covid19 – Os outros números que importam

Cientistas do Weizmann desenvolvem um teste simples de recuperação da consciência

  Cientistas do Weizmann desenvolvem um teste simples de recuperação da consciência

 

Se uma pessoa inconsciente responde ao cheiro através de uma pequena mudança em seu padrão do fluxo de ar nasal – é provável que ela recupere a consciência. Esta é a conclusão de um novo estudo conduzido por cientistas do Instituto Weizmann e publicados na revista Nature.  100% dos pacientes inconscientes com lesões cerebrais que responderam a um “teste de cheiro” desenvolvido pelos pesquisadores, recuperaram a consciência durante o período de quatro anos de estudo.

Os cientistas acham que este teste simples e barato pode ajudar os médicos a diagnosticar e determinar com precisão planos de tratamento de acordo com o grau de lesão cerebral dos pacientes

 

Os cientistas acham que este teste simples e barato pode ajudar os médicos a diagnosticar e determinar com precisão planos de tratamento de acordo com o grau de lesão cerebral dos pacientes. Os cientistas concluem que essa descoberta mais uma vez destaca o papel primordial do olfato na organização cerebral humana. O sistema olfativo é a parte mais antiga do cérebro, e sua integridade fornece uma medida precisa da integridade geral do cérebro.

Após lesão cerebral grave, muitas vezes é difícil determinar se a pessoa está consciente ou inconsciente, e os testes diagnósticos atuais podem levar a um diagnóstico incorreto em até 40% dos casos. “O diagnóstico errado pode ser crítico, pois pode influenciar a decisão de desconectar os pacientes das máquinas de suporte de vida”, diz o Dr. Anat Arzi, que liderou a pesquisa. “Em relação ao tratamento, se for julgado que um paciente está inconsciente e não sente nada, os médicos podem não prescrever analgésicos que possam precisar.” Arzi iniciou esta pesquisa durante seus estudos de doutorado no grupo do Prof. Noam Sobel do Departamento de Neurobiologia do Instituto Weizmann de Ciências e continuou como parte de sua pesquisa de pós-doutorado no Departamento de Psicologia da Universidade de Cambridge.

O “teste de consciência” desenvolvido pelos pesquisadores – em colaboração com o Dr. Yaron Sacher, Chefe do Departamento de Reabilitação de Lesões Cerebrais Traumáticas do Hospital de Reabilitação de Loewenstein – baseia-se no princípio de que nosso fluxo de ar nasal muda em resposta ao odor; por exemplo, um odor desagradável levará a cheiros mais curtos e rasos. Em humanos saudáveis, a resposta pode ocorrer inconscientemente tanto na vigília quanto no sono.

O estudo incluiu 43 pacientes com lesões cerebrais no Hospital de Reabilitação de Loewenstein. Os pesquisadores colocaram brevemente frascos contendo vários odores sob os narizes dos pacientes, incluindo um cheiro agradável de xampu, um cheiro desagradável de peixe podre, ou nenhum odor. Ao mesmo tempo, os cientistas mediram precisamente o volume de ar inalado pelo nariz em resposta aos odores. Cada frasco foi apresentado ao paciente dez vezes em ordem aleatória durante a sessão de teste, e cada paciente participou de várias dessas sessões.

 “Surpreendentemente, todos os pacientes classificados como em ‘estado vegetativo’ mas que responderam ao teste, depois recuperaram a consciência, mesmo que de forma mínima. Em alguns casos, o resultado do teste foi o primeiro sinal de que esses pacientes estavam prestes a recuperar a consciência – e essa reação foi observada dias, semanas e até meses antes de qualquer outro sinal”, diz Arzi.

Além disso, a resposta ao teste não só previu quem iria recuperar a consciência, mas também previu com cerca de 92% de precisão quem sobreviveria por pelo menos três anos.

O fato desse teste ser um teste simples e barato torna-o vantajoso”, explica Arzi. “Pode ser realizado ao lado do leito dos pacientes sem a necessidade de movê-los – e sem máquinas complicadas.”

Coma

Após uma lesão grave na cabeça, os pacientes podem entrar em estado de coma – seus olhos estão fechados e não têm ciclos de sono-vigília. Um coma geralmente dura cerca de duas semanas, após o qual pode haver uma rápida melhora e retorno à consciência, deterioração que leva à morte, ou pode levar a uma condição definida como “desordem de consciência”. Quando ocorre abertura espontânea dos olhos, mas não há evidência de que os pacientes estejam cientes de si mesmos ou de seus arredores, eles são então diagnosticados como estando em um “estado vegetativo”

Mas se o paciente apresentar sinais consistentes de consciência, mesmo que sejam mínimos e instáveis, será classificado como estando em um “estado minimamente consciente”. A ferramenta de diagnóstico padrão-ouro para avaliar o nível de consciência é a Escala de Recuperação em Coma (Revisada), que examina respostas a vários estímulos: movimentos oculares ao rastrear um objeto, virar a cabeça em direção a um som e resposta à dor, entre outros. Uma vez que a taxa de erros de diagnóstico pode chegar a 40%, recomenda-se repetir o teste pelo menos cinco vezes.

No entanto, o diagnóstico errado também pode ocorrer quando o teste é realizado repetidamente. “Em um estudo bem conhecido, um paciente diagnosticado como estando em ‘estado vegetativo’ após um acidente de carro foi escaneado em uma máquina de ressonância magnética. Enquanto estava no scanner, os pesquisadores pediram à paciente para imaginar que ela estava jogando tênis e observaram que sua atividade cerebral era semelhante à atividade cerebral de pessoas saudáveis quando também se imaginavam jogando de tênis. De repente, eles perceberam: ‘espere um minuto, ela está lá. Ela nos ouve e está respondendo aos nossos pedidos. Ela simplesmente não tem como se comunicar'”, diz Arzi.

“Também há casos conhecidos de pessoas que foram diagnosticadas em ‘estado vegetativo’, mas quando recuperaram a consciência, puderam contar em detalhes o que estava ocorrendo enquanto supostamente vegetativo. Diagnosticar o nível de consciência de um paciente que sofreu uma lesão grave na cabeça é um grande desafio clínico. O teste de cheiro que desenvolvemos pode fornecer uma ferramenta simples para enfrentar esse desafio.”

 

Leia mais: Weizmann Institute Scientists Develop “Sniff Test” that Predicts Recovery of Consciousness in Brain-Injured Patients

IA para personalizar educação científica remota

IA para personalizar educação científica remota

Reúne dados em tempo real de alunos, analisa o desempenho e oferece tarefas de acompanhamento direcionadas.

Especialistas do Departamento de Ensino de Ciências do Instituto Weizmann, criaram uma plataforma de tecnologia de aprendizagem chamada PeTeL (abreviação de Ensino e Aprendizagem Personalizada) que reúne dados em tempo real de alunos. Conhece o que eles sabem e não sabem, analisa o desempenho dos alunos usando algoritmos de inteligência artificial (IA) e oferece tarefas de acompanhamento direcionadas, de acordo com as metas definidas pelo professor.

Lançado em 2016 como um piloto limitado envolvendo um pequeno número de professores, hoje é usado em centenas de salas de aula de ciências de Israel e desde o início da pandemia tem servido como a principal plataforma de ensino a distância para mais de 9.000 estudantes do ensino médio que estão se preparando para exames de alto nível em física, mais 2.000 estudantes de química e 1.000 estudantes de biologia.

Um recurso importante para professores que buscam fazer o melhor uso das tecnologias de ensino para os alunos em isolamento social.

Leia mais: Digital Science Education

Weizmann Live Talks 20.04.20 – A ciência brasileira atuando no momento Covid-19

Weizmann Live Talks 20.04.20
A ciência brasileira atuando no momento Covid-19.

Organizado pelos Amigos do Weizmann do Brasil, a Profa. Regina Pekelmann Markus e o Prof. Luiz Vicente Rizzo participaram do evento virtual em que ofereceram um panorama sobre como a ciência brasileira está atuando nesse momento, da ciência básica ao leito do paciente.

A Profa. Regina é Pesquisadora Sênior e Membro do Conselho Deliberativo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, fundação pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Ela é também professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e Vice-Presidente dos Amigos do Weizmann Brasil. O Prof. Luiz Vicente Rizzo, médico e ex professor da Universidade de São Paulo, Diretor Superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

 

Pontos principiais comentados pelos pesquisadores:

A professora Regina mostrou como funciona hoje no Brasil a estrutura geral dos financiadores da ciência e dos cientistas. Explicou quais são as principais fontes de recursos, tanto a nível federal como estadual, como as do âmbito privado. Explicou as peculiaridades e as diferenças entre os fundos da CAPES, destinados a formação dos cientistas, aos destinados diretamente para a produção científica e inovação como os recursos da CNPq, FINEP, EMBRAPII, FNDCT, Ministério da Saúde e BNDES. A nível estadual, a Profa. Regina colocou em valor as Fundações de amparo a pesquisa estaduais, com destaque ao trabalho que desenvolve a FAPESP, do Estado de São Paulo. E ofereceu alguns exemplos novos e históricos de investimento privado, com ênfase ao trabalho de pesquisa científica que é desenvolvido no Hospital Einstein.

Do esforço do país todo para enfrentar o Covid-19 com a ciência, ela passou para o mundo sub-microscópico das células. Fez um resumo do que se sabe acerca dos mecanismos que utiliza o vírus SARS CoV2 para produzir a infecção, e na sequência a doença Covid-19. E nomeou algumas das moléculas que estão se estudando, como a melatonina, e qual é a lógica e as evidências atrás do conceito. Explicou o que há de mais inovador e complexo, mas de forma fácil para o público leigo.

A participação do Prof. Rizzo destacou a prática médica, de como o Hospital Einstein estava se preparando para a chegada dos casos desde o mês de janeiro, situação que os permitiu receber o primeiro caso no final de fevereiro já com prévias simulações de como lidar com pacientes infectados.

Comentou alguns dos 18 projetos de pesquisa em andamento pela equipe de 30 pesquisadores do hospital- com protocolos comparilhados com outras instituições – e 4 projetos em animais. Salientou que ainda há mais quatro projetos de pesquisa aguardando aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). O Prof. Rizzo exemplificou os altos custos da pesquisa científica com um exemplo esclarecedor: “Cada bolsa de plasma custa 500 dólares”.

As pesquisas do Einstein não envolvem apenas potenciais soluções terapêuticas, como as de hidroxicloroquina ou plasma, e outras focadas nos processos de anti–coagulação e imuno-modulacao. Outras procuram obter melhorias nas técnicas de diagnóstico, e há também três projetos de intervenção em saúde mental para ver quais são os métodos mais eficientes para enfrentar o burn out nos profissionais da saúde que trabalham na UTI, intervenção para pessoas em isolamento e para pacientes internados. Ele fez questão de mencionar o que chamou de “arcabouço de suporte a pesquisa”, comitês de ética, biossegurança, e o biotério, onde há ovelhas e porcos para fazer a validação de ventiladores mecânicos, e o Núcleo de Inteligência, que todos os dias faz o resumo dos novos conhecimentos que se produzem no mundo sobre SARS-CoV2 e a doença covid-19.

Das perguntas mais “urgentes” respondeu que prevê o pico entre os dias 3 e o 20 de maio, e que como a epidemia está migrando a grupos mais pobres e as UTIs públicas já estão ficando lotadas, o maior determinante na sobrevida dos pacientes será a chegada em tempo ao hospital. Relatou problema derivados da testagem, como a variabilidade na qualidade dos swab até a fiabilidade os testes disponíveis no Brasil.

“Os testes são aprovados pela ANVISA, mas não são validados. Dos 12 que testamos, 10 eram inaceitáveis, um deles que foi o escolhido era apenas aceitável. As estratégias de saída do isolamento tem que embutir um erro nos testes de ao menos 30%”’ afirmou. Foi taxativo também ao afirmar “os dados da China não batem com o que aconteceu depois na Europa ou em Nova York, o vírus deve ter surgido provavelmente em setembro e em número maior do que o divulgado” . Definiu o isolamento social como uma situação razoável, e mencionou a cidade de Los Angeles como exemplo de que o isolamento funciona.

Um dos pontos essenciais das apresentações foi a menção que a história teria sido diferente se as pesquisas feitas sobre SARS e MERS não tivessem se descontinuado quando não houve mais casos em humanos. “Mesmo com líderes como Bill Gates e Barack Obama alertando do cenário de uma possível pandemia, isto não foi incorporado como preocupação pelos grandes líderes”- frisou o Prof. Rizzo.

Mario Fleck, presidente dos Amigos do Weizmann Brasil, ressaltou que “a grande saída para recuperar a vida econômica virá da ciência”, a finalizou “hoje aprendemos que se tivéssemos investido na continuidade de uma pesquisa, não teríamos a paralisia de hoje. Não podemos repetir esse erro jamais.”

Assista na íntegra: Youtube

André Menezes Strauss (BR) e Elisabetta Boaretto (IL)

Crédito da foto: Erica Banya

André Menezes Strauss
Museu de Arqueologia e Etnologia/ USP

UNICAMP: Laboratório de Biologia Molecular do Exercício (LABMEX)

O Prof. Dr. André Menezes Strauss é arqueólogo e geólogo, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e coordenador do Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva e desenvolveu o projeto conjunto com a professora Elisabetta Boaretto.

O Professor André recebeu o prêmio 2019 Excelência para Novas Lideranças, concedido a docentes com até 40 anos de idade que se destacam pelo impacto de sua pesquisa científica, artística ou cultural (categoria Humanas). É graduado em Ciências Sociais pela PUC-SP (2006) com mestrado na USP e doutorado e pós doutorado em Ciências Arqueológicas na Alemanha.

Coordenador do projeto “Morte e Vida na Lapa do Santo: uma biografia arqueológica dos povos de Luzia”, desenvolveu um software de gerenciamento de escavação e implementou técnicas avançadas de documentação arqueológica. Como especialista em arqueologia virtual trabalha com a emergência do comportamento simbólico e coordena o projeto “Arqueogenômica do Brasil pré-colonial”, pioneiro na extração de DNA antigo de esqueletos arqueológicos do Brasil.

O projeto

“É um projeto de arqueologia cujo tema geral é a História Antiga da América. Mais especificamente, nosso objetivo é conseguir estimar a antiguidade de dois eventos marcantes na história da ocupação humana do continente: a extinção da mega-fauna e a explosão de pinturas rupestres no Brasil Central. Você sabia que nós arqueólogos não temos ideia da antiguidade das famosas pinturas rupestres do Brasil? Serão conquistas importantes se conseguirmos avançar nesses dois pontos”.

Você sabia que nós arqueólogos não temos ideia da antiguidade das famosas pinturas rupestres do Brasil? Serão conquistas importantes se conseguirmos avançar nesses dois pontos”.

O Centro Kimmel para Arqueologia do Instituto Weizmann e a Profa. Boaretto são referência mundial em datação de material arqueológico.

A história de esta parceria teve início quando, no ano 2018 o Dr. André Zular, um geólogo especializado em datação por método de luminescência, estava fazendo seu pós- doutorado no Weizmann. O Dr. Zular, que foi um dos primeiros bolsistas dos Amigos do Weizmann para a Escola do Verão do Weizmann (1982), e apresentou a Prof. Boaretto a pesquisadores brasileiros dessa área, mais especificamente com o Prof. Francisco William da Cruz, da USP. Ao mesmo tempo, uma outra equipe de cientistas buscava um arqueólogo brasileiro para ajudar a desenvolver um projeto multidisciplinar relacionando mudanças climáticas e história humana. “Aceitei o convite na hora e pouco depois tive o privilégio de passar uma semana na companhia de todos eles (Profa. Boaretto veio ao Brasil) numa etapa de campo organizada pelo Prof. Francisco no Vale do Rio Peruaçu. Para além das intersecções científicas acabamos todos nos entendo muito bem: dessa sintonia nasceu a intenção de consolidar a colaboração científica internacional que agora ganha fôlego com a aprovação desse projeto.”

Profa. Elisabetta Boaretto

Diretora do Centro Kimmel de Ciências Arqueológicas e do Laboratório D-REAMS (accelerator mass spectrometry laboratory for radiocarbon dating) que promove projetos de pesquisa que cronometram mudanças culturais, ambientais e materiais na história da humanidade, utilizando tecnologia de ponta.

Leia mais:
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Cientista quer recontar história de Jerusalém
Para isso, pesquisadora usar

Leandro Pereira de Moura (BR) e Atan Gross (IL)

Leandro Pereira de Moura
Faculdade de Ciências Aplicadas/UNICAMP

O Prof. Leandro Pereira de Moura, da Faculdade de Ciências Aplicadas/UNICAMP, tem um projeto conjunto com o Prof. Atan Gross, do Instituto Weizmann de Ciências.

O Prof. Dr. Leandro é docente do Curso de Ciências do Esporte da Faculdade de Ciências Aplicadas – UNICAMP, dos programas de pós-graduação em Ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo (UNICAMP/Limeira) e em Ciências da Motricidade (UNESP/Rio Claro).

Graduado em Educação Física e Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP-Rio Claro, realizou doutorado sanduíche em Ciências da Motricidade na Escola de Medicina de Harvard e na Escola de Saúde Pública de Harvard (2014) pelo Instituto de Biociências da UNESP-Rio Claro (2012). O pós-doutorado foi pela UNICAMP em parceria com a Escola de Saúde Pública de Harvard.

O projeto

“O excesso de acúmulo de gordura no fígado pode ser um sério problema se não tratado. Após o acúmulo excessivo de gordura, inicialmente, o órgão passa a ter um perfil inflamado e se não houver nenhum tipo de tratamento pode desenvolver cirrose, que quando não tratada, pode evoluir para algum tipo de carcinoma e em alguns casos levar o órgão à falência. Ainda, em pessoas obesas, somente o fato de acumular mais gordura no fígado contribui para o desenvolvimento do diabetes mellitus“, explica o Dr. Leandro e acrescenta que para o tratamento da Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica (DHGNA) não há medicamentos seguros: os médicos recomendam mudança de hábitos alimentares e a prática de exercícios físicos.

“Entretanto, o modo como a prática de exercício físico faz com que ocorra redução de estoques de gordura em um órgão periférico ainda não é bem descrita na literatura. Nesse sentido, nossas equipes pretendem entender melhor como esse acúmulo de gordura acontece e, adiante, investigar como a prática de exercício físico pode beneficiar animais ou pessoas portadoras da DHGNA.

Nossas equipes pretendem entender melhor como acontecem os acúmulos de gordura e investigar como a prática de exercício físico pode beneficiar animais ou pessoas portadoras da Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica

Esta pesquisa possui um caráter translacional, ou seja, vamos investigar o acúmulo de gordura em cultura de células hepáticas e em fígados de camundongos e humanos obesos, para, adiante, investigar o papel do exercício físico aeróbio. Acreditamos que uma proteína que fica acoplada na membrana mitocondrial hepática (MTCH2) pode estar envolvida nesse processo de controle do armazenamento de gordura no órgão. Caso nossa hipótese venha a ser confirmada, num futuro não tão distante e após outras confirmações, poderemos elencar a modulação dessa proteína como um possível alvo para o tratamento da DHGNA.”

Leia também:
– Estudo mostra como o exercício de força controla o diabetes em indivíduos obesos
Musculação pode ter efeito rápido em redução da gordura no fígado, indica estudo

Prof. Atan Gross

As mitocôndrias são organelas altamente dinâmicas que desempenham papéis fundamentais em processos celulares fundamentais, e sua disfunção resulta no desenvolvimento de muitos tipos de doenças. Os principais tópicos de pesquisa do laboratório do Prof. Atan Gross estão relacionados as mitocôndrias como coordenadoras do metabolismo e a morte celular e a sua relevância para gerar doenças.

Leia mais: Prof. Atan Gross