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Mais perto de trazer alívio à dor crônica

 

 Mais perto de trazer alívio à dor crônica

Uma pesquisa multidisciplinar em três continentes gera a possibilidade de uma nova abordagem para tratamentos com remédios já conhecidos para outras finalidades. A pesquisa publicada na revista Science tem como alvo uma molécula que move mensagens de dor para os núcleos de células nervosas.

A dor crônica nem sempre tem uma causa clara e pode durar anos. Um novo estudo liderado por cientistas do Instituto Weizmann de Ciências sugere uma abordagem original para tratar essa aflição, alterando o caminho que leva à ativação de genes nas células nervosas que desempenham um papel em muitas formas de dor crônica. Os achados deste estudo foram publicados na revista Science.

Pesquisadores do Departamento de Ciências Biomoleculares estudaram umas moléculas que controlam o trânsito de informação dentro e fora dos núcleos das células chamadas importinas. Trabalhando com camundongos mutantes criados na Alemanha, descobriram que uma importina em particular, a alfa 3, seria importante para controlar o caminho da dor. Uma pesquisa mais aprofundada levou os cientistas a se interessarem também em outra molécula que é levada ao interior do núcleo dos neurônios pela mencionada importina chamada c-Fos.  Ao se acumular, a c-Fos produz dor crônica nos animais.

Na sequência utilizando vírus como ferramentas, os pesquisadores conseguiram desativar estas proteínas. O resultado foi que os camundongos sentiram menos dor.  Isso sugere que o bloqueio da atividade da importina alfa-3 pode ser um caminho para prevenir dor crônica duradoura.

Para acelerar a aplicação clínica do novo conhecimento, e com a ajuda de uma base de dados dos Estados Unidos, a Connectivity Map (CMap) foram identificadas 30 drogas que podiam interferir neste processo. Quase dois terços dos compostos identificados não eram conhecidos anteriormente por estarem associados ao alívio da dor. A equipe escolheu dois – um medicamento cardiotônico e um antibiótico –  testou-os novamente em camundongos e a injeção com esses compostos forneceu alívio dos sintomas de dor.

Interferir nessas moléculas-alvo poderia causar menos efeitos colaterais e ser menos viciantes do que os tratamentos atuais. Como se trata de medicamentos conhecidos,  a chegada ao mercado após os ensaios clínicos, poderia ser muito mais rápida..

Saiba mais: Targeting a Chronic Pain Gateway Could Bring Relief

 

Memória e sono: aroma de rosas para descobrir atividades cerebrais

 Memória e sono: aroma de rosas para descobrir atividades cerebrais

Pesquisadores do Weizmann realizam um experimento único envolvendo fragrâncias para consolidação da memória durante o sono. O estudo pode ajudar os pesquisadores a entender como o sono auxilia na memória e apontar para novos meios de lidar com vários tipos de traumas cerebrais, tanto emocionais quanto físicos

Odores podem ser uma ferramenta forte para reativar memórias durante o sono, segundo experimentos prévios realizados no Weizmann. No novo estudo, os voluntários cheiraram rosas e aprenderam os locais das palavras que foram apresentadas nos lados esquerdo ou direito de uma tela de computador. Depois se deitaram para tirar cochilos no laboratório, com eletrodos ligados para registrar sua atividade cerebral. Enquanto dormiam, a fragrância foi liberada novamente, mas desta vez, para uma única narina. O que os pesquisadores observaram foi que os dois hemisférios cerebrais apresentavam o tipo de atividade elétrica que está envolvida na consolidação da memória, mas a metade do cérebro que estava “cheirando as rosas” mostrou uma atividade mais sincronizada. Quando os sujeitos acordaram e retomaram o teste, eles tiveram mais sucesso em lembrar os locais das palavras apresentadas ao lado do cérebro estimulado com o cheiro enquanto dormiam.

Odores podem ser uma ferramenta forte para reativar memórias durante o sono

Como cada uma das narinas tem sua própria conexão com o mesmo lado do cérebro, este experimento mostrou que o processo de consolidação da memória durante o sono é, de fato, afetado por odores relacionados à memória. O experimento pode ser uma ferramenta poderosa para entender como as memórias são levadas do “armazenamento de curto prazo” para os bancos de memória mais permanentes, em uma parte diferente do cérebro.

De acordo com o Prof. Rony Paz, o estudo sugere que há um diálogo acontecendo todas as noites entre distintas partes do cérebro e o cheiro pode ser usado para melhorar, ou possivelmente interferir nesse diálogo.

O novo método pode eventualmente ir além do laboratório para fortalecer o processo de criação de memórias e restauração do equilíbrio nos casos de transtorno de estresse pós-traumático e apontar novos caminhos para tratamentos de lesões cerebrais por exemplo, no AVC.

 

Leia mais: One-Sided Memories and Sleep

 

 

Conheça o novo presidente do Weizmann

Prof. Alon Chen

Prof. Alon Chen

Prof. Alon Chen, no cargo desde o dia 1 de dezembro.

Nascido em Israel em 1970, Alon Chen é um neurocientista de renome mundial, que elucidou muitos mecanismos pelos quais o cérebro regula a resposta do corpo ao estresse e como essa resposta está ligada a distúrbios psiquiátricos. Nos últimos seis anos, foi pesquisador do Weizmann e diretor do Instituto Max Planck de Psiquiatria em Munique. Renunciou a esse papel na Alemanha para se concentrar em seu laboratório no Weizmann e seu novo cargo como presidente do Instituto Weizmann de Ciências.

Leia a entrevista na integra (em inglês): Prof. Alon Chen

Leia mais: Bio

Conheca a pesquisa: A personalidade dos animais

A personalidade dos animais

 

Cientistas liderados pelo neurocientista e presidente eleito do Instituto Weizmann, Prof Alon Chen, criaram um método para medir a personalidade animal. Um estudo em camundongos publicado no periódico Nature Neuroscience faz a conexão entre genes, comportamento e personalidade.

A personalidade é por definição algo que é individual e permanece razoavelmente estável a vida toda. Nos humanos é avaliada com questionários de múltipla escolha, mas para os camundongos os pesquisadores a avaliaram a partir dos comportamentos. E os camundongos mostraram ter uma gama de personalidades quase tão grande quanto a nossa própria.

A personalidade dos camundongos foi explorada por dois grupos de pesquisadores, um grupo que trabalha no Instituto Weizmann e um outro no Instituto Max Planck de Psiquiatria na Alemanha. Pequenos grupos de camundongos foram colocados em ambientes com comida, abrigo e brinquedos e podiam interagir e explorar livremente o espaço. Os animais foram filmados ao longo de vários dias e seu comportamento analisado com profundidade. Assim, identificaram 60 comportamentos separados. Por exemplo, ao se relacionarem com outro indivíduo, o comportamento era de aproximação, perseguição, fuga, podiam compartilhar comida ou manter aos outros longe de comida, podiam explorar ou se esconder.

 

 

Quatro camundongos em uma gaiola exibiram cerca de 60 comportamentos diferentes.

Veja o vídeo.

Um algoritmo foi criado para extrair as características de personalidade. Assim como a pontuação de personalidade dos humanos, classifica em escalas, que avaliam cinco pontos (extroversão, simpatia, consciência, neuroticismo e abertura à experiência) o algoritmo desenvolveu quatro escalas para os camundongos. Os cientistas descobriram que cada camundongo pode ser visto como uma personalidade única e individual. Em situações estressantes, mesmo que os comportamentos mudaram, o que eles tinham avaliado como personalidade permaneceu o mesmo.

Outros estudos permitiram identificar nos cérebros dos animais genes associados a algumas características de personalidade.

Uma compreensão quantitativa das características que fazem de cada animal um indivíduo pode ajudar a responder algumas das questões abertas na ciência sobre as conexões entre genes e comportamento. E no futuro talvez permita desenvolver uma psiquiatria personalizada com tratamentos individualizados. Este avanço servirá também para conhecer melhor os animais.

Saiba mais: First time method measuring animal personality