Ciência

Novo método permite ver o interior de dezenas de milhares de células individuais ao mesmo tempo e com mais detalhes

 Novo método permite ver o interior de dezenas de milhares de células individuais ao mesmo tempo e com mais detalhes

Em camundongos, essas “informações privilegiadas” permitiram identificar um subconjunto de células imunes que “colaboram” com o câncer, bloqueá-las e matar o tumor.

Um grupo de pesquisa do Instituto Weizmann de Ciências desenvolveu uma tecnologia que permite ver o interior de dezenas de milhares de células individuais, ao mesmo tempo e em maiores detalhes do que nunca. O grupo, liderado pelo Prof. Ido Amit, do Departamento de Imunologia do Instituto, aplicou esse método para definir as células imunes que se infiltram nos tumores. Assim, identificou um novo subconjunto de células imunes inatas que “colaboram” com o câncer. Em camundongos, bloquear essas células imunes inibidoras permitiu matar o tumor.

A nova técnica, chamada INs-seq (intracellular staining and sequencing– coloração e sequenciamento intracelular em trad. livre) permite aos cientistas medir RNA, proteínas e estudar processos bioquímicos que ocorrem dentro de cada uma das células. Essa riqueza de “informações privilegiadas” pode ajudá-los a desenhar distinções muito mais finas entre diferentes subtipos celulares e atividades do que é possível com os métodos existentes. Os cientistas usaram a tecnologia para abordar uma questão que vinham tentando resolver há décadas: Por que o sistema imunológico não reconhece e mata células cancerígenas, e por que a imunoterapia muitas vezes falha? A resposta poderia estar em ações específicas de subgrupos de células imunes. Os pesquisadores acreditam que a INs-seq pode ajudar os pesquisadores a identificar essas células particulares e desenvolver novas terapias para tratá-las

A  Yeda Research and Development, braço de transferência de tecnologia do Instituto Weizmann de Ciências, já está  trabalhando não apenas no desenvolvimento de um novo anticorpo de imunoterapia para uso clínico mas na transferência da tecnologia INs-seq.

 

Saiba mais: Internal Differences: A New Method for Seeing into Cells

 

 

Escola de Verão 2020

Enzo Kaneko Ebert

Conheça Enzo, bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2020

Enzo Kaneko Ebert, 18 anos, Rio Claro – SP

Estudou durante 12 anos no Colégio Koelle. Atualmente está no primeiro ano de física da Universidade Estadual Paulista de Rio Claro, com planos de ir estudar na Alemanha ou França.

O interesse de Enzo pela ciência começou no ensino fundamental através das olimpíadas científicas, como a OBA e Canguru. “Porém, me apaixonei de fato por ciência, mais especificamente pela física, quando entrei no colegial. Depois de começar a ler vários livros de física pela recomendação de um querido professor, decidi que queria me envolver mais com o que estava lendo. Foi aí que vieram os meus projetos de pesquisa e participação em programas de verão aqui e fora do Brasil. Meu maior interesse no momento é o estudo da matéria condensada.”

Ele imagina os cientistas do Weizmann como “extremamente apaixonados pelo que fazem e com um grande comprometimento com a ciência básica.”

Gabriella Arienne

Conheça Gabriella, bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2020

Gabriella Arienne, 19 anos, Mesquita – RJ

Estudou por 7 anos no colégio Miguel Couto e atualmente faz Faculdade de Medicina na UNESA.

“Meu interesse pela ciência foi despertado no colégio, antes mesmo de eu entrar no ensino médio”- garante. Fascinada por biologia, descobriu as feiras de ciências para jovens por meio de professores. “Tive certeza de que lá era o meu lugar.” Mas havia um problema, a escola não tinha laboratório. Gabrielle decidiu, mesmo assim, criar um projeto e testá-lo em casa. A paixão pela ciência continua cada vez mais forte. “ A ciência me levou a lugares que certamente eu não chegaria sozinha e me deu respostas para quase todas as minhas perguntas. Pretendo continuar com a pesquisa científica durante e após a universidade.”

Ela imagina os cientistas do Weizmann como pessoas extremamente curiosas, inteligentes e, sobretudo, “com o brilho nos olhos de quem ama a ciência e decidiu dedicar sua vida a ela.”

Lúcio L. F. Neto

Conheça Lúcio, bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2020

Lúcio L. F. Neto, 18 anos, Belo Horizonte – MG

Estudou no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e agora está fazendo Bacharelado em Química na Universidade de São Paulo (USP)

Lúcio começou a gostar de ciências com 13 anos. “Foi quando comecei a participar de olimpíadas científicas no meu colégio. Depois, nunca mais perdi o interesse, e agora não imagino minha vida fora da ciência”.

João Pedro Torres

Conheça João Pedro, bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2020

João Pedro Torres, 18 anos, São Paulo – SP

Estudou no colégio Etapa. Atualmente estuda na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Começou a gostar de ciências por meio de olimpíadas científicas. Ainda no ensino fundamental conheceu as olimpíadas de matemática e física e percebeu que tinha uma forte vontade de se aprofundar nas disciplinas de ciências da natureza. Participou da Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) e ao visitar o Instituto Butantan e conhecer os pesquisadores que organizam a olimpíada foi – segundo ele- que nasceu a paixão pelo estudo das ciências biológicas. Participou também da Olimpíada de Neurociências (Brain Bee), promovida pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Durante o segundo ano do ensino médio foi selecionado para representar o Brasil na Olimpíada Ibero-Americana de Biologia e no terceiro ano na Olimpíada Internacional de Biologia.

“Desejei participar do ISSI para ter a oportunidade de aprender com pesquisadores do Instituto Weizmann e fazer amizades com outros participantes apaixonadas por ciência. Pelo prestígio do instituto e pelo que ouvi de alumni, imagino que seus cientistas sejam incríveis, muito dedicados e motivados a ensinar jovens que desejam ser pesquisadores.” – disse dias antes de começar o ISSI 2020 (virtual).

Júlia Oscar Destro

Conheça Júlia, bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2020

Júlia Oscar Destro, 18 anos, Osório – RS

Recém-formada no Curso Técnico de Administração integrado ao ensino médio no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, IFRS – Campus Osório, está no gap year, fazendo cursinho e se preparando para os vestibulares.

Quando criança, sonhava em construir um foguete para alcançar a lua. Na escola primária desenvolveu quatro projetos para as feiras de ciências anuais. “O mais incrível” – segundo ela – é que cada um focalizou uma área diferente do conhecimento. Começou estudando o sistema solar (física/astronomia), passou para pesquisa com visão e ilusão de ótica (biologia), verificou a qualidade da água fornecida ao consumo doméstico (química) e finalizou com uma abordagem das máquinas simples do cotidiano (matemática/física).

No ensino médio, sob orientação especializada dos professores desenvolveu duas pesquisas inéditas sobre a qualidade microbiológica das areias de praia e a produção da EcoBoard, um painel ecológico usando resíduos agroindustriais (casca de arroz e sabugo de milho) colados com resinas vegetais.

“Imagina os cientistas do Weizmann como pessoas incríveis que enfrentam desafios e ultrapassam barreiras diariamente para produzir conhecimentos que marcam o mundo e as pessoas. O trabalho voltado à pesquisa básica é louvável, pois fundamenta e incentiva outros a melhor pesquisar.” ‘ disse dias antes de começar a ‘“Weizmann Experience” 2020.

Terceiro Tour Virtual no campus

Terceiro Tour Virtual no campus

No terceiro episódio de “Uma janela para o Campus” faça um tour virtual pelo Instituto Weizmann de Ciências, conheça os pesquisadores e descubra alguns de seus laboratórios mais escondidos. A série de vídeos destaca diferentes aspectos do Instituto, incluindo seus prédios históricos, laboratórios de última geração, arte, pessoas e muito mais.

 

Desafiando as leis da evolução

 Desafiando as leis da evolução

A evolução é contínua e implacável. Darwin propôs que este processo surpreendente é regido por uma regra simples: seleção de indivíduos suficientemente aptos, sofrem mudanças passando-as para a prole. Mas algumas das descobertas científicas dos últimos anos tendem a complicar esse quadro simples. Entre outros aspectos cada animal e planta não é um indivíduo simples, mas um hospedeiro, coabitando com uma variedade de microrganismos que vivem pouco tempo. Isso levanta a questão: Como conciliar a lenta evolução dos anfitriões com a evolução muito mais rápida de seus microrganismos?

O Prof. Yoav Soen do Instituto Weizmann de Ciências e seus colegas da Universidade Bar-Ilan, criaram um modelo dessa evolução entrelaçada. Os possíveis desfechos evolutivos incluem cenários que vão contra algumas das crenças mais frequentes.

Saiba mais (em inglês): Evolution within

Cientistas do Weizmann resolvem o Enigma da construção do Arco de Wilson, sob o Monte do Templo de Jerusalém

 Cientistas do Weizmann resolvem o Enigma da construção do Arco de Wilson, sob o Monte do Templo de Jerusalém

A história da construção  de uma estrutura icônica nos túneis da Muralha Ocidental foi revelada pela análise de um punhado de sementes carbonizadas com uma tecnologia desenvolvida no Instituto Weizmann de Ciências. O arco fazia parte de uma ponte que levava os fiéis ao Monte do Templo e foi construído como parte da Muralha Ocidental do complexo há cerca de 2000 anos. Através deste projeto de investigação determinou-se que o arco, que apoiou um dos principais caminhos para o Segundo Templo, foi construído em duas fases distintas. Nos seus primeiros dias, durante o governo do Rei Herodes o Grande ou ligeiramente depois, quando a ponte tinha 7,5 metros de largura. Pouco tempo depois, no século I d.C., a largura da ponte foi duplicada. O tamanho e a obra do arco atestam a importância do Monte do Templo durante a época do Segundo Templo Judaico, quando milhares de pessoas teriam participado nas cerimônias.

O enigma do Arco de Wilson não poderia ter sido resolvido sem o uso da micro arqueologia

 

O enigma do Arco de Wilson não poderia ter sido resolvido sem o uso da micro arqueologia. A extrema precisão dos resultados do laboratório do Instituto Weizmann de Ciências permitiu resolver a questão e os cientistas acreditam que podem ajudar a resolver outros puzzles arqueológicos para os quais a datação por radiocarbono não tinha sido suficientemente precisa.”

A Prof. Elisabetta Boaretto e a Dra.Johanna Regev, da Unidade de Arqueologia Científica do Instituto Weizmann lideraram  a pesquisa cronológica. A escavação foi realizada pelo arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel e levada a cabo pela Western Wall Heritage Foundation como parte do desenvolvimento turístico do local.

Os investigadores do Weizmann utilizaram métodos de micro arqueologia para caracterizar os depósitos em camadas e, em seguida, determinar a ligação entre qualquer amostra que seja datada e o evento arqueológico a ser datado. A Profa. Boaretto explica que conduzir pesquisas arqueológicas sobre estruturas urbanas como o Arco de Wilson, e em particular determinar a sua idade, é muito mais complicado do que em quase qualquer outro cenário arqueológico. Num centro urbano que ainda é ocupado mais de 2000 anos depois, as estruturas podem ser usadas durante séculos, componentes podem ter sido reutilizados, partes da estrutura demolidas e reconstruídas. A datação absoluta das estruturas arquitetônicas, ao contrário da datação relativa baseada na cerâmica e nas moedas, é particularmente importante para se correlacionar com os textos existentes e com figuras históricas.

Um dos materiais-chave que o grupo procurava no Arco de Wilson eram restos da argamassa ou cimento usado entre as pedras. Este material foi produzido a altas temperaturas e foram adicionados agregados para adquirir propriedades desejadas; dessa maneira,  embutidas na argamassa podem-se encontrar sementes carbonizadas . O primeiro desafio foi determinar se o material carbonizado era efetivamente um constituinte da argamassa original, e o desafio seguinte era determinar se fazia parte da construção original ou uma reparação posterior.

As sementes encontradas sob as bases das grandes estruturas também podem ser datadas e as datas das sementes presumidas serem mais antigas do que a construção. No laboratório D-REAMS (Dangoor Research Accelerator Mass Spectrometer) do Instituto Weizmann de Ciências, Boaretto e a sua equipe analisaram os materiais carbonizados que retiraram do local de escavação, estudaram sua composição e cristalinidade e a partir daí, determinaram a sua idade.

De acordo com o Dr. Uziel, da Autoridade de Antiguidades de Israel, “esta datação abrangente dos micro-restos, forneceu uma solução inequívoca para um longo enigma arqueológico – o enigma da data do Arco de Wilson.”

A equipe também trabalhou em datar outra peça da história de Jerusalém, uma pequena estrutura semelhante a um teatro construída sob o Arco de Wilson. A datação por radiocarbono indica que a construção do teatro foi provavelmente iniciada pouco antes de uma data historicamente significativa – a Segunda Revolta Judaica em 132 a.C., muitas vezes conhecida como a revolta de Bar Kochva – e não mais tarde do que a morte de Adriano. O grupo datou 33 amostras de vários locais diferentes, abrangendo um período de mais de 1000 anos.


Leia mais: Solving the Riddle: When was Wilson’s Arch, under Jerusalem’s Temple Mount, Built?