Weizmann

O novo observatório do Weizmann no Negev ajudará a moldar o futuro da descoberta da astrofísica

 O novo observatório do Weizmann no Negev ajudará a moldar o futuro da descoberta da astrofísica

Janeiro 2021

 

Fronteiras do Universo é uma iniciativa emblemática do Instituto Weizmann de Ciências que lançará uma nova geração de missões espaciais científicas israelenses e integrará a contínua pesquisa que se estende desde a  origem do Universo até o comportamento de partículas fundamentais. Um componente crítico do projeto é o WAO (Weizmann Astrophysical Observatory), agora em construção no deserto de Negev, em Israel.

Localizado perto do pitoresco Kibbutz Neot Smadar, o WAO é um tipo totalmente novo de observatório estelar baseado em dezenas de componentes telescópicos ligados. Permitirá digitalizar o universo visível em resolução temporal extremamente alta, e rastrear eventos celestes em desenvolvimento rápido.

Os avanços tecnológicos recentes por parte dos pesquisadores do Weizmann tornaram possível alcançar um aumento significativo no custo-efetividade, ao mesmo tempo em que forneceram capacidades digitais que possibilitam observar o espaço de uma maneira que nunca foi possível antes.

Leia mais: Ground control to major discoveries

Carta Retrospectiva 2020

Retrospectiva 2020

O que aprendemos com a pandemia?

Adaptabilidade, resiliência e solidariedade. Da comunidade Weizmann para o mundo.

 

“A pandemia não cortou nossas asas. Saímos voando mais rápido e mais alto”,
Prof. Alon Chen,
Presidente Instituto Weizmann de Ciências

Nada ficou como era. O mundo agora olha para a ciência com outra expectativa e confiança, e o Instituto Weizmann de Ciências e os apoiadores do mundo todo continuam à altura do desafio.

Assim que a pandemia teve início, o Weizmann foi além da pesquisa em ciência básica que o caracteriza. Mais de 60 laboratórios se puseram a buscar soluções urgentes contra a Covid-19 e investigar formas de prevenção, diagnóstico e tratamento para combater o impacto do vírus.

“A pandemia não cortou nossas asas. Saímos voando mais rápido e mais alto”, assinalou o presidente do Instituto, prof. Alon Chen.

Há múltiplas provas que sustentam a afirmação. Umindicativo da relevância do Instituto Weizmann de Ciências é que ele foi colocado na 8ª posição mundial na prestigiosa classificação de Leiden de qualidade em pesquisa. O que mesmo durante a pandemia, ingressaram novos cientistas com a missão de dirigir laboratórios e aumentaram os pedidos para estudos de pós-graduação vindos de outros países. Neste ano foi assinado também o histórico Memorando de Entendimento com a Universidade Mohamed bin
Zayed de Inteligência Artificial, (MBZUAI) dos Emirados Árabes Unidos. Os dois institutos agora trabalham em conjunto para promover o desenvolvimento e a utilização da inteligência artificial.

Também a pesquisa biomédica colaborativa alcançou um novo patamar com  a criação do Centro Schneider-Weizmann de Pesquisa em Saúde da Criança e do Adulto, parceria com o maior serviço de saúde de Israel, o grupo Clalit Health Services.

No Brasil
Todo mundo ficou em casa, mas se aproximar foi mais importante do que nunca.

Os Amigos do Weizmann participaram de diversas atividades virtuais que tiveram início quando a Profa. Regina P. Markus, Vice-Presidente do grupo e professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e o Prof. Luiz Vicente Rizzo, Diretor Superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, ofereceram um panorama sobre como a ciência estava atuando e responderam a dúvidas do grupo.

Em um outro encontro virtual, o Vice-Presidente do Instituto Weizmann de Ciências, Prof. Roee Ozeri, trouxe uma atualização sobre como os cientistas perceberam e atuaram de forma imediata onde a sua expertise podia fazer diferença. Mas adaptabilidade e resiliência não são nada sem solidariedade e muitos projetos internacionais foram pensados para que as colaborações fossem não apenas rápidas e eficientes, mas sob o modelo de ciência aberta, o que significa sem patentes nem royalties. Em outra oportunidade foi possível  ouvir sobre a situação da pandemia na voz do próprio Prof. Gabi Barbash,  diretor Emérito do Ministério da Saúde de Israel e do Programa Bench to Bedside do Instituto Weizmann de Ciências.

Mesmo sem colocar o pé em Israel, foi possível fazer vários tours virtuais pelo Instituto Weizmann de Ciências com os próprios cientistas dando as boas-vindas e mostrando alguns dos laboratórios especiais.

Do lado dos homens e mulheres de ciência, a distância nunca foi um empecilho. Ainda que distantes a dez mil quilômetros, três grupos de pesquisadores do Brasil e de Israel foram selecionados no segundo edital do programa Weizmann – FAPESP, que teve parceria com Instituto Serrapilheira,  para trabalharem juntos. E depois do distanciamento físico imposto ainda no Brasil e de uma quarentena de 14 dias, Camila Pinto da Cunha, a cientista que conquistou a primeira bolsa de pós-doutorado exclusiva para brasileiros  The Paulo Pinheiro de Andrade Fellowship, já está trabalhando no campus.

Outros foram e voltaram. Como Gabriela S. Kinker, que fez o doutorado no Instituto de Biociências da USP mas realizou no Weizmann um estudo com tecnologia de ponta ainda pouco utilizada no Brasil.  Assim, a equipe internacional conseguiu identificar potenciais barreiras ao sucesso no tratamento contra o câncer e que promete revolucionar a forma como se estudam os tumores.  Retornou também, logo antes das fronteiras fecharem, a Profa. Ana Claudia Trocoli Torrecilhas, que esteve no Weizmann três meses como parte de um programa de estímulo a internacionalização das instituições de Ensino Superior brasileiras (Programa Institucional de Internacionalização – PrInt). A Profa. Ana Claudia, professora associada na UNIFESP, agora  fala de Israel com paixão. A nação Startup mudou a sua cabeça: “Ao lado do Instituto Weizmann há um prédio inteiro de startups de área biológica. Fiquei impressionada. Para os cientistas brasileiros, fazer co-working com startups de Israel poderia ter um desdobramento muito positivo”.

Outros brasileiros permaneceram em Israel, mas não por isso estão longe. Desde Rehovot, o doutorando Rafael Stern participou  do Weizmann Live Talks com o tema “Florestas: uma solução climática?” e o pós doutorando Emilio Tarcitano  foi um embaixador do Weizmann no  bate-papo organizado pela Associação dos pós graduandos do IVB USP falando do tema: “Oportunidades e desafios na vida acadêmica”.

Em novembro, em uma janela de oportunidade quando a curva de contágio estava em queda tanto em Israel quanto no Brasil, Dany Schmit, CEO para América Latina do Weizmann, veio de Israel para São Paulo. Cercado de todas as medidas protetivas, foi possível por alguns dias vivenciar o reencontro com amigos e o trabalho lado a lado num planejamento de atividades e projetos que nos desafiam ainda mais nesse cenário onde é preciso se reinventar.

A ciência é urgente, não espera e não pode parar.

Na mídia
Como é habitual, as pesquisas do Instituto Weizmann de Ciências tiveram este ano bastante divulgação na mídia brasileira e não apenas pelos avanços relacionados a covid-19 que marcaram o noticiário.  Nas últimas semanas do ano, por exemplo, ao tempo que Jornal do Brasil informava que  cientistas do Weizmann descobriram que no pico da infecção pelo vírus SARS Co-V2 um doente pode transportar com ele até  cem bilhões de partículas virais, o jornal Folha de São Paulo e a revista Veja noticiavam uma pesquisa  do Prof. Ron Milo que aponta que o total de objetos construídos pela humanidade acaba de superar, pela primeira vez, a massa somada de formas de vida na Terra.

Cuidando do Futuro
Fato inédito em 52 anos, a participação na Escola de Verão (Dr. Bessie Lawrence International Summer Science Institute -ISSI) não foi presencial. Mas mesmo sem viajar, os selecionados pela Banca examinadora dos Amigos do Weizmann, Júlia Oscar Destro
(Osório – RS), João Pedro Torres (São Paulo – SP), Lúcio L. F. Neto (Belo Horizonte – MG) e Gabriella Arienne (Mesquita – RJ) tiveram a oportunidade de conhecer melhor o Instituto. Foram organizados para eles seminários online e sessões de breakout virtual. Os jovens participaram de um projeto de pesquisa e seis alumni brasileiros da Escola de Verão, entre eles a renomada Prof.  Alicia Kowaltowski, atuaram de mentores. Assim, como os mais de 80 bolsistas anteriores, eles criaram laços com estudantes e cientistas do
Weizmann e dos outros países.

Ser alumni é fazer parte da família Weizmann para sempre. Compartilhamos com eles as alegrias e ficamos felizes de ver nossa ex-bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2018, Maria Vitória Valoto, ser escolhida entre os vinte brasileiros perfilados em um especial de VEJA “20 jovens brasileiros para acompanhar”.

Mas os jovens cientistas do futuro não precisam ter passado pelo campus para estar no nosso foco. Este ano o Instituto Davidson de Educação Científica, braço educacional do Weizmann, lançou um novo site: Stuck at Home?, disponível em inglês, que oferece um
conjunto de atividades de ciência digital para toda a família e o programa gratuito Window to the future, que promoveu ao longo de 5 domingos encontros entre alunos de 14 a 18 anos do mundo todo e os principais cientistas do Weizmann. Mais de 60 estudantes
brasileiros participaram dos encontros!

A reunião anual do International Board  aconteceu como sempre no mês de novembro. As apresentações das iniciativas científicas com maior impacto potencial na humanidade e o
reconhecimento de figuras inspiradoras não acontece presencialmente no campus, mas foi seguido no mundo todo de forma virtual. Foram apresentadas três iniciativas de projetos tão audaciosos quanto necessários e urgentes no cenário científico mundial, em Inteligência Artificial, em Neurociências (a criação do Institute for Brain and Neural Sciences), e o Projeto Frontiers of the Universe, que lançarão o Weizmann em uma odisseia em direção ao futuro da neurociência e da  física, respectivamente.

O acúmulo mundial de conhecimento em torno do coronavírus, ao lado das descobertas derivadas dos projetos de pesquisa relacionados ao coronavírus no Instituto já está incrementando nossa compreensão geral das doenças infecciosas e do sistema imunológico. É o futuro Institute for Infectious Disease Research do Instituto Weizmann de Ciências integrará insights dessas investigações e avançará em pesquisas de outros vírus transmitidos por animais e os desafios adicionais como a resistência
a antibióticos.

2020 não foi um ano fácil, exigiu adaptabilidade, resiliência, solidariedade. Os cientistas do Weizmann trabalharam com excelência trazendo grandes avanços para enfrentar o novo coronavírus sem descuidar da pesquisa básica e fundamental, fazendo mais perguntas e procurando as respostas para as grandes questões científicas que movem as fronteiras do conhecimento – tudo isso para tornar nossa vida mais sustentável, longa, com qualidade, facilidade e saúde.

Em meio a todos estes desafios, nos dá muita satisfação saber que estivemos juntos! Que venha #2021.

O que será preciso para evitar a próxima pandemia?

 O que será preciso para evitar a próxima pandemia?

Jan/2021

A criação do  Instituto de Pesquisa de Doenças Infecciosas no Instituto Weizmann de Ciências aplicará insights da pesquisa COVID-19 e ajudará a afastar a próxima pandemia.

O tempo passa rápido! Ou não?

 

O tempo passa rápido! Ou não?

Pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências descobriram que a maneira como experimentamos a passagem do tempo pode ser distorcida por um processo no qual aprendemos a ajustar nossas expectativas.

Eles estudaram em voluntários o descompasso entre o esperado e o recebido (erro de previsão) e comprovaram que um erro de previsão positivo (receber a mais do que esperava) resulta em uma estimativa de tempo maior, enquanto receber menos do que o esperado, produz uma sensação de menos tempo. Com o equipamento de ressonância magnética funcional (fMRI)  descobriram que os dois erros de previsão e a sensação distorcida de tempo, ocorrem na mesma estrutura profunda no cérebro.

 Além do conhecimento básico, há evidências da importância para entender desordens como Parkinson, esquizofrenia e transtorno de déficit de atenção, nos quais as interrupções na capacidade de aprender são acompanhadas por um senso de tempo prejudicado.

Saiba mais: “Prediction errors” in learning occurring near the “time circuits” in our brain alter our sense of time

Os primeiros humanos usaram fogo para produzir ferramentas de pedra

 Os primeiros humanos usaram fogo para produzir ferramentas de pedra

Um novo estudo de ferramentas antigas sugere um entendimento qualificado sobre o aquecimento do sílex para produção de diferentes formas.

Antigos hominídeos podem ter usado temperaturas diferentes para criar diferentes tipos de ferramentas. A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências que empregaram tecnologias de ponta para estudar uma coleção de ferramentas de pedra de entre 300.000 – 400.000 anos atrás.


“Não podemos saber como ensinaram aos outros a habilidade de fazer ferramentas, que experiência os levou a aquecer a pedra crua em diferentes temperaturas, ou como eles conseguiram controlar o processo, mas o fato de que as lâminas mais longas são consistentemente aquecidas de uma maneira diferente das outras peças, aponta para uma intenção”, diz o pesquisador do Departamento de Arqueologia do Weizmann, o  português Dr. Filipe Natalio.

A pesquisa foi publicada na Nature Human Behaviour.

Saiba mais:  Ancient Hominins Used Fire to Make Stone Tools

Novo método permite ver o interior de dezenas de milhares de células individuais ao mesmo tempo e com mais detalhes

 Novo método permite ver o interior de dezenas de milhares de células individuais ao mesmo tempo e com mais detalhes

Em camundongos, essas “informações privilegiadas” permitiram identificar um subconjunto de células imunes que “colaboram” com o câncer, bloqueá-las e matar o tumor.

Um grupo de pesquisa do Instituto Weizmann de Ciências desenvolveu uma tecnologia que permite ver o interior de dezenas de milhares de células individuais, ao mesmo tempo e em maiores detalhes do que nunca. O grupo, liderado pelo Prof. Ido Amit, do Departamento de Imunologia do Instituto, aplicou esse método para definir as células imunes que se infiltram nos tumores. Assim, identificou um novo subconjunto de células imunes inatas que “colaboram” com o câncer. Em camundongos, bloquear essas células imunes inibidoras permitiu matar o tumor.

A nova técnica, chamada INs-seq (intracellular staining and sequencing– coloração e sequenciamento intracelular em trad. livre) permite aos cientistas medir RNA, proteínas e estudar processos bioquímicos que ocorrem dentro de cada uma das células. Essa riqueza de “informações privilegiadas” pode ajudá-los a desenhar distinções muito mais finas entre diferentes subtipos celulares e atividades do que é possível com os métodos existentes. Os cientistas usaram a tecnologia para abordar uma questão que vinham tentando resolver há décadas: Por que o sistema imunológico não reconhece e mata células cancerígenas, e por que a imunoterapia muitas vezes falha? A resposta poderia estar em ações específicas de subgrupos de células imunes. Os pesquisadores acreditam que a INs-seq pode ajudar os pesquisadores a identificar essas células particulares e desenvolver novas terapias para tratá-las

A  Yeda Research and Development, braço de transferência de tecnologia do Instituto Weizmann de Ciências, já está  trabalhando não apenas no desenvolvimento de um novo anticorpo de imunoterapia para uso clínico mas na transferência da tecnologia INs-seq.

 

Saiba mais: Internal Differences: A New Method for Seeing into Cells

 

 

Mais perto de trazer alívio à dor crônica

 

 Mais perto de trazer alívio à dor crônica

Uma pesquisa multidisciplinar em três continentes gera a possibilidade de uma nova abordagem para tratamentos com remédios já conhecidos para outras finalidades. A pesquisa publicada na revista Science tem como alvo uma molécula que move mensagens de dor para os núcleos de células nervosas.

A dor crônica nem sempre tem uma causa clara e pode durar anos. Um novo estudo liderado por cientistas do Instituto Weizmann de Ciências sugere uma abordagem original para tratar essa aflição, alterando o caminho que leva à ativação de genes nas células nervosas que desempenham um papel em muitas formas de dor crônica. Os achados deste estudo foram publicados na revista Science.

Pesquisadores do Departamento de Ciências Biomoleculares estudaram umas moléculas que controlam o trânsito de informação dentro e fora dos núcleos das células chamadas importinas. Trabalhando com camundongos mutantes criados na Alemanha, descobriram que uma importina em particular, a alfa 3, seria importante para controlar o caminho da dor. Uma pesquisa mais aprofundada levou os cientistas a se interessarem também em outra molécula que é levada ao interior do núcleo dos neurônios pela mencionada importina chamada c-Fos.  Ao se acumular, a c-Fos produz dor crônica nos animais.

Na sequência utilizando vírus como ferramentas, os pesquisadores conseguiram desativar estas proteínas. O resultado foi que os camundongos sentiram menos dor.  Isso sugere que o bloqueio da atividade da importina alfa-3 pode ser um caminho para prevenir dor crônica duradoura.

Para acelerar a aplicação clínica do novo conhecimento, e com a ajuda de uma base de dados dos Estados Unidos, a Connectivity Map (CMap) foram identificadas 30 drogas que podiam interferir neste processo. Quase dois terços dos compostos identificados não eram conhecidos anteriormente por estarem associados ao alívio da dor. A equipe escolheu dois – um medicamento cardiotônico e um antibiótico –  testou-os novamente em camundongos e a injeção com esses compostos forneceu alívio dos sintomas de dor.

Interferir nessas moléculas-alvo poderia causar menos efeitos colaterais e ser menos viciantes do que os tratamentos atuais. Como se trata de medicamentos conhecidos,  a chegada ao mercado após os ensaios clínicos, poderia ser muito mais rápida..

Saiba mais: Targeting a Chronic Pain Gateway Could Bring Relief

 

Memória e sono: aroma de rosas para descobrir atividades cerebrais

 Memória e sono: aroma de rosas para descobrir atividades cerebrais

Pesquisadores do Weizmann realizam um experimento único envolvendo fragrâncias para consolidação da memória durante o sono. O estudo pode ajudar os pesquisadores a entender como o sono auxilia na memória e apontar para novos meios de lidar com vários tipos de traumas cerebrais, tanto emocionais quanto físicos

Odores podem ser uma ferramenta forte para reativar memórias durante o sono, segundo experimentos prévios realizados no Weizmann. No novo estudo, os voluntários cheiraram rosas e aprenderam os locais das palavras que foram apresentadas nos lados esquerdo ou direito de uma tela de computador. Depois se deitaram para tirar cochilos no laboratório, com eletrodos ligados para registrar sua atividade cerebral. Enquanto dormiam, a fragrância foi liberada novamente, mas desta vez, para uma única narina. O que os pesquisadores observaram foi que os dois hemisférios cerebrais apresentavam o tipo de atividade elétrica que está envolvida na consolidação da memória, mas a metade do cérebro que estava “cheirando as rosas” mostrou uma atividade mais sincronizada. Quando os sujeitos acordaram e retomaram o teste, eles tiveram mais sucesso em lembrar os locais das palavras apresentadas ao lado do cérebro estimulado com o cheiro enquanto dormiam.

Odores podem ser uma ferramenta forte para reativar memórias durante o sono

Como cada uma das narinas tem sua própria conexão com o mesmo lado do cérebro, este experimento mostrou que o processo de consolidação da memória durante o sono é, de fato, afetado por odores relacionados à memória. O experimento pode ser uma ferramenta poderosa para entender como as memórias são levadas do “armazenamento de curto prazo” para os bancos de memória mais permanentes, em uma parte diferente do cérebro.

De acordo com o Prof. Rony Paz, o estudo sugere que há um diálogo acontecendo todas as noites entre distintas partes do cérebro e o cheiro pode ser usado para melhorar, ou possivelmente interferir nesse diálogo.

O novo método pode eventualmente ir além do laboratório para fortalecer o processo de criação de memórias e restauração do equilíbrio nos casos de transtorno de estresse pós-traumático e apontar novos caminhos para tratamentos de lesões cerebrais por exemplo, no AVC.

 

Leia mais: One-Sided Memories and Sleep

 

 

Escola de Verão 2020

Enzo Kaneko Ebert

Conheça Enzo, bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2020

Enzo Kaneko Ebert, 18 anos, Rio Claro – SP

Estudou durante 12 anos no Colégio Koelle. Atualmente está no primeiro ano de física da Universidade Estadual Paulista de Rio Claro, com planos de ir estudar na Alemanha ou França.

O interesse de Enzo pela ciência começou no ensino fundamental através das olimpíadas científicas, como a OBA e Canguru. “Porém, me apaixonei de fato por ciência, mais especificamente pela física, quando entrei no colegial. Depois de começar a ler vários livros de física pela recomendação de um querido professor, decidi que queria me envolver mais com o que estava lendo. Foi aí que vieram os meus projetos de pesquisa e participação em programas de verão aqui e fora do Brasil. Meu maior interesse no momento é o estudo da matéria condensada.”

Ele imagina os cientistas do Weizmann como “extremamente apaixonados pelo que fazem e com um grande comprometimento com a ciência básica.”