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Nobel de química alerta para um dos mais graves problemas da medicina moderna

 Nobel de química alerta para um dos mais graves problemas da medicina moderna

Em seminário on-line promovido pela Aciesp, a cientista do Instituto Weizmann de Ciências e Nobel de Química, Ada Yonath, conta como o estudo do ribossomo – a fábrica de proteínas das células – pode ajudar a combater a resistência bacteriana a antibióticos. Segundo Ada, esse é um dos problemas mais graves da medicina moderna. Afirma ainda que, caso nada seja feito para mudar o rumo da medicina, deveremos em breve regredir à era pré-antibióticos, quando doenças causadas por parasitas e infecções como pneumonia eram quase impossíveis de serem tratadas. Leia na íntegra, a matéria da Karina Toledo para Agência FAPESP.

 

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Cientistas do Weizmann resolvem o Enigma da construção do Arco de Wilson, sob o Monte do Templo de Jerusalém

 Cientistas do Weizmann resolvem o Enigma da construção do Arco de Wilson, sob o Monte do Templo de Jerusalém

A história da construção  de uma estrutura icônica nos túneis da Muralha Ocidental foi revelada pela análise de um punhado de sementes carbonizadas com uma tecnologia desenvolvida no Instituto Weizmann de Ciências. O arco fazia parte de uma ponte que levava os fiéis ao Monte do Templo e foi construído como parte da Muralha Ocidental do complexo há cerca de 2000 anos. Através deste projeto de investigação determinou-se que o arco, que apoiou um dos principais caminhos para o Segundo Templo, foi construído em duas fases distintas. Nos seus primeiros dias, durante o governo do Rei Herodes o Grande ou ligeiramente depois, quando a ponte tinha 7,5 metros de largura. Pouco tempo depois, no século I d.C., a largura da ponte foi duplicada. O tamanho e a obra do arco atestam a importância do Monte do Templo durante a época do Segundo Templo Judaico, quando milhares de pessoas teriam participado nas cerimônias.

O enigma do Arco de Wilson não poderia ter sido resolvido sem o uso da micro arqueologia

 

O enigma do Arco de Wilson não poderia ter sido resolvido sem o uso da micro arqueologia. A extrema precisão dos resultados do laboratório do Instituto Weizmann de Ciências permitiu resolver a questão e os cientistas acreditam que podem ajudar a resolver outros puzzles arqueológicos para os quais a datação por radiocarbono não tinha sido suficientemente precisa.”

A Prof. Elisabetta Boaretto e a Dra.Johanna Regev, da Unidade de Arqueologia Científica do Instituto Weizmann lideraram  a pesquisa cronológica. A escavação foi realizada pelo arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel e levada a cabo pela Western Wall Heritage Foundation como parte do desenvolvimento turístico do local.

Os investigadores do Weizmann utilizaram métodos de micro arqueologia para caracterizar os depósitos em camadas e, em seguida, determinar a ligação entre qualquer amostra que seja datada e o evento arqueológico a ser datado. A Profa. Boaretto explica que conduzir pesquisas arqueológicas sobre estruturas urbanas como o Arco de Wilson, e em particular determinar a sua idade, é muito mais complicado do que em quase qualquer outro cenário arqueológico. Num centro urbano que ainda é ocupado mais de 2000 anos depois, as estruturas podem ser usadas durante séculos, componentes podem ter sido reutilizados, partes da estrutura demolidas e reconstruídas. A datação absoluta das estruturas arquitetônicas, ao contrário da datação relativa baseada na cerâmica e nas moedas, é particularmente importante para se correlacionar com os textos existentes e com figuras históricas.

Um dos materiais-chave que o grupo procurava no Arco de Wilson eram restos da argamassa ou cimento usado entre as pedras. Este material foi produzido a altas temperaturas e foram adicionados agregados para adquirir propriedades desejadas; dessa maneira,  embutidas na argamassa podem-se encontrar sementes carbonizadas . O primeiro desafio foi determinar se o material carbonizado era efetivamente um constituinte da argamassa original, e o desafio seguinte era determinar se fazia parte da construção original ou uma reparação posterior.

As sementes encontradas sob as bases das grandes estruturas também podem ser datadas e as datas das sementes presumidas serem mais antigas do que a construção. No laboratório D-REAMS (Dangoor Research Accelerator Mass Spectrometer) do Instituto Weizmann de Ciências, Boaretto e a sua equipe analisaram os materiais carbonizados que retiraram do local de escavação, estudaram sua composição e cristalinidade e a partir daí, determinaram a sua idade.

De acordo com o Dr. Uziel, da Autoridade de Antiguidades de Israel, “esta datação abrangente dos micro-restos, forneceu uma solução inequívoca para um longo enigma arqueológico – o enigma da data do Arco de Wilson.”

A equipe também trabalhou em datar outra peça da história de Jerusalém, uma pequena estrutura semelhante a um teatro construída sob o Arco de Wilson. A datação por radiocarbono indica que a construção do teatro foi provavelmente iniciada pouco antes de uma data historicamente significativa – a Segunda Revolta Judaica em 132 a.C., muitas vezes conhecida como a revolta de Bar Kochva – e não mais tarde do que a morte de Adriano. O grupo datou 33 amostras de vários locais diferentes, abrangendo um período de mais de 1000 anos.


Leia mais: Solving the Riddle: When was Wilson’s Arch, under Jerusalem’s Temple Mount, Built?

Por que COVID-19 mata, ou não

 

Por que COVID-19 mata, ou não

O Prof. Ido Amit, do Instituto Weizmann de Ciências, determinou o que diferencia o progresso do COVID-19 em pacientes gravemente doentes em oposição àqueles que são apenas levemente afetados. Suas descobertas, publicadas na revista Cell, podem abrir caminho para tratamentos novos e personalizados que previnam ou reduzam significativamente o impacto da doença.

O Prof. Amit, do Departamento de Imunologia, estuda a genética que controla como as células do sistema imunológico se diferenciam em subtipos específicos, e como essas várias populações celulares respondem a patógenos invasores. Essa dinâmica complexa é central para a compreensão do COVID-19; pesquisas atuais indicam que muitas mortes por coronavírus resultam da ativação excessiva do sistema imunológico. Este fenômeno, chamado de “tempestade de citocina”, poderia conter a chave para prevenir os efeitos mortais do vírus.

O que acontece nos pulmões de um paciente grave

Para determinar o que acontece em pacientes coronavírus graves, o Prof. Amit usou uma tecnologia para análise genômica unicelular desenvolvida em seu laboratório. Projetada para digitalizar sistematicamente o RNA viral — as informações genéticas inseridas em uma célula hospedeira durante o processo de infecção — esta ferramenta permite um mapeamento global preciso dos genes e das vias de comunicação ativadas em células infectadas. Esses dados de mudança dinâmica podem ser rastreados ao longo do tempo, possibilitando comparar a atividade celular global à medida que se desenrola em indivíduos severamente e levemente afetados.

No laboratório do Prof. Amit descobriram que a infecção faz com que macrófagos — células que normalmente ajudam a livrar os pulmões de infecções, vírus e micróbios — sejam substituídos por células que, pelo contrário, estimulam a doença. Eles também descobriram que em pacientes graves, as células T do sistema imunológico são neutralizadas, permitindo assim que outros vírus já presentes no corpo inflijam danos.

Este estudo realizado em conjunto com colegas na China e na França, estabelece a nova metodologia, como uma ferramenta amplamente aplicável para estudar o mecanismo das infecções virais, algo que poderia levar a testes aprimorados e tratamentos personalizados mais eficazes. A abordagem está sendo ajustada na esperança de que em breve estará disponível para uso generalizado.

Saiba mais: Why COVID-19 kills, or doesn’t

32 dados do Novo Coronavírus

 

 32 dados do Novo Coronavírus

 

Os cientistas Ron Milo e Yinon Bar-On do Instituto Weizmann, juntamente com pesquisadores de Berkeley, organizaram o excesso de informações sobre o novo coronavírus. Computaram o número de vírus que “nascem” cada vez que se multiplica, o grau de semelhança do genoma com os de outros vírus da mesma família, o tempo que demora para ingressar nas células, e até o número de copias do vírus que acharam nas fezes!. Para os cientistas, esses são dados importantes para o desenvolvimento de vacinas ou medicamentos. Mas para os leigos, são dados interessantes que satisfazem a curiosidade.

Diâmetro : ≈100 nm
Volume: 10 -3 femtolitro
Massa: ≈ 1fentograma
Proteínas na membrana: ≈2000 copias (medida para SARS-CoV-1)
Proteínas no Envelope: ≈20 copias (100 monomeros, medido para TGEV coronavirus)
Proteínas no núcleo: ≈1000 copias (medida para SARS-CoV-1)
Cumprimento espícula: ≈10 nm
Espículas por virión: ≈100 (medida para SARS-CoV-1) (300 monomeros)
Número de genes: 10-14
Número de proteínas: 24-27
Taxa de evolução. Substituições de nucleotídeos (nt.) por ano: ~10 -3 nt -1 ao ano -1 (medida
para SARS-CoV-1)
Taxa de mutação Substituições de nucleotídeos (nt.) por ciclo : ~10 -6 nt -1 ciclo -1 (medida
para MHV coronavirus)
Identidade nucleotídica com Coronavirus de morcego – 96%; de pangolim 91%; coronavirus
resfriado comum 50%
Entrada do vírion na célula: ~10 min (medido para SARS-CoV-1)
Fase eclipse: pós a penetração, em que ainda não é detectada nenhuma partícula viral : 10
horas
Tamanho de rompimento: ~ 1000 virions (medido para MHV coronavirus)
Valores máximos observados após diagnóstico em:

  • Nasofaringe: 10 6 -10 9 RNAs/swab
  • Garganta: 10 4 -10 8 RNAs/swab
  • Fezes: 10 4 -10 8 RNAs/g
  • Escarro: 10 6 -10 11 RNAs/mL

Anticorpos surgem no soro após: ≈10-20 dias
Manutenção de anticorpos: ≈2-3 anos (medido para SARS-CoV-1)
Estabilidade Viral no Ambiente (Relevância para segurança pessoal não está clara)
Meia-vida Tempo para decair 1000-vezes em
Aerossóis: ≈ 1 h. ≈4-24 h.
Superfícies ≈1-7 h. ≈4-96 h.
Ex.: plástico, papelão e metais.
(Baseada na quantificação de virions infecciosos. Testado a 21-23°C e umidade relativa do ar entre 40-65%. Números podem variar entre condições e tipos de superfícies)
Número básico de reprodução, (número de casos gerados diretamente a partir de um único caso) R0: tipicamente 2-4 pessoas, mas pode variar de acordo com local e tempo
Período de incubação (mediana): ≈5 dias (99% ≤ 14 dias, exceto assintomáticos)
Período de latência: ≈3 dias
Período infeccioso: ≈4 dias
Recuperação: casos leves: ≈2 semanas/casos graves: ≈6 semanas
A variação entre indivíduos é considerável e ainda não está bem caracterizada. As estimativas são feitas a partir de parâmetros ajustados para a população média da China e não descrevem essa variabilidade
O símbolo ≈, que representa “aproximadamente” , o símbolo ~ indica “ordem de magnitude”, ou acurácia dentro de um fator de 10.

Fonte:  elifesciences.org
Saiba mais: Covid19 – Os outros números que importam

Cientistas do Weizmann desenvolvem um teste simples de recuperação da consciência

  Cientistas do Weizmann desenvolvem um teste simples de recuperação da consciência

 

Se uma pessoa inconsciente responde ao cheiro através de uma pequena mudança em seu padrão do fluxo de ar nasal – é provável que ela recupere a consciência. Esta é a conclusão de um novo estudo conduzido por cientistas do Instituto Weizmann e publicados na revista Nature.  100% dos pacientes inconscientes com lesões cerebrais que responderam a um “teste de cheiro” desenvolvido pelos pesquisadores, recuperaram a consciência durante o período de quatro anos de estudo.

Os cientistas acham que este teste simples e barato pode ajudar os médicos a diagnosticar e determinar com precisão planos de tratamento de acordo com o grau de lesão cerebral dos pacientes

 

Os cientistas acham que este teste simples e barato pode ajudar os médicos a diagnosticar e determinar com precisão planos de tratamento de acordo com o grau de lesão cerebral dos pacientes. Os cientistas concluem que essa descoberta mais uma vez destaca o papel primordial do olfato na organização cerebral humana. O sistema olfativo é a parte mais antiga do cérebro, e sua integridade fornece uma medida precisa da integridade geral do cérebro.

Após lesão cerebral grave, muitas vezes é difícil determinar se a pessoa está consciente ou inconsciente, e os testes diagnósticos atuais podem levar a um diagnóstico incorreto em até 40% dos casos. “O diagnóstico errado pode ser crítico, pois pode influenciar a decisão de desconectar os pacientes das máquinas de suporte de vida”, diz o Dr. Anat Arzi, que liderou a pesquisa. “Em relação ao tratamento, se for julgado que um paciente está inconsciente e não sente nada, os médicos podem não prescrever analgésicos que possam precisar.” Arzi iniciou esta pesquisa durante seus estudos de doutorado no grupo do Prof. Noam Sobel do Departamento de Neurobiologia do Instituto Weizmann de Ciências e continuou como parte de sua pesquisa de pós-doutorado no Departamento de Psicologia da Universidade de Cambridge.

O “teste de consciência” desenvolvido pelos pesquisadores – em colaboração com o Dr. Yaron Sacher, Chefe do Departamento de Reabilitação de Lesões Cerebrais Traumáticas do Hospital de Reabilitação de Loewenstein – baseia-se no princípio de que nosso fluxo de ar nasal muda em resposta ao odor; por exemplo, um odor desagradável levará a cheiros mais curtos e rasos. Em humanos saudáveis, a resposta pode ocorrer inconscientemente tanto na vigília quanto no sono.

O estudo incluiu 43 pacientes com lesões cerebrais no Hospital de Reabilitação de Loewenstein. Os pesquisadores colocaram brevemente frascos contendo vários odores sob os narizes dos pacientes, incluindo um cheiro agradável de xampu, um cheiro desagradável de peixe podre, ou nenhum odor. Ao mesmo tempo, os cientistas mediram precisamente o volume de ar inalado pelo nariz em resposta aos odores. Cada frasco foi apresentado ao paciente dez vezes em ordem aleatória durante a sessão de teste, e cada paciente participou de várias dessas sessões.

 “Surpreendentemente, todos os pacientes classificados como em ‘estado vegetativo’ mas que responderam ao teste, depois recuperaram a consciência, mesmo que de forma mínima. Em alguns casos, o resultado do teste foi o primeiro sinal de que esses pacientes estavam prestes a recuperar a consciência – e essa reação foi observada dias, semanas e até meses antes de qualquer outro sinal”, diz Arzi.

Além disso, a resposta ao teste não só previu quem iria recuperar a consciência, mas também previu com cerca de 92% de precisão quem sobreviveria por pelo menos três anos.

O fato desse teste ser um teste simples e barato torna-o vantajoso”, explica Arzi. “Pode ser realizado ao lado do leito dos pacientes sem a necessidade de movê-los – e sem máquinas complicadas.”

Coma

Após uma lesão grave na cabeça, os pacientes podem entrar em estado de coma – seus olhos estão fechados e não têm ciclos de sono-vigília. Um coma geralmente dura cerca de duas semanas, após o qual pode haver uma rápida melhora e retorno à consciência, deterioração que leva à morte, ou pode levar a uma condição definida como “desordem de consciência”. Quando ocorre abertura espontânea dos olhos, mas não há evidência de que os pacientes estejam cientes de si mesmos ou de seus arredores, eles são então diagnosticados como estando em um “estado vegetativo”

Mas se o paciente apresentar sinais consistentes de consciência, mesmo que sejam mínimos e instáveis, será classificado como estando em um “estado minimamente consciente”. A ferramenta de diagnóstico padrão-ouro para avaliar o nível de consciência é a Escala de Recuperação em Coma (Revisada), que examina respostas a vários estímulos: movimentos oculares ao rastrear um objeto, virar a cabeça em direção a um som e resposta à dor, entre outros. Uma vez que a taxa de erros de diagnóstico pode chegar a 40%, recomenda-se repetir o teste pelo menos cinco vezes.

No entanto, o diagnóstico errado também pode ocorrer quando o teste é realizado repetidamente. “Em um estudo bem conhecido, um paciente diagnosticado como estando em ‘estado vegetativo’ após um acidente de carro foi escaneado em uma máquina de ressonância magnética. Enquanto estava no scanner, os pesquisadores pediram à paciente para imaginar que ela estava jogando tênis e observaram que sua atividade cerebral era semelhante à atividade cerebral de pessoas saudáveis quando também se imaginavam jogando de tênis. De repente, eles perceberam: ‘espere um minuto, ela está lá. Ela nos ouve e está respondendo aos nossos pedidos. Ela simplesmente não tem como se comunicar'”, diz Arzi.

“Também há casos conhecidos de pessoas que foram diagnosticadas em ‘estado vegetativo’, mas quando recuperaram a consciência, puderam contar em detalhes o que estava ocorrendo enquanto supostamente vegetativo. Diagnosticar o nível de consciência de um paciente que sofreu uma lesão grave na cabeça é um grande desafio clínico. O teste de cheiro que desenvolvemos pode fornecer uma ferramenta simples para enfrentar esse desafio.”

 

Leia mais: Weizmann Institute Scientists Develop “Sniff Test” that Predicts Recovery of Consciousness in Brain-Injured Patients

IA para personalizar educação científica remota

IA para personalizar educação científica remota

Reúne dados em tempo real de alunos, analisa o desempenho e oferece tarefas de acompanhamento direcionadas.

Especialistas do Departamento de Ensino de Ciências do Instituto Weizmann, criaram uma plataforma de tecnologia de aprendizagem chamada PeTeL (abreviação de Ensino e Aprendizagem Personalizada) que reúne dados em tempo real de alunos. Conhece o que eles sabem e não sabem, analisa o desempenho dos alunos usando algoritmos de inteligência artificial (IA) e oferece tarefas de acompanhamento direcionadas, de acordo com as metas definidas pelo professor.

Lançado em 2016 como um piloto limitado envolvendo um pequeno número de professores, hoje é usado em centenas de salas de aula de ciências de Israel e desde o início da pandemia tem servido como a principal plataforma de ensino a distância para mais de 9.000 estudantes do ensino médio que estão se preparando para exames de alto nível em física, mais 2.000 estudantes de química e 1.000 estudantes de biologia.

Um recurso importante para professores que buscam fazer o melhor uso das tecnologias de ensino para os alunos em isolamento social.

Leia mais: Digital Science Education

Auto detecção da perda do olfato pode ajudar a detectar o novo Coronavírus

 

 

 Auto detecção da perda do olfato pode ajudar a detectar o novo Coronavírus

Junto com febre, tosse e falta de ar, muitos pacientes com COVID-19 relatam perda temporária do olfato. Nestas pessoas, a perda olfativa é significativamente maior que pessoas com um resfriado.  Em alguns países como a França, uma pessoa que afirma ter um súbita perda olfativa é diagnosticada com Coronavirus sem ser testada. Uma abordagem semelhante está sendo considerada no Reino Unido.

Em alguns países como a França, uma pessoa que afirma ter um súbita perda olfativa é diagnosticada com Coronavirus sem ser testada.

Com base nesses dados, os cientistas do Instituto Weizmann de Ciências, em colaboração com o Edith Wolfson Medical Center, desenvolveram o SmellTracker, uma plataforma online que permite o automonitoramento do olfato com o propósito de detectar sinais precoces de COVID-19 ou na ausência de outros sintomas.

O laboratório do Prof. Noam Sobel, do Departamento de Neurobiologia do Instituto Weizmann, é especializado em pesquisa olfativa. Os pesquisadores desenvolveram anteriormente um modelo matemático que caracteriza com precisão o olfato único de cada indivíduo, uma espécie de digital olfativa pessoal.

Com base neste algoritmo, o teste online sensorial SmellTracker orienta os usuários sobre como mapear seu olfato usando cinco aromas encontrados em todas as casas (especiarias, vinagre, pasta de dente, perfume, manteiga de amendoim, etc). O teste dura cerca de cinco minutos e é capaz de monitorar mudanças repentinas na percepção do olfato. Os pesquisadores relatam que a ferramenta que eles desenvolveram já identificou com sucesso possíveis casos de coronavírus, que posteriormente foram confirmados.

Além do monitoramento pessoal, à medida que coletam mais dados, os pesquisadores melhoram a capacidade de caracterizar uma digital olfativa única para a detecção precoce do COVID-19.

Oito cepas de Coronavirus

A perda olfativa não foi relatada na China, no entanto, estudos preliminares realizados em muitos países incluindo Israel e Irã, mostraram esse sintoma em cerca de 60% dos pacientes. Os cientistas estimam que existem atualmente oito cepas ativas do vírus. O laboratório de Sobel acredita que a perda olfativa pode ser um sintoma diferenciador das várias cepas. Se isso for confirmado, o SmellTracker será capaz de mapear geograficamente os diferentes surtos.

Além do SmellTracker, o laboratório de Sobel está distribuindo entre pacientes posivitos para o coronavírus, um questionário exclusivo e kits para raspar e cheirar scratch and smell  e mapear o olfato.

Lançado com o apoio do Ministério da Defesa, será promovido  oficialmente na Suécia, França e outros países. O teste do senso do olfato está atualmente disponível em inglês, hebraico e árabe, e em breve estará também em sueco, francês, japonês, espanhol, alemão e persa.

 

Leia mais: Self-Monitoring Sense of Smell May Help Detect Coronavirus

Espectro autista: avanço na compreensão das “inferências” no cérebro social

  Espectro autista:  avanço na compreensão das “inferências” no cérebro social 

 

Cientistas do Weizmann fizeram um grande avanço na compreensão do funcionamento do cérebro, o que no futuro, pode permitir encontrar maneiras de mudar o comportamento nas pessoas com o transtorno do espectro autista.

Pouco se sabe sobre como são codificadas as informações sociais no córtex pré-frontal, a parte do cérebro que utilizamos para entender as necessidades e emoções dos outros. Os pesquisadores Tal Tamir e Dana Rubi Levy (foto) do Departamento de Neurobiologia, decidiram testar a forma como os animais processam informações sociais usando o olfato. Os odores são o meio de comunicação dos camundongos, e mediante eletrodos os cientistas estudaram com precisão como os cérebros respondiam a diferentes odores.

 Primeiro descobriram que a resposta no córtex pré-frontal, era muito mais forte quando os ratos cheiravam outros ratos do que quando eram expostos a qualquer outro cheiro, como manteiga de amendoim, banana ou grama recém-cortada. Nessa área, as respostas “sociais” envolveram cerca do dobro de neurônios daqueles que respondem a alimentos ou grama. Ferramentas computacionais desenvolvidas no Weizmann permitiram descobrir configurações de redes de neurônios que codificavam odores como “vocábulos” que representam estímulos sociais ou não sociais.

Ferramentas computacionais desenvolvidas no Weizmann permitiram descobrir configurações de redes de neurônios que codificavam odores como “vocábulos” que representam estímulos sociais ou não sociais.

No estudo publicado na revista Nature Neuroscience mostraram não apenas como os neurônios no córtex pré-frontal de camundongos distinguem entre estímulos sociais e não sociais, e ainda revelaram como os cérebros de ratos “autistas” não conseguem distinguir adequadamente entre os dois.

Expostos a esses cheiros pela segunda vez, os animais foram muito rápidos para aprender que era o que. O grupo repetiu seus experimentos com camundongos geneticamente modificados para ter mutações associadas ao autismo, e os neurônios desses ratos não distinguiam entre os aromas de outros camundongos e os odores não sociais, e também não melhoraram com a exposição repetida. De fato, na comunicação entre células nervosas havia muito mais variabilidade espontânea, como se houvesse “interferência” na linha.

 Os cientistas acreditam que esses resultados podem ser relevantes para entender o transtorno e no futuro, encontrar maneiras de reduzir a “interferência na linha” e levar a mudanças comportamentais em pessoas com transtorno do espectro autista.

Leia mais: Social Life Neuron

COVID-19: Os outros números que importam

 COVID-19: Os outros números que importam

Dados numéricos revelam fatos importantes.  Os cientistas Ron Milo e Yinon Bar-On do Instituto Weizmann, juntamente com pesquisadores de Berkeley, utilizaram um método de pesquisa original para organizar o excesso de informações sobre o coronavírus em uma estrutura ordenada. Os cientistas examinaram centenas de estudos e com a experiência acumulada em  estudos anteriores, nos quais computaram o número de células no corpo humano e a distribuição de biomassa na Terra, calcularam a semelhança do genoma do novo coronavírus com os de outros vírus da mesma família.

Os cientistas publicaram também outros dados numéricos precisos sobre a ligação do vírus a vários órgãos do corpo e outros números relevantes para o desenvolvimento de vacinas ou remédios.

Uma outra parte da pesquisa, avalia a taxa de acumulação de mutações do vírus, dado que pode ser relacionado à probabilidade do vírus “contornar” as vacinas desenvolvidas contra ele. A taxa é lenta e Milo avalia – com cautela! – que isso pode indicar que drogas e vacinas desenvolvidas por cientistas serão mais duráveis.

Dois passos à frente do Coronavírus

Gush Dan é a maior área metropolitana de Israel, onde fica Tel Aviv-Yafo, a sua maior cidade. Cada cor indica a taxa média de sintomas reportados. Verde, taxa baixa e vermelho, taxa alta.

 Dois passos à frente do Coronavírus

Método pioneiro para prever a propagação do coronavírus desenvolvido no Weizmann, pode ajudar a organizar a quarentena, concentrando esforços nas áreas onde o surto é antecipado e aliviando as medidas nas outras.

Um método para monitorar, identificar e prever as zonas de disseminação do coronavírus, desenvolvido por cientistas do Instituto Weizmann de Ciências em colaboração com pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e Clalit Health Services em coordenação com o Ministério da Saúde, têm atraído considerável interesse internacional. Outros países começaram a implementar o método, que se baseia em questionários para a população e na análise dos dados obtidos.

Os questionários acompanham o desenvolvimento de sintomas causados pelo vírus e os dados são analisados por algoritmos de Big Data e Inteligência artificial. Como a disseminação viral ocorre em grupos de infecção, a identificação precoce de clusters pode facilitar ações destinadas a retardar a propagação do vírus.

O projeto piloto foi lançado em Israel há cerca de uma semana pelos Prof. Eran Segal e Prof. Benjamin Geiger do Instituto Weizmann de Ciências, e o Prof. Yuval Dor da Universidade Hebraica de Jerusalém. Cerca de 60.000 israelenses responderam o questionário até o momento. A análise preliminar dos dados levou os cientistas a identificar um aumento significativo dos sintomas relatados pelo público em áreas onde tinham passado pacientes verificados. Esse mapeamento preciso, pode permitir que as autoridades de saúde concentrem esforços em áreas nas quais se prevê um surto e disseminação do vírus – ao mesmo tempo em que permite que eles suavizem as medidas em áreas onde não se espera um surto.

“Esses questionários são a única ferramenta que pode apresentar um quadro geral do surto em todo o país. É importante ressaltar que eles não têm a intenção de substituir os esforços para aumentar o número de exames que identificam pacientes e portadores”, diz o Prof. Segal. “No entanto, devido a restrições logísticas e econômicas os testes nunca podem cobrir toda a população. Acreditamos que nosso método pode fornecer ao Ministério da Saúde uma ferramenta estratégica para combater a crise.”

Os cientistas continuaram o desenvolvimento juntamente com o Prof. Ran Balicer do Instituto de Pesquisa Clalit   e outros pesquisadores, e publicaram recentemente um artigo sobre o método no   site  MedrXiv, pedindo a outros países para implementá-lo.Muitos países, incluindo os Estados Unidos, Índia, Luxemburgo, Malásia, Espanha, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha também começaram a adotar o método do questionário. Os cientistas estão atualmente trabalhando para estabelecer um fórum global liderado pelo Prof. Segal e outros pesquisadores dos Estados Unidos, com o objetivo de compartilhar dados e idéias  e criar ferramentas de previsão e comparação em conjunto.

O questionário não diagnostica infecção por coronavírus, é anônimo e todos os dados serão utilizados apenas para  monitorar a disseminação do vírus. Os cientistas estão adotando todas as medidas para manter a privacidade e a segurança da informação dos entrevistados.

Saiba mais: Two Steps Ahead of the Coronavírus