ISSI

Escola de Verão 2023 – Fellipe Wander Godoy

 Fellipe Wander Godoy

Fellipe tem 18 anos e atualmente cursa engenharia biomédica na Faculdade Israelita das Ciências da Saúde Albert Einstein.

Fellipe Wander Godoy fala sobre os momentos finais do programa da Escola de Verão do Weizmann 2023. "Acampamento no deserto do Negev, apresentações científicas e idas à praia marcaram nossa última semana no Instituto Weizmann de Ciências". Apesar da dolorosa despedida, vamos voltar com muitas novas memórias e aprendizados. Gratidão e satisfação são os sentimentos que encerram esse ciclo.

Decidiu seguir uma carreira na área de ciências devido à experiência com projetos de iniciação científica obrigatórios durante o ensino médio IB (Bacalaureato Internacional).

“Ter a oportunidade de entrar em contato com a pesquisa desde cedo foi um fator determinante na minha vida acadêmica”, “No entanto, também devo creditar um filme que me inspirou quando eu tinha 6 anos, "Jurassic Park". Embora possa parecer trivial, esse filme despertou em mim uma grande curiosidade pela biologia (além de ser um ótimo filme)”.

 

O projeto foi um estudo sobre como o exercício aeróbico intenso afeta a atenção endógena de adolescentes de 17 a 18 anos. A motivação para investigar esse tema foi tanto a paixão pela biologia quanto uma grande dúvida que ele tinha: "será que os esportes realmente podem melhorar nossa atenção e concentração?". Como estudar a atenção por meio de fatores biológicos era um desafio, contou com a ajuda de um teste usado para determinar se os jovens têm déficit de atenção, o Toulouse-Piéron. Esse exercício mental desafia a concentração dos pacientes e, a partir da pontuação atingida, é possível quantificar a atenção. Dessa forma, pode comparar as médias das pontuações antes e depois da atividade física, chegando a uma conclusão.

“O verdadeiro valor dessa pesquisa, assim como em todas as outras, está na metodologia utilizada e não na resposta final. Por esse motivo, embora meus cálculos tenham mostrado uma melhora na atenção dos jovens, dediquei grande parte da análise à reflexão das limitações da minha pesquisa (que foi realizada com recursos limitados)”.

No Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, espera ter a oportunidade de entrar em contato com diversas práticas de laboratório, visando expandir seus conhecimentos em alguns processos químicos e biológicos. Além disso, anseia conhecer a cultura presente no país e socializar com pessoas de todo o mundo. Embora não possa prever exatamente tudo o que fará durante esse intercâmbio, tem certeza de que voltará com aprendizados valiosos e memórias únicas.

Conheça um pouco mais da história do Fellipe:

Escola de Verão 2023 – Gustavo Botega Serra

 Gustavo Botega

Imperatriz - MA

Chegamos na 2ª semana do Programa da Escola de Verão do Instituto Weizmann de Ciências (ISSI) e o Gustavo Botega Serra conta um pouco da sua experiência:

"Aos poucos vai caindo a ficha de que realmente estamos aqui, me encanto diariamente todas as vezes que entro no laboratório, é uma experiência incrível estar cercado de tantas mentes brilhantes e que estão empenhadas no mesmo propósito: Saciar sua curiosidade. Mas nem só de ciência vive o cientista, também tivemos a oportunidades de ter experiências culturais inesquecíveis, como o tradicional jantar de Shabat, da religião Judaica, além de visitas a lugares históricos, como Jerusalém e a Galiléia. Estar aqui é uma oportunidade única para qualquer jovem cientista, e eu, sinceramente, sou muito grato por estar vivenciando isso."

 

Minha expectativa para a Escola de Verão Weizmann é que seja uma vivência transformadora. Eu já conhecia e admirava bastante a história de alguns dos outros brasileiros que já passaram por essa experiência, e poder viver isso é um sentimento de felicidade enorme." 04.04.23

 

De Imperatriz (Maranhão), estudou como bolsista na Escola Santa Teresinha onde finalizou o ensino médio em 2022. Desde 2020 participou de um programa da universidade local, a Universidade Estadual da Região Tocantins do Maranhão (UEMASUL) chamado "Cientista Aprendiz".

Ele fala do primeiro contato com um laboratório como um amor à primeira vista. Desde então, o laboratório se tornou minha segunda casa.”

Gustavo garante que sempre foi uma criança extremamente curiosa, de querer saber o porquê de as coisas serem como são.  “Mais tarde descobri que essas perguntas nada mais eram do que a "Questão Problema", e as respostas eram a "Hipótese".

Fez estudos de Métodos Investigativos na University of London e de Steam + Educação Midiática em  IFES, Alumni Tech e Departamento de Estado dos Estados Unidos. Percorreu com sucesso o caminho das feiras (MOSTRATEC, MILSET BRASIL, INFOMATRIX BRASIL, FEMIC MCTIA, SAPIENS UEMASUL e FEBRACE). Foi escolhido para ir à Escola de Verão do Instituto Weizmann de Ciencias pela sua participação na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) 2023. Na mesma feira, ele também ganhou a credencial para Regeneron ISEF, a maior feira de ciências do mundo, que esse ano acontecerá em Dallas, Texas.

O projeto de pesquisa realizado em Cachoeirinha (Tocantins) consistiu em tratar de desenvolver um fármaco sustentável, utilizando, um fruto regional comumente utilizado pelas comunidades rurais o Tucum Mirim. Os princípios ativos do fruto foram identificados e isolados e atua como repelente, larvicida e inseticida.

Gustavo sabe que quer ser cientista, mas ainda não escolheu área de atuação. “Atualmente estou dividido entre Biotecnologia, Biomedicina, Medicina e Engenharia Química.” E tem um outro desejo “Assim como eu tive outros jovens brasileiros como inspiração, espero um dia poder inspirar outras crianças curiosas a trilhar o caminho da ciência."

Escola de Verão 2023 – Vinicius Dutra Ramos

 Vinicius Dutra Ramos

Barra do Pirai (RJ)

Cursa Engenharia da Computação
Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ
Barra do Piraí

Vinícius Dutra Ramos conta sobre a experiência da terceira semana da Escola de Verão do Weizmann! "Essa terceira semana foi muito intensa. Além de finalizar os projetos e preparar as nossas apresentações, participamos de diversos esportes, palestras por cientistas renomados discursando sobre pesquisas e tecnologia, visitas a laboratórios de ponta, observação de planetas e inúmeras outras atividades. O que mais me impressionou nessas semanas é que somado a incrível oportunidade de desenvolver pesquisa, ainda temos muitas possibilidades para participar de atividades e interagir com pessoas de diversos países. Estar tendo a chance de conhecer e aprender sobre a cultura de jovens de diferentes regiões tem sido uma experiência extraordinária. Assim como nas outras duas ocasiões anteriores, essa parte final da semana me surpreendeu. Fomos para Ein Gedi, uma reserva natural onde podemos nadar e realizar hiking. Nessa semana, fomos ao Monte Zefahot, Coral Beach, onde mergulhamos e praticamos snorkeling. Em relação às pesquisas, há dois dias finalizamos os trabalhos com os projetos e já sinto falta da dinâmica envolvendo experimentos, desenvolvimento de sistemas e colaborar junto de colegas de diferentes partes do mundo para solucionar uma pergunta de finalização dos projetos e preparação para as apresentações. Sem dúvida, está sendo fascinante".

Ser selecionado para fazer parte dessa comunidade altamente colaborativa, que se dedica a enfrentar os desafios mais complexos da ciência, é extremamente empolgante para mim. Estou motivado a aplicar física para avançar os sistemas de computação, em particular comunicações e sensores. Além disso, os equipamentos altamente avançados e a estrutura de apoio dos pesquisadores serão fundamentais nessa jornada. Tenho certeza de que o programa será uma experiência enriquecedora, proporcionando-me novos conhecimentos, habilidades, perspectivas valiosas e a oportunidade de contribuir mais para ciência." 


 

Vinicius sempre teve o desejo de aprender e descobrir por meio da Ciência, o que o guiou em várias decisões. Optou por estudar o ensino médio em uma instituição que proporcionasse maior interação com inovações tecnológicas e acha que foi a decisão certa.

“Embora tenha sido um desafio inicialmente, foi um passo fundamental para ampliar meus horizontes e perceber que há infinitas possibilidades além da sala de aula. Durante esse período, desenvolvi vários projetos, pesquisas e participei de conferências, programas internacionais e competições em STEM que foram essenciais para aprimorar minha experiência acadêmica e científica. O apoio dos professores foi fundamental nesse processo.

Vinicius participou de projetos e programas acadêmicos de Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Ministério de Ciência. Tecnologia e Inovação (MCTI), Fundação de apoio ao Desenvolvimento da extensão, pesquisa, ensino profissionalizante e tecnológico (FADEMA), Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e Instituto de Matemática Pura e Aplicada IMPA.

Desenvolver projetos tecnológicos e científicos como aplicativos e sistemas IoT (internet das coisas), digitais e eletrônicos foi, segundo ele, “uma experiência enriquecedora.  Um dos projetos que tive um grande interesse em desenvolver foi um sistema compacto que conta com a integração de sensores, plataformas digitais e dispositivos para evitar que medicamentos sejam expostos a temperaturas acima do limite, por meio do controle e monitoramento remoto. Além disso, o sistema não depende de conexão com internet para receber comandos de controle ou enviar dados do ambiente, pois na ausência de internet se implementa automaticamente uma rede própria para que dispositivos de funcionários da saúde possam se conectar. O meu interesse no projeto se deve muito pelo problema para qual ele foi desenvolvido: A perda de medicações.”

Conheça um pouco mais da história do Vinícius:

Escola de Verão 2023 – Laura Nedel Drebes

 Laura Nedel Drebes

Rio Grande do Sul

Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) - campus Osório

Laura Debres conta a experiência da primeira semana na Escola de Verão do Weizmann.

"Há quase 1 semana eu (Laura), junto ao Felipe, Gustavo e Vinícius estamos tendo o privilégio de vivenciar uma experiência incrível e única.

Participar do Programa de Verão do Instituto Weizmann de Ciências (ISSI) em Israel tem sido um misto de vivências culturais e voltadas ao âmbito científico. Na primeira foto, nossa delegação brasileira teve a honra de conhecer e ouvir de perto a história da Profa. Ada Yonath, Nobel de Química 2009. Esse registro está em consonância com tamanha grandiosidade que o programa oferece. Estamos envolvidos com pesquisas em diferentes áreas, interagindo com pessoas de diferentes países e tendo o contato com a vasta e diferente cultura Israelense.

Temos certeza que a bagagem que iremos adquirir durante esse mês e a forma em que iremos voltar ao Brasil será transformadora, em todos os sentidos".

 

“Não existem palavras que eu consiga medir e expressar tamanha alegria, emoção e honra que sinto nesse momento com a notícia da minha seleção. É a oportunidade de vida que eu sempre sonhei.” 10.4.23

Me sinto muito motivada em conhecer e conviver com os jovens do mundo inteiro que compartilharão suas vivências no programa. Considero que as trocas transformam. Tenho certeza de que essa experiência será decisiva e influenciará muito meu futuro como médica e também como ser humano.

Minha paixão por pesquisa foi despertada ao ler notícias de jovens meninas que desenvolviam pesquisa no ensino médio em uma cidade a 20km de onde eu morava. Aquilo me causou um espanto, pois eu achava que homens, geralmente mais velhos (como Einstein) faziam pesquisa ou estudantes de mestrado e doutorado.

Quando ingressei no IFRS - campus Osório,  logo fui procurar a professora Flávia Twardowski que é referência no Brasil por incentivar o desenvolvimento de projetos de pesquisa no ensino médio como uma forma de contribuir para uma educação mais significativa. Começava ali minha caminhada no mundo da Pesquisa.

Resíduo da indústria nutracêutica usou como matéria prima para desenvolver o biofilme que substitui a camada plástica do absorvente convencional.

Ao longo de todo o ensino médio, desenvolvi 3 projetos de pesquisa. No ano de 2019, desenvolvi junto a duas colegas um aplicativo capaz de auxiliar os apicultores e agricultores na preservação das abelhas, após observar a morte exacerbada desses importantes polinizadores. No ano de 2020 desenvolvi individualmente filmes plásticos biodegradáveis utilizando subprodutos industriais sob orientação da Professora Flávia Twardowski, do IFRS. O biofilme foi criado como alternativa às coberturas plásticas das plantações de alfaces.

Segurando o primeiro biofilme que desenvolveu no ano de 2020

No ano de 2021, juntamente com minha colega Camily, desenvolvemos o SustainPads:  absorventes acessíveis e ecológicos. Para substituir o algodão convencional, usamos as fibras do pseudocaule da bananeira e as fibras do Açaí de juçara. Para substituir o plástico, desenvolvemos biofilmes, usando resíduos nutracêuticos

O protótipo foi capaz de absorver 65% a mais do que os absorventes comerciais, gastando 99% menos água e custando apenas R$0,02. Dessa forma, contribuímos diretamente com o tripé da sustentabilidade, abrangendo diferentes âmbitos da sociedade: o social: por combater a pobreza menstrual;  o ambiental, por contribuir para a diminuição da poluição ambiental por absorventes sintéticos e o econômico, por utilizar o conceito de economia circular.

Em dezembro de 2022, a patente do produto e processo foi registrada.

SustainPads foi o projeto mais transformador em minha vida. Vivenciei o significado de persistência, determinação e trabalho em equipe, além de compreender a importância da dignidade humana. Descobri que a Ciência gera desenvolvimento não apenas no âmbito acadêmico, mas ela gera o nosso desenvolvimento como seres humanos. 

Conheça um pouco mais da história da Laura:

Escola de Verão 2023

Conheça os 4 selecionados para a Escola de Verão 2023

No dia 11 de abril anunciamos os quatro estudantes brasileiros ganhadores das bolsas integrais da Escola de Verão do Weizmann (ISSI) 2023, no Instituto Weizmann de Ciências, Israel.


Fellipe Wander Godoy
, 18 anos - São Paulo (SP), está no primeiro ano de Engenharia Biomédica na Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein(FICSAE), onde pretende explorar a terapia genética usando CRISPR-CAS9 e biomateriais. 

Gustavo Botega Serra, 18 anos - Imperatriz (MA), participou do programa "Cientista Aprendiz" e o seu projeto consiste na criação de um fármaco sustentável utilizando o Tucum Mirim. 

Laura Nedel Drebes, 19 anos - Imbé (RS), está prestando vestibular para medicina e desenvolveu o projeto científico SustainPads, que são absorventes higiênicos ecológicos e acessíveis.

Vinicius Dutra Ramos, 19 anos - Barra do Pirai (RJ), cursa Ciências da Computação na URFJ e participou de projetos e programas acadêmicos nas seguintes instituições: FAPERJ, MCTI, FADEMA, CEFET-MG e IMPA.

Em breve mais detalhes sobre cada bolsista!

Carta Retrospectiva 2020

Retrospectiva 2020

O que aprendemos com a pandemia?

Adaptabilidade, resiliência e solidariedade. Da comunidade Weizmann para o mundo.

 

“A pandemia não cortou nossas asas. Saímos voando mais rápido e mais alto”,
Prof. Alon Chen,
Presidente Instituto Weizmann de Ciências

Nada ficou como era. O mundo agora olha para a ciência com outra expectativa e confiança, e o Instituto Weizmann de Ciências e os apoiadores do mundo todo continuam à altura do desafio.

Assim que a pandemia teve início, o Weizmann foi além da pesquisa em ciência básica que o caracteriza. Mais de 60 laboratórios se puseram a buscar soluções urgentes contra a Covid-19 e investigar formas de prevenção, diagnóstico e tratamento para combater o impacto do vírus.

“A pandemia não cortou nossas asas. Saímos voando mais rápido e mais alto”, assinalou o presidente do Instituto, prof. Alon Chen.

Há múltiplas provas que sustentam a afirmação. Umindicativo da relevância do Instituto Weizmann de Ciências é que ele foi colocado na 8ª posição mundial na prestigiosa classificação de Leiden de qualidade em pesquisa. O que mesmo durante a pandemia, ingressaram novos cientistas com a missão de dirigir laboratórios e aumentaram os pedidos para estudos de pós-graduação vindos de outros países. Neste ano foi assinado também o histórico Memorando de Entendimento com a Universidade Mohamed bin
Zayed de Inteligência Artificial, (MBZUAI) dos Emirados Árabes Unidos. Os dois institutos agora trabalham em conjunto para promover o desenvolvimento e a utilização da inteligência artificial.

Também a pesquisa biomédica colaborativa alcançou um novo patamar com  a criação do Centro Schneider-Weizmann de Pesquisa em Saúde da Criança e do Adulto, parceria com o maior serviço de saúde de Israel, o grupo Clalit Health Services.

No Brasil
Todo mundo ficou em casa, mas se aproximar foi mais importante do que nunca.

Os Amigos do Weizmann participaram de diversas atividades virtuais que tiveram início quando a Profa. Regina P. Markus, Vice-Presidente do grupo e professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e o Prof. Luiz Vicente Rizzo, Diretor Superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, ofereceram um panorama sobre como a ciência estava atuando e responderam a dúvidas do grupo.

Em um outro encontro virtual, o Vice-Presidente do Instituto Weizmann de Ciências, Prof. Roee Ozeri, trouxe uma atualização sobre como os cientistas perceberam e atuaram de forma imediata onde a sua expertise podia fazer diferença. Mas adaptabilidade e resiliência não são nada sem solidariedade e muitos projetos internacionais foram pensados para que as colaborações fossem não apenas rápidas e eficientes, mas sob o modelo de ciência aberta, o que significa sem patentes nem royalties. Em outra oportunidade foi possível  ouvir sobre a situação da pandemia na voz do próprio Prof. Gabi Barbash,  diretor Emérito do Ministério da Saúde de Israel e do Programa Bench to Bedside do Instituto Weizmann de Ciências.

Mesmo sem colocar o pé em Israel, foi possível fazer vários tours virtuais pelo Instituto Weizmann de Ciências com os próprios cientistas dando as boas-vindas e mostrando alguns dos laboratórios especiais.

Do lado dos homens e mulheres de ciência, a distância nunca foi um empecilho. Ainda que distantes a dez mil quilômetros, três grupos de pesquisadores do Brasil e de Israel foram selecionados no segundo edital do programa Weizmann – FAPESP, que teve parceria com Instituto Serrapilheira,  para trabalharem juntos. E depois do distanciamento físico imposto ainda no Brasil e de uma quarentena de 14 dias, Camila Pinto da Cunha, a cientista que conquistou a primeira bolsa de pós-doutorado exclusiva para brasileiros  The Paulo Pinheiro de Andrade Fellowship, já está trabalhando no campus.

Outros foram e voltaram. Como Gabriela S. Kinker, que fez o doutorado no Instituto de Biociências da USP mas realizou no Weizmann um estudo com tecnologia de ponta ainda pouco utilizada no Brasil.  Assim, a equipe internacional conseguiu identificar potenciais barreiras ao sucesso no tratamento contra o câncer e que promete revolucionar a forma como se estudam os tumores.  Retornou também, logo antes das fronteiras fecharem, a Profa. Ana Claudia Trocoli Torrecilhas, que esteve no Weizmann três meses como parte de um programa de estímulo a internacionalização das instituições de Ensino Superior brasileiras (Programa Institucional de Internacionalização – PrInt). A Profa. Ana Claudia, professora associada na UNIFESP, agora  fala de Israel com paixão. A nação Startup mudou a sua cabeça: “Ao lado do Instituto Weizmann há um prédio inteiro de startups de área biológica. Fiquei impressionada. Para os cientistas brasileiros, fazer co-working com startups de Israel poderia ter um desdobramento muito positivo”.

Outros brasileiros permaneceram em Israel, mas não por isso estão longe. Desde Rehovot, o doutorando Rafael Stern participou  do Weizmann Live Talks com o tema “Florestas: uma solução climática?” e o pós doutorando Emilio Tarcitano  foi um embaixador do Weizmann no  bate-papo organizado pela Associação dos pós graduandos do IVB USP falando do tema: “Oportunidades e desafios na vida acadêmica”.

Em novembro, em uma janela de oportunidade quando a curva de contágio estava em queda tanto em Israel quanto no Brasil, Dany Schmit, CEO para América Latina do Weizmann, veio de Israel para São Paulo. Cercado de todas as medidas protetivas, foi possível por alguns dias vivenciar o reencontro com amigos e o trabalho lado a lado num planejamento de atividades e projetos que nos desafiam ainda mais nesse cenário onde é preciso se reinventar.

A ciência é urgente, não espera e não pode parar.

Na mídia
Como é habitual, as pesquisas do Instituto Weizmann de Ciências tiveram este ano bastante divulgação na mídia brasileira e não apenas pelos avanços relacionados a covid-19 que marcaram o noticiário.  Nas últimas semanas do ano, por exemplo, ao tempo que Jornal do Brasil informava que  cientistas do Weizmann descobriram que no pico da infecção pelo vírus SARS Co-V2 um doente pode transportar com ele até  cem bilhões de partículas virais, o jornal Folha de São Paulo e a revista Veja noticiavam uma pesquisa  do Prof. Ron Milo que aponta que o total de objetos construídos pela humanidade acaba de superar, pela primeira vez, a massa somada de formas de vida na Terra.

Cuidando do Futuro
Fato inédito em 52 anos, a participação na Escola de Verão (Dr. Bessie Lawrence International Summer Science Institute -ISSI) não foi presencial. Mas mesmo sem viajar, os selecionados pela Banca examinadora dos Amigos do Weizmann, Júlia Oscar Destro
(Osório – RS), João Pedro Torres (São Paulo – SP), Lúcio L. F. Neto (Belo Horizonte – MG) e Gabriella Arienne (Mesquita – RJ) tiveram a oportunidade de conhecer melhor o Instituto. Foram organizados para eles seminários online e sessões de breakout virtual. Os jovens participaram de um projeto de pesquisa e seis alumni brasileiros da Escola de Verão, entre eles a renomada Prof.  Alicia Kowaltowski, atuaram de mentores. Assim, como os mais de 80 bolsistas anteriores, eles criaram laços com estudantes e cientistas do
Weizmann e dos outros países.

Ser alumni é fazer parte da família Weizmann para sempre. Compartilhamos com eles as alegrias e ficamos felizes de ver nossa ex-bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2018, Maria Vitória Valoto, ser escolhida entre os vinte brasileiros perfilados em um especial de VEJA “20 jovens brasileiros para acompanhar”.

Mas os jovens cientistas do futuro não precisam ter passado pelo campus para estar no nosso foco. Este ano o Instituto Davidson de Educação Científica, braço educacional do Weizmann, lançou um novo site: Stuck at Home?, disponível em inglês, que oferece um
conjunto de atividades de ciência digital para toda a família e o programa gratuito Window to the future, que promoveu ao longo de 5 domingos encontros entre alunos de 14 a 18 anos do mundo todo e os principais cientistas do Weizmann. Mais de 60 estudantes
brasileiros participaram dos encontros!

A reunião anual do International Board  aconteceu como sempre no mês de novembro. As apresentações das iniciativas científicas com maior impacto potencial na humanidade e o
reconhecimento de figuras inspiradoras não acontece presencialmente no campus, mas foi seguido no mundo todo de forma virtual. Foram apresentadas três iniciativas de projetos tão audaciosos quanto necessários e urgentes no cenário científico mundial, em Inteligência Artificial, em Neurociências (a criação do Institute for Brain and Neural Sciences), e o Projeto Frontiers of the Universe, que lançarão o Weizmann em uma odisseia em direção ao futuro da neurociência e da  física, respectivamente.

O acúmulo mundial de conhecimento em torno do coronavírus, ao lado das descobertas derivadas dos projetos de pesquisa relacionados ao coronavírus no Instituto já está incrementando nossa compreensão geral das doenças infecciosas e do sistema imunológico. É o futuro Institute for Infectious Disease Research do Instituto Weizmann de Ciências integrará insights dessas investigações e avançará em pesquisas de outros vírus transmitidos por animais e os desafios adicionais como a resistência
a antibióticos.

2020 não foi um ano fácil, exigiu adaptabilidade, resiliência, solidariedade. Os cientistas do Weizmann trabalharam com excelência trazendo grandes avanços para enfrentar o novo coronavírus sem descuidar da pesquisa básica e fundamental, fazendo mais perguntas e procurando as respostas para as grandes questões científicas que movem as fronteiras do conhecimento – tudo isso para tornar nossa vida mais sustentável, longa, com qualidade, facilidade e saúde.

Em meio a todos estes desafios, nos dá muita satisfação saber que estivemos juntos! Que venha #2021.

Parabéns Alicia Kowaltowski!

 Parabéns Alicia Kowaltowski!

A Profa Alicia Kowaltowski, uma das primeiras bolsistas brasileiras da Escola de Verão do Weizmann e hoje membro da Banca examinadora dos Amigos do Weizmann do Brasil, está entre os cientistas mais reconhecidos no ambiente científico mundial. O estudo que analisa o ranking mundial de cientistas foi realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford  e fornece um banco de dados dos 100 mil cientistas mais influentes pelo impacto ao longo da carreira , além dos 2% mais influentes em seus campos científicos em um único ano (2019). Alicia está em ambos. Ela ainda teve tempo este ano de tocar violino, fazer divulgação científica, lutar pelo financiamento da ciência brasileira e  participar do projeto de mentoria dos estudantes selecionados para a Escola de Verão do Weizmann 2020. Parabéns querida Alicia!

Escola de Verão 2020

Enzo Kaneko Ebert

Conheça Enzo, bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2020

Enzo Kaneko Ebert, 18 anos, Rio Claro – SP

Estudou durante 12 anos no Colégio Koelle. Atualmente está no primeiro ano de física da Universidade Estadual Paulista de Rio Claro, com planos de ir estudar na Alemanha ou França.

O interesse de Enzo pela ciência começou no ensino fundamental através das olimpíadas científicas, como a OBA e Canguru. “Porém, me apaixonei de fato por ciência, mais especificamente pela física, quando entrei no colegial. Depois de começar a ler vários livros de física pela recomendação de um querido professor, decidi que queria me envolver mais com o que estava lendo. Foi aí que vieram os meus projetos de pesquisa e participação em programas de verão aqui e fora do Brasil. Meu maior interesse no momento é o estudo da matéria condensada.”

Ele imagina os cientistas do Weizmann como “extremamente apaixonados pelo que fazem e com um grande comprometimento com a ciência básica.”

Gabriella Arienne

Conheça Gabriella, bolsista da Escola de Verão do Weizmann 2020

Gabriella Arienne, 19 anos, Mesquita – RJ

Estudou por 7 anos no colégio Miguel Couto e atualmente faz Faculdade de Medicina na UNESA.

“Meu interesse pela ciência foi despertado no colégio, antes mesmo de eu entrar no ensino médio”- garante. Fascinada por biologia, descobriu as feiras de ciências para jovens por meio de professores. “Tive certeza de que lá era o meu lugar.” Mas havia um problema, a escola não tinha laboratório. Gabrielle decidiu, mesmo assim, criar um projeto e testá-lo em casa. A paixão pela ciência continua cada vez mais forte. “ A ciência me levou a lugares que certamente eu não chegaria sozinha e me deu respostas para quase todas as minhas perguntas. Pretendo continuar com a pesquisa científica durante e após a universidade.”

Ela imagina os cientistas do Weizmann como pessoas extremamente curiosas, inteligentes e, sobretudo, “com o brilho nos olhos de quem ama a ciência e decidiu dedicar sua vida a ela.”