Neurociência

Carta Retrospectiva 2019

Caros Amigos,

Estamos fechando 2019 – o ano em que o Weizmann ficou no #2 lugar no mundo e o que o Brasil teve presença mais marcante, façamos juntos uma retrospectiva!

O Instituto Weizmann de Ciências ficou em segundo lugar no mundo no ranking de qualidade científica Nature Index normalizado. Isso significa que, da sua produção científica total, o número de artigos publicados em revistas de alta qualidade foi tão impressionante que perdeu apenas para o laboratório Cold Spring Harbor de Nova Iorque. Este ranking ilumina os institutos menores que estão, proporcionalmente, superando as potências de pesquisa. O Instituto Weizmann de Ciências também se classificou como número 1 em Israel.

Cientistas do Weizmann alcançaram grandes êxitos. A lista é longa, mas para citar apenas alguns, a pesquisa que relacionou os microrganismos do intestino com a progressão da Esclerose lateral amiotrófica, o desenvolvimento de uma bactéria que  “come” CO2, de grande importância para o meio ambiente, e a liderança, junto à Agência Espacial de Israel no projeto internacional ULTRASAT, para procurar explosões cósmicas e buracos negros.

Foi também o ano em que dois cientistas foram agraciados com o prêmio EMET, de grande prestígio em Israel. Os dois pesquisadores, aliás, já estiveram no Brasil: Profa. Michal Schwartz e o Prof. Yair Reisner. Em 2019 muitos cientistas do Weizmann vieram ao Brasil: Prof Josef Yarden, referência internacional em pesquisa em câncer (São Paulo), Prof. Tamir Klein, o cientista que demostrou pela primeira vez a transferência de carbono e outros nutrientes entre árvores de diferentes espécies (Curitiba). O Prof. Ilan Koren, do Departamento das Ciências da Terra e Planetárias do Instituto, veio a convite da USP e da FAPESP, para um curso com o objetivo de reunir os cientistas jovens do Brasil com os pesquisadores referentes na sua área no mundo todo. A lista de cientistas passando pelo Brasil é extensa, inclui ainda Prof. David Margules, Prof. Avigdor Scherz, Profa. Michal Neeman, e o Prof. Israel Bar Joseph, que durante seus 13 anos como VP do Weizmann, visitou o Brasil inúmeras vezes estreitando laços científicos com o Brasil.

Muitas novas colaborações científicas Brasil-Weizmann se estabeleceram, dando-se destaque ao apoio da FAPESP e Instituto Serrapilheira. O trânsito de cientistas entre Brasil-Weizmann é intenso, o que nos enche de alegria e orgulho. Colaborações autônomas também florescem a todo momento, onde os próprios cientistas utilizam seus grants para viabilizar a pesquisa conjunta: é o caso da Profa. Ana Claudia Trocoli Torrecilhas (UNIFESP), que após muitas idas e vindas, está passando três meses no laboratório da Dra. Neta Negev-Rudski. Elas juntam expertise em doença de Chagas e malária, para avançar ainda mais as fronteiras do conhecimento.

O Weizmann Brazil Tumor Bank foi inaugurado no mês de novembro. A celebração aconteceu durante a visita da maior delegação brasileira da história no International Board Meeting que comemorou os 70 anos do Instituto. Mario Fleck, presidente dos Amigos do Weizmann do Brasil, foi agraciado durante o encontro com a maior honraria concedida pelo Instituto Weizmann de Ciências para pessoas com ideais e valores compartilhados pela instituição, tais como excelência, dedicação para melhorar a condição da humanidade e profunda paixão impulsionada pela curiosidade. Recebeu o título de doutor em filosofia honoris em cerimônia emocionante que também outorgou o título ao presidente de Israel, Reuven Rivlin, e a outras personalidades igualmente notáveis. Eles se juntaram a uma lista que inclui personalidades como Shimon Peres, Elie Wiesel, Zubin Metha, Marc Chagall, François Jacob, Severo Ochoa e Morris Kahn.

Um dos programas consolidados dos Amigos do Weizmann é o envio anual de jovens talentos para passarem o mês de julho imersos em ciência no Weizmann. A Escola de Verão – Bessie F Lawrence International Summer Science Institute – uma experiência de vida fantástica.

A cada ano o número de candidatos se multiplica – este ano foram 680, que vieram de todos os Estados, com exceção do Acre – e a qualidade dos estudantes, nos impressiona.

Os quatro estudantes premiados esse ano foram: Constanza Maria Reis da Silva Mariano, Natalia Von Staa Mansur, Leonardo Azzi Martins e Patrícia Honorato Moreira. Já enviamos mais de 80 bolsistas brasileiros para esse programa, que comemorou este ano os primeiros 50 anos. O Programa Internacional Kupcinet Getz para estudantes de graduação também já conta com a nossa presença e envolvimento.

Importante destacar as oportunidades de pós-doutorado para brasileiros com o estabelecimento das bolsas Morá Miriam Rozen Gerber Fellowship e Paulo Pinheiro de Andrade Fellowship. Um crescente apoio para o intercâmbio imprescindível para o desenvolvimento da ciência do Weizmann e dos cientistas brasileiros.

O envolvimento do Brasil no estabelecimento do Instituto Integrativo para Pesquisa de Neurociência é uma nova iniciativa emblemática que visa acelerar a pesquisa em neurociência, montando e aprimorando a experiência e a infraestrutura de neurociência do Instituto, promovendo o espírito interdisciplinar e a proximidade física necessária para promover a colaboração em todos os níveis de pesquisa.

As boas notícias do 2019 são muitas, e podem ser acompanhadas através do site dos Amigos do Weizmann, assim como as redes sociais ( Facebook, Twitter, YouTube e Instagram). E possível também ouvir o novo podcast do Instituto Weizmann de Ciências Weizmann Voices!, um bate papo com cientistas, estudantes, alumni, e Amigos do Weizmann disponível em Soundcloud, Stitcher e Spotify (Inglês).

Cada um destes esforços globais, e a colaboração multidisciplinar e entre países acrescentou neste 2019 uma nova perspectiva para as contribuições do Weizmann ao mundo.

Está dando bons frutos, em benefício da humanidade.

Aproveitem a leitura do nosso último newsletter do ano, com as mais recentes notícias, e a cobertura do International Board Meeting 2019.

Como manipular o cérebro

Técnica usada por cientistas do Instituto Weizmann permite controlar o comportamento materno nas fêmeas e reduzir a agressividade nos machos.

As fêmeas instintivamente tomam conta dos filhotes, mesmo se elas mesmas ainda não foram mães. Os machos o fazem apenas por um período de tempo e só depois de ter copulado com uma fêmea. Isto era bem conhecido, porém nunca bem compreendido. Agora pesquisadores do Instituto Weizmann descobriram que isso acontece porque a mesma rede neural funciona diferente nos dois sexos. E até’ conseguiram manipulá-la, por enquanto em camundongos. A pesquisa de resultados surpreendentes foi publicada na revista Nature.

Dr Tali Kimchi e colaboradores do Departamento de Neurobiologia utilizaram novas técnicas de genética e neuroquímica para manipular uns neurônios determinados localizados na que seria algo assim como o área cerebral do instinto maternal (núcleo AVPV). Uns minutos de ativação neuronal e as femeas, tanto as mães como as ainda virgens, aumentavam o comportamento maternal ao ponto que se os pesquisadores deixavam os filhotes no canto da gaiola elas iam os pegar e os levavam para o ninho. O mesmo experimento também mudava o comportamento dos machos. No caso deles, diminuía a agressividade para filhotes desconhecidos e outros machos.

Os pesquisadores conseguiram isso manipulando apenas os neurônios da região que tem uma proteína TH (tirosina hidroxilasa) necesarias para a produção da dopamina, um dos mensageiros químicos do cérebro. Aumentavam e diminuíam a quantidade de esta proteína a traves de uma técnica que permite ativar as células de forma automática ligando uma luz (opto genética).

Os resultados são impressionantes. Se controlar a atividade de uns neurônios precisos altera o comportamento maternal e a agressividade, pontos importantes vão se esclarecer nas discussões sobre genro. A pesquisa pode ajudar também na compreensão e tratamento da depressão post parto e tal vez até do autismo.

 

Leia mais: Weizmann Wonder Wander

Artigo Original (Nature)

A sexually dimorphic hypothalamic circuit controls maternal care and oxytocin secretion

Nib Scott, , Matthias Prigge, Ofer Yizhar, & Tali Kimchi – Journal name: NatureVolume: 525,Pages: 519–522 Date published: (24 September 2015) DOI: doi:10.1038/nature15378

 

 

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